<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-29965161</id><updated>2012-01-20T15:04:56.419-03:00</updated><category term='Conversa de Boteco'/><category term='silêncio reflexivo'/><category term='falando sério'/><title type='text'>O que não interessa a ninguém...</title><subtitle type='html'>Se a alguém interessar, que o descreva depois.</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://oquenaointeressa.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29965161/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oquenaointeressa.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Antonio Rimaci</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00779165038438976605</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>84</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29965161.post-7720772005600238427</id><published>2011-09-10T11:38:00.007-03:00</published><updated>2011-09-10T11:46:20.196-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='falando sério'/><title type='text'>Euclides, Luiz e o civismo</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Poucas músicas me emocionam tanto quanto&lt;a href="http://letras.terra.com.br/luiz-gonzaga/261217/"&gt;&amp;nbsp; “Pau de Arara”&lt;/a&gt; , do gênio Gonzagão. Em parte porque lembra a história de minha família; mas também por descrever o drama de milhões de brasileiros que rumaram para o sul e construíram esse país. No entanto, o sul-maravilha insiste em colocar a nossa região como origem de todos os males da terra brasilis. Eu penso diferente. Não apenas por ser nordestino, mas simplesmente por me dar o direito de pensar um pouco sobre o tema, sem me render aos conceitos prontos sobre a origem da sociedade brasileira que achamos por aí. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O nordestino é, em grande parte, sertanejo. E &lt;a href="http://www.vidaslusofonas.pt/euclides_da_cunha.htm"&gt;o sertanejo é, antes de tudo, um forte&lt;/a&gt;. Eu acho que Euclides da Cunha quis dizer muitas coisas com o termo forte, e essas vão além da força física. O nordestino é, em geral, um nobre. Não no sentido medieval, e sim no de defesa de valores. Ele os tem definidos e arraigados, aos quais a necessidade de sobrevivência não consegue sobrepor. É o “Paraíba” que puxa a peixeira se alguém xinga sua mãe ou lhe chama de corno, mas também é o cidadão que na falta de comida privilegia mulheres e crianças; que trabalha a mais para compensar o cansaço dos mais idosos; que não aceita esmola nem roubo... Um respeito ao próximo e as necessidades alheias que nos dias de hoje nos parece incomum.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não quero vender aqui um moralismo barato. Longe disso. Mas os valores que cito caminham numa direção específica: a que define o conceito de “civismo”. Sim, porque poucos de vocês hão de discordar de que o grande mal desse nosso país é a completa ausência de noções de civismo em todos os níveis hierárquicos, econômicos e sociais. Senão vejamos. Falta-nos educação, no sentido formal. Faltam mais engenheiros, arquitetos, advogados, sociólogos e filósofos. Faltam mesmo. Mas os que nós temos de “melhor”, que ocupam os cargos de maior relevância, nos dão constantemente mostras de sua completa ignorância em relação ao civismo, considerando este não apenas como “amor a pátria”, mas no sentido mais amplo, de consciência coletiva, de bem comum para viver em sociedade. Talvez aleguem falta de renda, e é de fato considerável a fatia da população completamente a margem do progresso econômico dos últimos anos. Contudo, os absurdos salários pagos aos poderes Executivo e Judiciário não impedem o completo descaso com o dinheiro público, que deveria ser utilizado para o “bem comum”. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A ausência de civismo vai além desses exemplos mais emblemáticos e midiáticos. Ela perpassa o nosso dia-a-dia. É o cara que fura a fila do banco; que estaciona em vaga de idoso; que não cede o lugar da gestante e do idoso no ônibus; que gasta todo o seu salário em carros que se transformam em trio-elétricos e não respeita os horários em que o som em determinado volume é proibido. A questão aqui vai além de “bom” e “mau”. O conceito é objetivo: não há compreensão da necessidade da existência dessas regras. Não há percepção de que as leis de boa convivência são uma necessidade social. É um problema de socialização dos indivíduos, ou seja, é um problema de toda a sociedade e não apenas dos “maus”.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E ai é que voltamos ao nosso problema de início: se o grande mal é a falta de civismo, esse mal não veio do nordestino. Em algum momento, lá por baixo, a noção de civismo inerente ao nordestino se perdeu. O nosso povo é descaracterizado pelo ambiente hostil e acaba por deixar alguns desses valores de lado. Como somos fortemente influenciados pela mídia oriunda do sul, aconteceu que os grandes centros urbanos nordestinos reproduziram o problema da falta de civismo. Não sei quando, nem onde, nem como isso acontece (isso aqui não é artigo científico), mas é fácil defender esse ponto de vista. Quem discorda de mim, visite o sertão, converse com as pessoas. Ouça. E depois me conte. O sertanejo de Luiz Gonzaga e Euclides da Cunha ainda está lá, sobrevive, e tem muito mais a nos ensinar do que a aprender conosco.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29965161-7720772005600238427?l=oquenaointeressa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oquenaointeressa.blogspot.com/feeds/7720772005600238427/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29965161&amp;postID=7720772005600238427&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29965161/posts/default/7720772005600238427'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29965161/posts/default/7720772005600238427'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oquenaointeressa.blogspot.com/2011/09/poucas-musicas-me-emocionam-tanto.html' title='Euclides, Luiz e o civismo'/><author><name>Antonio Rimaci</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00779165038438976605</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29965161.post-4533597231484824834</id><published>2011-08-01T09:06:00.001-03:00</published><updated>2011-08-01T10:40:58.484-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Conversa de Boteco'/><title type='text'>Dom de Iludir</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mesa de bar. Fui convidado a pensar sobre a malícia... Inicialmente, a malícia do povo brasileiro, aqui assumindo um tom pejorativo, que nos impede de seguir as regras e convenções e com isso ganhar maturidade institucional, ou seja, atingir a melhor forma real de democracia que a sociedade conseguiu desenvolver. Até aqui, discussão séria... Mas era mesa de bar. Logo fui tentado a corrigir o rumo da prosa pra um tema muito mais boêmio: a malícia feminina.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Lembro bem quando o tema me tomou a mente pela primeira vez, ouvindo Noel Rosa na voz de Caetano: &lt;a href="http://letras.terra.com.br/noel-rosa-musicas/125753/"&gt;&lt;em&gt;“Pra quê mentir se ainda não tens a malícia de toda mulher? Pra quê mentir se eu sei que gostas de outro, que te diz que não te quer?!”.&lt;/em&gt; &lt;/a&gt;Ao qual o próprio Caetano respondeu, mais tarde, dizendo que &lt;em&gt;&lt;a href="http://letras.terra.com.br/caetano-veloso/44719/"&gt;“Você diz a verdade, a verdade é seu dom de iludir. Como pode querer que a mulher vá viver sem mentir?”&lt;/a&gt;.&lt;/em&gt; Desde então, criei o problema em minha mente e desde aquele dia nunca mais consegui esquecê-lo: do que se trata a tal “malícia de toda mulher”? &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O “dom de iludir” é tema antigo. No paraíso, Eva usou de toda sua malícia para convencer Adão a provar do fruto proibido ( e é por causa dela que trabalhamos até hoje). Desde então, exemplos de mulheres que se sobrepõe, com delicadeza e jogo de cintura, aos desmandos de déspotas e maridos cruéis para atingir seus objetivos não são raros. A linha do tempo separa em uma distância considerável Eva de Cleópatra ou Evita, por exemplo. Entretanto, há uma condição presente em qualquer contexto de manifestação da malícia feminina: a de oprimida. As mulheres da bíblia, as de Noel Rosa e, porque não, de Caetano, viveram todas em uma condição de submissão ao homem: pai, marido, chefe, criador... &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A malícia se configura, portanto, numa tática de sobrevivência: as mulheres desenvolveram uma forma alternativa de negociar suas vontades, que foge ao uso da força, e perpassa pela sensibilidade e poder de persuasão. Retratado nas artes por mãos masculinas, esse método de convencimento é transfigurado, descrito como “dom de iludir”. A malícia de toda mulher é conseqüência da opressão. Neste sentido, a expressão malícia perde o tom pejorativo e ganha conotação de requinte, inteligência e estilo. Subjuga o poder decisório historicamente repousado nas mãos dos homens, infiltrando-se sobre as normas como a água entre as ranhuras de uma pedra do rio. O toque, o olhar, a voz branda, os olhos marejados... E pronto, tudo lhe será dado. Há quem diga que o único crime perfeito é a traição de uma mulher magoada... Malícia, pura malícia.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E nos dias de hoje? Vivemos na época em que, sem dúvidas, as mulheres experimentam a maior liberdade cedida a elas em todos os tempos. É cada dia mais comum ver mulheres que falam firme, batem na mesa e ditam as normas, em todos os ambientes. De donas de casa que “edificam o seu lar” a chefes de grandes corporações, o comportamento feminino sofreu fortes mudanças. Há quem diga que a malícia feminina, aliada ao poder de decisão conferido a elas, fizeram destas os seres mais evoluídos do planeta. E quem há de negar? Resta a nós, pobres ultrapassados homens “inocentes”, observarmos atentos. Ou, fazermos arte, novamente. Eu sou refém. Sejamos!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29965161-4533597231484824834?l=oquenaointeressa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oquenaointeressa.blogspot.com/feeds/4533597231484824834/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29965161&amp;postID=4533597231484824834&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29965161/posts/default/4533597231484824834'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29965161/posts/default/4533597231484824834'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oquenaointeressa.blogspot.com/2011/08/dom-de-iludir.html' title='Dom de Iludir'/><author><name>Antonio Rimaci</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00779165038438976605</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29965161.post-7440928724325002910</id><published>2011-07-05T16:50:00.006-03:00</published><updated>2011-07-12T07:43:22.065-03:00</updated><title type='text'>Lições de amor (parte I)</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-family: inherit;"&gt;(...) Lembro bem como começou: falaram-me de um tal de Orkut, daí me mandaram o convite. Passando pelo interrogatório para preenchimento do perfil, me deparei com uma pergunta engraçada: “Com relacionamentos anteriores eu aprendi...?”. Eu não sabia responder. Decerto aprendi algo, mas a coisa nunca esteve organizada em minha mente... E continuou sem estar pelos cinco anos seguintes. Hoje, resolvi que seria importante, pra mim, sistematizar todo conhecimento adquirido em minhas experiências amorosas.&amp;nbsp; Sempre há que se aprender algo. E o único argumento que nos salva de querer morrer só por lembrar-se de ter namorado algumas pessoas é que de fato aprendemos algo que não devemos repetir jamais.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-family: inherit;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-family: inherit;"&gt;Eu já tive algumas relações, apesar da pouca idade. Posso dizer que, ao namorar alguém muito jovem, quando ainda se é também muito jovem, você deve saber que aquele não será seu único amor. Se você ainda não se sustenta, e para pensar em trabalhar ainda vai precisar descobrir qual será a sua profissão, não alimente o sonho de casar e ter filhos com essa pessoa. Isso não vai acontecer. E se acontecer, não vai durar. Vocês terão de passar oito ou nove anos ralando para chegar à condição de poder dividir a vida. Além da distância em anos, sempre haverá dentro de si a cobrança por não ter se permitido conhecer o mundo ao seu redor, viajar, ir aos congressos da faculdade, ficar bêbado e dormir na praia do Porto da Barra, beijar mais de uma pessoa durante o carnaval, entre tantas outras peripécias que, apenas quando reunimos as condições de jovem e solteiro, podem ser realizadas.&amp;nbsp; Porém, não divida essas conclusões com a pessoa amada. Viva o amor até o momento em que ele se torne impossível. Se essas aflições virarem assunto durante o namoro, a única razão para namorar terá se perdido: aproveitar o momento.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-family: inherit;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-family: inherit;"&gt;Viajando, indo a festas, congressos, casamentos, batizados, velórios e lavagens, você conhecerá muita gente. Conhecendo muita gente, provavelmente você encontrará alguém que pareça perfeito. Mas não se engane, ninguém é completamente perfeito. Na condição de namorar a distância, aprendi que apenas amar não é suficiente. Se você não acredita, não confia, não sente sinceridade no outro lado, toda a relação estará distorcida. A pessoa pode ser uma espécie de mágico (ou ilusionista), que muda as cores da cidade quando está contigo. Porém, se quando ela volta pra casa você sofre muito mais do que deveria, algo estará errado e os meios que você encontrará para suprir esse sofrimento certamente serão insuficientes, além de, em certa medida, desonestos. O que eu aprendi, de verdade, é que não se deve namorar a distância, a não ser que seja o grande amor de sua vida. Mas para saber se alguém é o grande amor de sua vida, é preciso conviver. Só namore a distância se você conviveu e conhece todos os corvos que pousam nos galhos e todas as larvas que comem os frutos da grande copa da arvore mais bonita da floresta, que você pensa ser sua.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: inherit;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-family: inherit;"&gt;Se você se tornar uma pessoa interessante, não faltará quem enxergue em você a arvore mais bonita da floresta. Ao conviver com alguém mais velho, aprendi que a linha do tempo oferece uma gama de objetivos e aspirações diferentes em cada trecho, e que uma relação com essa característica exigirá muito mais concessões e acordos. Abrir mão faz parte de qualquer relação, mas se você tem de abrir mão de algo que não tem o mesmo valor para o outro, o ato de ceder não é devidamente valorizado, o que torna o exercício extremamente complexo. Contudo, você sempre terá algo a ganhar ouvindo essa pessoa. Aliás, ouvir é sempre muito melhor que falar, em qualquer relação. Isso eu aprendi muito recentemente...&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family: inherit;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-family: inherit;"&gt;Falei mais acima sobre o grande amor de sua vida... Nisso eu não acredito, e entendo que esse foi o maior &amp;nbsp;aprendizado que tive ate aqui. As pessoas demoram a seguir em frente, quando terminam relações, porque mitificam o ex. É muito comum ouvir que nunca mais será feliz com outro, que ninguém saberá cuidar, amar e respeitar como o ex. Isso não é verdade, de maneira alguma. Existem pessoas com que nos identificamos mais, o que torna tudo mais fácil. Mas relacionar-se, viver junto, dividir a vida é, antes de tudo, um grande esforço. É preciso uma entrega descomunal e uma grande força de vontade para fazer qualquer relação chegar a um status de estabilidade que nos permite concluir que ela vale à pena. Esse é o fator que nos faz tornar o ex um mito, pois quando se sai de uma relação onde já se tinha o conforto da mesmice, é preciso ter o trabalho inteiro novamente. É muito mais fácil concluir que o ex era perfeito e tentar resgatar com ele uma relação que, em muitas vezes, não tem mais nada a nos oferecer. Somos naturalmente avessos a mudanças, e tornar o ex um mito insuperável só torna a mudança – muitas vezes inevitável – ainda mais difícil. Ninguém controla seu potencial de ser feliz além de você mesmo. Ninguém é perfeito para você se você não estiver disposto a ser perfeito para alguém. &amp;nbsp;Além disso, o amor de sua vida provavelmente não será aquele que cai ao seu colo: se você quer ser feliz com alguém, vai ter de batalhar por isso.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-family: inherit;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-family: inherit;"&gt;Vamos arregaçar as mangas e cair pra dentro. Mais importante que cair e se levantar, é levantar, limpar as feridas e seguir em frente sem perder o tom, a graça, e a ternura. Jamais.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Obs.: mais uma da série “emails que enviei a alguém”. Um dia vou publicar todos os meus emails enviados... &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29965161-7440928724325002910?l=oquenaointeressa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oquenaointeressa.blogspot.com/feeds/7440928724325002910/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29965161&amp;postID=7440928724325002910&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29965161/posts/default/7440928724325002910'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29965161/posts/default/7440928724325002910'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oquenaointeressa.blogspot.com/2011/07/licoes-de-amor-parte-i.html' title='Lições de amor (parte I)'/><author><name>Antonio Rimaci</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00779165038438976605</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29965161.post-83600746357341207</id><published>2011-05-26T13:13:00.000-03:00</published><updated>2011-05-26T13:13:27.786-03:00</updated><title type='text'>Sobre diversidades</title><content type='html'>&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;w:WordDocument&gt;   &lt;w:View&gt;Normal&lt;/w:View&gt;   &lt;w:Zoom&gt;0&lt;/w:Zoom&gt;   &lt;w:HyphenationZone&gt;21&lt;/w:HyphenationZone&gt;   &lt;w:PunctuationKerning/&gt;   &lt;w:ValidateAgainstSchemas/&gt;   &lt;w:SaveIfXMLInvalid&gt;false&lt;/w:SaveIfXMLInvalid&gt;   &lt;w:IgnoreMixedContent&gt;false&lt;/w:IgnoreMixedContent&gt;   &lt;w:AlwaysShowPlaceholderText&gt;false&lt;/w:AlwaysShowPlaceholderText&gt;   &lt;w:Compatibility&gt;    &lt;w:BreakWrappedTables/&gt;    &lt;w:SnapToGridInCell/&gt;    &lt;w:WrapTextWithPunct/&gt;    &lt;w:UseAsianBreakRules/&gt;    &lt;w:DontGrowAutofit/&gt;   &lt;/w:Compatibility&gt;   &lt;w:BrowserLevel&gt;MicrosoftInternetExplorer4&lt;/w:BrowserLevel&gt;  &lt;/w:WordDocument&gt; &lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;w:LatentStyles DefLockedState="false" LatentStyleCount="156"&gt;  &lt;/w:LatentStyles&gt; &lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;!--[if gte mso 10]&gt; &lt;style&gt; /* Style Definitions */ table.MsoNormalTable {mso-style-name:"Tabela normal"; mso-tstyle-rowband-size:0; mso-tstyle-colband-size:0; mso-style-noshow:yes; mso-style-parent:""; mso-padding-alt:0cm 5.4pt 0cm 5.4pt; mso-para-margin:0cm; mso-para-margin-bottom:.0001pt; mso-pagination:widow-orphan; font-size:10.0pt; font-family:"Times New Roman"; mso-ansi-language:#0400; mso-fareast-language:#0400; mso-bidi-language:#0400;}&lt;/style&gt; &lt;![endif]--&gt;  &lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Agora não dá mais pra disfarçar. É impossível tentar esconder; e nem é mais tão necessário. Não é preciso entrar para o Seminário para inibir as vontades, muito menos arrumar um casamento de fachada. Ser gay nunca foi tão fácil no Brasil. É normal. É legal (nos dois sentidos). A fatia GLBT da sociedade brasileira é uma realidade. Não dá mais pra chamar de doença. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Em meio a noticias diárias que sentenciam a tendência descrita nas afirmações do parágrafo anterior, tenho sido questionado por amigos: “o que você acha disso?”. Eu tenho mesmo de achar alguma coisa. E tenho que escrever sobre isso. É o que eu faço, quase sempre por não ter outros meios de manifestação pública. Externar nossa opinião é uma forma muito eficiente de fazer política, essencialmente nessa sociedade “virtualizada”. Então, vamos lá.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;w:WordDocument&gt;   &lt;w:View&gt;Normal&lt;/w:View&gt;   &lt;w:Zoom&gt;0&lt;/w:Zoom&gt;   &lt;w:HyphenationZone&gt;21&lt;/w:HyphenationZone&gt;   &lt;w:PunctuationKerning/&gt;   &lt;w:ValidateAgainstSchemas/&gt;   &lt;w:SaveIfXMLInvalid&gt;false&lt;/w:SaveIfXMLInvalid&gt;   &lt;w:IgnoreMixedContent&gt;false&lt;/w:IgnoreMixedContent&gt;   &lt;w:AlwaysShowPlaceholderText&gt;false&lt;/w:AlwaysShowPlaceholderText&gt;   &lt;w:Compatibility&gt;    &lt;w:BreakWrappedTables/&gt;    &lt;w:SnapToGridInCell/&gt;    &lt;w:WrapTextWithPunct/&gt;    &lt;w:UseAsianBreakRules/&gt;    &lt;w:DontGrowAutofit/&gt;   &lt;/w:Compatibility&gt;   &lt;w:BrowserLevel&gt;MicrosoftInternetExplorer4&lt;/w:BrowserLevel&gt;  &lt;/w:WordDocument&gt; &lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;w:LatentStyles DefLockedState="false" LatentStyleCount="156"&gt;  &lt;/w:LatentStyles&gt; &lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;!--[if gte mso 10]&gt; &lt;style&gt; /* Style Definitions */ table.MsoNormalTable {mso-style-name:"Tabela normal"; mso-tstyle-rowband-size:0; mso-tstyle-colband-size:0; mso-style-noshow:yes; mso-style-parent:""; mso-padding-alt:0cm 5.4pt 0cm 5.4pt; mso-para-margin:0cm; mso-para-margin-bottom:.0001pt; mso-pagination:widow-orphan; font-size:10.0pt; font-family:"Times New Roman"; mso-ansi-language:#0400; mso-fareast-language:#0400; mso-bidi-language:#0400;}&lt;/style&gt; &lt;![endif]--&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Pra começar, tenho que dizer que sou hetero. Bastante hetero. Como diz uma amiga, sou “hetero com veemência”.&lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;Não digo isso por medo de ser chamado de viadinho, mas pela necessidade de fazê-los entender, caros leitores, que a minha opinião sempre estará balizada por esta condição.&lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;Ainda que eu acredite no exercício da relativização, e por mais progressistas que sejam meus posicionamentos, ser um não-gay me impede de opinar como um gay sobre suas perspectivas, visão de mundo, de direitos e deveres, suas bandeiras políticas... Essa é a graça da coisa: tentar enxergar e compreender algo que, se você não fizer força pra sair do seu mundinho de convenções sociais e tabus, não poderá entender nunca. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Eu tenho uma mania triste de não concordar com nenhuma das partes em discussões desse tipo. Aqui está mais um caso em que nada do que tenho ouvido me agrada completamente. Vamos começar falando dos conservadores. É incrível como a noção de democracia do povo brasileiro é deturpada, pobre, vazia, limitada apenas ao direito de voto. As pessoas não percebem a democracia como um Estado de “iguais”, um “ethos” que define a forma de gerir o Estado, de distribuir direitos e reparar danos históricos causados a determinados grupos. O regime democrático deve ter como ideal nos garantir direitos e preservar nossa liberdade, ainda que essas duas coisas não possam ser atingidas plenamente (ou, pelo menos, não por todos). A falta dessa percepção nas mentes das massas é flagrante e pôde ser contemplada em diversas discussões recentes, como a das cotas, dos sem-terra e, atualmente, do grupo GLBT (a parte boa é que hoje em dia essas discussões acontecem!). &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;A confusão entre o dever do Estado e as determinações de cada doutrina é comum. O que deveria perpassar as mentes evangélicas, numa democracia ideal, é que mesmo que a doutrina evangélica condene, a homoafetividade existe, envolve pessoas, relações sociais e, a parte que interessa ao Estado, cidadãos. Cabe ao Estado garantir condições de existência harmoniosa para todos os grupos, entre os quais homossexuais e evangélicos. Cabe aos conservadores a satisfação de ter onde manifestar sua opinião, e isso lhes é garantido desde sempre. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Aí é onde está a minha crítica ao grupo dos homoafetivos. Garantir seus direitos não pode significar aniquilar direitos alheios. Conquistar o direito de união civil não pode representar calar todas as vozes que são contra, principalmente se essa opinião contrária for sustentada em um alicerce religioso. A revolta descontrolada causada pelas vozes que se levantaram contra a união homoafetiva se configura como mais um exemplo de noção deturpada de democracia. Os progressistas se ofendem, mas carregam em seus discursos o mesmo tipo de lógica que considera o meu direito mais importante que o do outro. O direito a existência e livre manifestação dos grupos religiosos deve ser conservado com tanta convicção como o direito de pessoas do mesmo sexo unirem legalmente. O discurso religioso não é algo ultrapassado que deve ser extinto, é apenas um discurso diferente. Incrível, pois aceitar a diferença deveria ser muito simples para os progressistas, mas a realidade mostra que não é bem assim...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;A equação é simples: que os grupos existam, se manifestem e se defendam, e que os direitos e radicalismos sejam gerenciados pelo Estado. Quem sabe, um dia, falar dessa necessidade seja desnecessário, e o que nos parece tipo ideal de democracia seja vivenciado na prática. Sonhar não custa nada.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29965161-83600746357341207?l=oquenaointeressa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oquenaointeressa.blogspot.com/feeds/83600746357341207/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29965161&amp;postID=83600746357341207&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29965161/posts/default/83600746357341207'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29965161/posts/default/83600746357341207'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oquenaointeressa.blogspot.com/2011/05/sobre-diversidades.html' title='Sobre diversidades'/><author><name>Antonio Rimaci</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00779165038438976605</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29965161.post-5093629678361336373</id><published>2011-01-06T18:25:00.004-03:00</published><updated>2011-01-06T18:43:57.678-03:00</updated><title type='text'>O Twitter, o cinema falado e o futuro</title><content type='html'>&lt;span style="font-size: large;"&gt;Não Tem Tradução&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Noel Rosa&lt;br /&gt;Composição: Noel Rosa &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;O cinema falado é o grande culpado da transformação&lt;br /&gt;Dessa gente que sente que um barracão prende mais que o xadrez&lt;br /&gt;Lá no morro, seu eu fizer uma falseta&lt;br /&gt;A Risoleta desiste logo do francês e do Inglês&lt;br /&gt;A gíria que o nosso morro criou&lt;br /&gt;Bem cedo a cidade aceitou e usou&lt;br /&gt;Mais tarde o malandro deixou de sambar, dando pinote&lt;br /&gt;Na gafieira dançar o Fox-Trote&lt;br /&gt;Essa gente hoje em dia que tem a mania da exibição&lt;br /&gt;Não entende que o samba não tem tradução no idioma francês&lt;br /&gt;Tudo aquilo que o malandro pronuncia&lt;br /&gt;Com voz macia é brasileiro, já passou de português&lt;br /&gt;Amor lá no morro é amor pra chuchu&lt;br /&gt;As rimas do samba não são I love you&lt;br /&gt;E esse negócio de alô, alô boy e alô Johnny&lt;br /&gt;Só pode ser conversa de telefone...&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Esse é um samba do aclamado Noel Rosa, datado de 1933. Para além da genialidade musical do autor e de toda a discussão a respeito da influência negativa da contaminação de nossa cultura pelos padrões ianques, o que me chama atenção nessa canção é a preocupação do nosso querido Noel com o peso da “modernidade”, ou em como poderiam contribuir as novidades tecnológicas para a destruição do samba do morro, nascido e eternizado nos botecos, em pandeiros e violas guiados por boêmios que dividiam o trabalho das mãos entre tocar e levantar os copos de birita. Hoje, passado tanto tempo, é engraçado perceber que o “cinema falado” não acabou com o samba, nem ajudou a o traduzir para o inglês ou o francês. Aliás, se o fez e quando fez, serviu de divulgação para o resto do mundo, fazendo do samba um estilo admirado em todos os continentes. Soa estranho, inclusive, falar em “cinema falado”, pois nos é surreal a idéia de um cinema sem áudio. O telefone, por sinal, deve ter contribuído em muito para a evolução, disseminação e, por conseqüência, perpetuação do samba como elemento cultural fundamental de nossa sociedade. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É preciso ter muito cuidado nessas previsões. A humanidade é marcada por exemplos de premonições bombásticas e apocalípticas que no fim se desmancharam no ar, no passar dos anos.O âmago desse comportamento está na incrível aversão ao novo, fruto da condição humana e do conforto a nós trazido pela ordem social. Mudar incomoda. Incomodou ao Noel, boêmio, artista, liberto... Imaginem o quanto incomoda também aos críticos saudosistas, que cultuam o vinil e a máquina de escrever...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Noel temia que a tecnologia fizesse o samba se perder. E ele tinha razão. As previsões provavelmente eram pertinentes em seu tempo, apesar de o futuro ter revelado-as totalmente inócuas. Isso me fez lembrar nossos dias atuais. A comparação é fácil: todos nós já ouvimos em rodas de amigos ou em discussões na TV como o Orkut têm destruído as relações sociais, ou como o Twitter encerra qualquer chance de se ter um jornalismo de qualidade. Enquanto vivemos a explosão da grande rede e de seus cada vez mais variados tentáculos, uma conclusão de em que medida essa avaliação negativa é pertinente ou previsões de para onde ela nos levará são totalmente inúteis, assim como hoje nos parece cômica a apreensão de Noel com o telefone e o cinema falado. O que a sociedade fará com o Orkut, o Facebook e o Twitter são questões que ainda serão respondidas nos próximos anos, e a opiniões emitidas agora não passam de especulações. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Da mesma forma que o telefone foi um elemento de comunicação que revolucionou o mundo e nos fez romper barreiras, e o áudio no cinema nos proporcionou um entretenimento até hoje muito bem aceito, as ferramentas da grande rede tem um potencial enorme. O Twitter é a forma mais bem sucedida já vista na divulgação rápida de uma informação: a razão de ser do jornalismo. O Orkut nunca me impediu de ter vida social – pelo contrário, já me ajudou a dizer muita coisa que não conseguiria face a face, e até a concluir alguns flertes... Se focarmos no potencial da ferramenta, podemos visualizar que as conseqüências de seu uso são, na verdade, conseqüências de sua manipulação e, mais uma vez, a responsabilidade é de toda a sociedade. Assim como o samba não se perdeu, não se traduziu nem virou apenas conversa de telefone, cabe a nós fazer com que a grande rede sirva de ferramenta para chegarmos a uma sociedade mais justa, mais democrática e mais humanizada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso já vem acontecendo. O exemplo da última eleição é notório: nunca os lados da disputa democrática ficaram tão evidentemente separados e delimitados. Além disso, ao contrário do que vi alguém famoso dizer, as redes sociais não são a causa da geração “racista, preconceituosa e atrasada” que vemos no mundo virtual. Ela é, na verdade, o instrumento que revela a existência desses grupos. Escondidos atrás das telas de LCD, o facista mais radical e o socialista mais inflamado têm o mesmo espaço. A existência desses grupos, ainda que choque, precisa ser de conhecimento geral, e antes da grande rede isso era de fato impossível. Tem como ser mais democrático?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Enfim, meus caros, pode não parecer, mas esse texto é uma mensagem de ano novo (pelo menos era o que o autor pretendia no começo...). Não temam o novo. Não prevejam desgraças. Encarem, vivam e se transformem em algo melhor. Não parem no meio do caminho. Ah, e se puderem, ouçam Noel. Feliz ano novo!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29965161-5093629678361336373?l=oquenaointeressa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oquenaointeressa.blogspot.com/feeds/5093629678361336373/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29965161&amp;postID=5093629678361336373&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29965161/posts/default/5093629678361336373'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29965161/posts/default/5093629678361336373'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oquenaointeressa.blogspot.com/2011/01/o-twitter-o-cinema-falado-e-o-futuro.html' title='O Twitter, o cinema falado e o futuro'/><author><name>Antonio Rimaci</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00779165038438976605</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29965161.post-8816181974556587474</id><published>2010-11-23T19:51:00.004-03:00</published><updated>2010-11-23T21:11:51.667-03:00</updated><title type='text'>Sobre Ícaro e as máscaras de oxigênio</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: inherit; mso-ansi-language: PT-BR; mso-bidi-language: AR-SA; mso-fareast-font-family: 'Times New Roman'; mso-fareast-language: PT-BR;"&gt;Sim, ele caiu. Teve uma idéia brilhante, construiu com maestria as asas planejadas, utilizou o melhor material que dispunha. Mas caiu, e morreu. Ícaro morreu porque tinha que morrer. Porque o lugar dele era aqui embaixo. O nosso lugar é aqui embaixo. Apesar da nobreza da idéia, Ícaro foi inocente ao acreditar que poderia ir além e, de certa forma, punido por ter sido genial. Ao pensar nessa antiga história, enquanto me arrumava na pequena poltrona dentro do &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;Airbus A-321&lt;/i&gt; que fazia um vôo comercial pela TAM, indaguei: “o que estamos fazendo? Vocês esqueceram do Ícaro?”.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: inherit; mso-ansi-language: PT-BR; mso-bidi-language: AR-SA; mso-fareast-font-family: 'Times New Roman'; mso-fareast-language: PT-BR;"&gt;A aviação comercial cresceu assustadoramente. O acesso dos brasileiros aos vôos domésticos talvez tenha sido a maior revolução de que já tivemos notícias em relação a meios de transporte em massa. Os aviões são meios de transporte sabidamente seguros. Contudo, meus caros, eu tenho que admitir que em nenhum momento sinto-me confortável dentro de um “bichinho” daqueles. Isso deveria ser óbvio, mas não é simplesmente pelo fato de que as pessoas, dizia uma amiga, acostumadas a voar periodicamente, de fato esquecem o quanto é desafiador romper os céus dentro de uma caixa de metal. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: inherit;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: inherit;"&gt;Decerto que algumas vezes em minha vida me senti punido por “pensar demais”. Voar é só mais uma dessas situações. A expressão de tranqüilidade nas faces das pessoas sentadas ao meu lado me incomoda. Os papos cotidianos me causam certa revolta. Voar deveria ser um momento senão de respeito, no mínimo de reflexão. Estamos, cada decolagem, rompendo uma barreira natural, e isso deveria gerar conseqüências. Sei que de certa forma a conseqüência se manifesta, ainda que raramente, mas o momento deveria ser de respeito porque a resposta da natureza pode acontecer em qualquer vôo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: inherit;"&gt;Estou eu lá, enfim, acomodado. Ouvindo música. As instruções de segurança deixam clara a gravidade da transcendência de um vôo. E mesmo assim as pessoas não a notam. O que pode ser mais assustador do que estar dentro de um objeto mais pesado que o ar, com uma pressão interna maior que a externa? Como é possível sorrir ao ser informado que sua poltrona é flutuante? Eu não quero saber que é possível flutuar com ela. Eu não quero flutuar! A idéia de flutuar em meio ao oceano frio e vazio, vendo barbatanas de tubarões circulando a tal poltrona sempre me vem nesse momento e a sensação passa longe do confortável. Considerando que a única emergência para qual não há medidas de segurança – queda do avião e morte imediata de todos os ocupantes – é ignorada nessas instruções, é fácil concluir que a conseqüência lógica dos avisos de segurança deveria ser o pânico geral. É incrível que isso não aconteça.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: inherit;"&gt;E por que não acontece? Essa era uma boa questão. Certamente me ajudaria a ocupar a mente durante as duas horas e meia de vôo. Pedi a primeira cerveja (finalmente descobri que prefiro voar TAM, como a maioria das pessoas. Não pelo conforto óbvio de seus aviões, mas sim por ser a única companhia que me oferece a vantagem de ficar bêbado “de grátis”. Para além da vantagem econômica, isso faz a turbulência parecer montanha russa), e me pus a pensar. Trata-se, obviamente, de um exercício mental fantástico. O cenário pintado acima assusta a qualquer ser humano em sã consciência. A qualquer momento máscaras de oxigênio podem cair a sua frente, lhe oferecendo a única alternativa de continuar respirando, e isso é por si só aterrorizante. Se todo mundo pensasse no que pode dar errado num vôo, o contexto seria de tensão, no mínimo. As possibilidades de problemas são tão amplas quanto as direções possíveis de uma turbulência (lembro-me de como achei diferente a sensação de chacoalhar para cima, para baixo, esquerda, direita e diagonais (!), na ocasião do meu primeiro vôo). &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: inherit;"&gt;O fato é que as pessoas simplesmente não pensam nisso. Levadas pelo cotidiano, pelos problemas “em solo”, ou até mesmo por uma boa companhia, transformam o ambiente interno de um avião em algo completamente descolado de seu ambiente exterior e tudo que ele representa: perigo. Como Ícaro, que viu na beleza do sol uma razão convincente para continuar subindo, nós enxergamos no ambiente agradável criado dentro dos aviões um motivo razoável para ficarmos tranqüilos. É um artifício social, rapidamente entendido por todos que voam cotidianamente, e acabei chegando à conclusão de que o ambiente forjado é necessário para vôos seguros. Como todos os acordos tácitos impostos pela sociedade, tem como fim último evitar o caos. Nesse caso, um caos multiplicado por 11 mil pés de altura...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: inherit;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: inherit;"&gt;Entretanto, apesar de sua relevância, trata-se de um acordo coletivo extremamente frágil. Isso se torna claro quando um passageiro resolve não aceita-lo. Qualquer um que demonstre desespero dentro de um avião acaba destemperando outros tantos, se não todo o resto. Quando alguém se toca que está a 11 mil pés de altitude e resolve tentar alertar os outros, a reação geral é de desconforto, típica de quebras unilaterais de um acordo coletivo velado. Se todos ficam mais tranqüilos, esquecer as possibilidades de tragédia se torna mais fácil. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: inherit;"&gt;Uma garotinha começou a chorar, ao meu lado. Não era fome, nem sede, nem frio, então aquele choro começou a me lembrar do enorme risco de morte que eu sofria naquele momento, e o meu maior desejo passou a ser que ela se calasse. “Entupam a sua boca com algodão, mas façam-na parar!”, pensamos eu e todos os outros 200 passageiros... A garotinha representa, ali, a quebra do acordo. Engraçado como o desconforto causado nessas situações nos faz esquecer outros fatos sociais importantes: era uma garotinha, indefesa, chorando. Quando pisei em solo, senti remorso por ter enfiado tantos tufos de algodão em sua boca, em meus pensamentos. Uma pessoa normal deveria ter ficado com pena dela.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: inherit;"&gt;A essa altura, depois da quarta latinha, eu já me sentia muito melhor. Vi o farol da Barra e pensei que não adianta querer alertar aos outros. Eu que preciso entender e participar do acordo. Como fez Ícaro, olhar para cima, e não para baixo. Beber a cerveja, curtir o sobe-desce e parar de olhar fixamente para a turbina. Afinal, se a natureza resolver me punir como fez a Ícaro, ao menos terei a chance de conhecer as famosíssimas máscaras de oxigênio. E minhas asas nem são de cera... Que a natureza espere mais um pouco pela minha nobre alma. Ah, como é bom pisar no chão!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: inherit;"&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: inherit;"&gt;p.s.: Após escrever esse texto, descobri que os &lt;/span&gt;&lt;a href="http://oglobo.globo.com/pais/noblat/posts/2010/11/15/passageiros-fazem-pressao-por-voos-sem-criancas-340883.asp"&gt;&lt;span style="font-family: inherit;"&gt;passageiros americanos&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family: inherit;"&gt; concordam comigo.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29965161-8816181974556587474?l=oquenaointeressa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oquenaointeressa.blogspot.com/feeds/8816181974556587474/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29965161&amp;postID=8816181974556587474&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29965161/posts/default/8816181974556587474'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29965161/posts/default/8816181974556587474'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oquenaointeressa.blogspot.com/2010/11/sobre-icaro-e-as-mascaras-de-oxigenio.html' title='Sobre Ícaro e as máscaras de oxigênio'/><author><name>Antonio Rimaci</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00779165038438976605</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29965161.post-4048098196964017468</id><published>2010-10-13T12:55:00.001-03:00</published><updated>2010-10-13T12:59:57.079-03:00</updated><title type='text'>Ensaio</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Estou em casa sem trabalhar há uma semana e, como me disseram recentemente, cabeça vazia é oficina do diabo. Ontem eu disse a minha psicóloga (é, eu tenho uma) que odiava meu trabalho e que estava com vontade de largar tudo e fugir para Bali. Ela começou a rir e me perguntou: “você foi muito ao cinema esses dias?”. Não, na verdade eu não fui assistir a “Comer rezar e amar”, que era o que ela queria saber, mas passei 72 horas em frente à televisão assistindo à maratona de Grey’s Anatomy, o que me fez considerar seriamente se eu não deveria ter feito medicina, da mesma forma que eu pensava em como seria legal se existissem vampiros quando assistia Buffy aos 15 anos ou como eu e minha irmã queríamos ser agentes do FBI até os 12 anos. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A verdade é que todo o meu imaginário sobre o mundo do trabalho foi construído em cima de séries como Arquivo X, assim como o meu imaginário sobre o amor é uma colagem dos filmes românticos dos anos 90. Eu li na internet um dia desses que uns pesquisadores da Austrália resolveram expor um grupo de casais a uma overdose de comédias românticas e assim descobriu que ver muita balela hollywoodiana aumenta o número de rompimentos e divórcios porque eleva as expectativas amorosas das pessoas. Sendo assim, não é de se espantar que eu tenha uma psicóloga. Eu sempre desconfiei que a culpa dos meus problemas mentais era da televisão. E eu sou uma cinéfila descontrolada. E também uma leitora de romances de mulherzinha convicta. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Eu comecei lendo suspense. Aos doze anos já tinha lido todos os livros da Agatha Christie, o que me fez escrever uns contos péssimos de suspense. Tive a fase dos romances históricos, o que serviu para suprir as lacunas geradas pelo meu sono incontrolável durante as aulas da quinta série até o fim do colégio (na verdade eu durmo até hoje se tiver que ficar ouvindo alguém discursar por mais de 15 minutos antes do meio-dia). Depois fiquei louca por Stephen King e suas histórias fantásticas. Noites e noites sem dormir por causa de Cemitério Maldito e A Coisa, e um frenesi descabido por causa de O Talismã. Não vou ficar aqui descrevendo minha trajetória literária pop, mas em algum momento dos meus vinte e poucos anos eu descobri a Marian Keyes e aí o estrago estava feito. Ela escreve sobre mulheres de vinte e poucos anos que estão tentando descobrir quem são e o que querem da vida e do amor, impossível não me identificar. Daí descobri todo um nicho desses romances e devorei um atrás do outro. E o pior é que eu entro completamente nas histórias. Eu virei essa madrugada lendo um romance de mulherzinha e eu simplesmente senti tudo o que a personagem principal sentia. Dor, medo, dúvida, desejo, paixão incontrolável, ódio da melhor amiga que escondeu dela a volta de seu ex-namorado anos atrás, e tenho bastante certeza de que, ao final do livro, quando ela beija o marido e os dois são felizes para sempre enquanto ela é uma fotógrafa bem-sucedida em New York, eu estava sorrindo e suspirando feito uma idiota. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Eu sei que tudo isso parece uma grande idiotice, mas eu tenho um ótimo argumento para me defender: ler e assistir sobre os conflitos de cada um, suas incertezas, seus limites, ainda que esse “cada um” seja composto por personagens fictícios, é uma forma de buscar uma compreensão maior da condição humana. Eu sei que isso soa completamente ridículo mas é nisso que eu realmente acredito. É claro que eu não assisti a Uma Linda Mulher umas quinze vezes para buscar um entendimento melhor sobre a condição humana. Todo mundo gosta desse filme por motivos básicos e simples: romance, compras e, principalmente, esperança. Mas a reflexão é uma coisa que acaba vindo como efeito colateral, nem que seja para chegar à conclusão de que contos de fadas não existem. A gente se coloca no lugar das pessoas, seja uma história real ou um filme, e tenta entendê-las. A gente se pergunta se todo mundo é assim. Se existem sentimentos universais. Se todo mundo tem dentro de si a mesma medida de bondade e maldade. Se existe mesmo bom e ruim. Se sonhos são possíveis. Sobre até onde somos capazes de ir, seja movidos por ódio, medo ou amor. Não importa se estamos falando de uma aranha gigante alienígena assassina ou de uma tragédia cruel que vimos no jornal. Tudo isso tem o poder de nos fazer refletir e assim contribuir para a construção daquilo que somos e daquilo em que acreditamos. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Minha psicóloga me disse esses dias que o ato de ensaiar uma apresentação não diminui nossa insegurança na hora da apresentação de fato simplesmente porque fizemos mais uma revisão do conteúdo, mas porque cria no cérebro a sensação de déjà-vu, de que nós já fizemos aquilo antes, e assim tudo fica mais fácil. Ela me sugeriu então ensaiar toda vez que eu estivesse receosa ou insegura – ensaiar conversas difíceis com os pais ou o namorado, ensaiar entrevistas de emprego, ensaiar a entrada na igreja, qualquer coisa. Logo depois eu li em uma revista que os sonhos nos ajudam a aprender comportamentos. Para mim a ficção também é assim. Não são só um monte de idéias e valores loucos que entram no seu cérebro sem nenhum filtro. É como um ensaio. Você se vê na pele da Meg Ryan ou do Nicholas Cage apaixonados, ou então pensa em como seria ser o Dr. Shepherd na sala de operações, e quando você chega lá, guiado por tudo que você aprendeu com seus pais, suas amigas de escola, seus professores, a revista Atrevida, e, mais especificamente no meu caso, as aulas de antropologia das emoções e o filme Cidades dos Anjos (que é uma refilmagem), pensa: “Ah, então é assim...”. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29965161-4048098196964017468?l=oquenaointeressa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oquenaointeressa.blogspot.com/feeds/4048098196964017468/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29965161&amp;postID=4048098196964017468&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29965161/posts/default/4048098196964017468'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29965161/posts/default/4048098196964017468'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oquenaointeressa.blogspot.com/2010/10/ensaio.html' title='Ensaio'/><author><name>Fernanda Furtado</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16841006450551753535</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_gdoeL9QSwoc/SnZNW-4veCI/AAAAAAAAAA4/EKERxqaERr0/S220/29062009063.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29965161.post-5704177804346062307</id><published>2010-10-01T15:26:00.001-03:00</published><updated>2010-11-23T21:12:39.034-03:00</updated><title type='text'>Íbis*</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;Ele nunca notara o ônibus tão lento. Os joelhos movimentavam-se freneticamente e sem a sua ordem, como se algo os tivesse dado vida própria, no pequeno espaço disponível entre as poltronas sujas do antigo coletivo executivo. As sinaleiras dos carros nas ruas piscavam diferentes tons de laranja, numa tentativa inconseqüente de sinalizar uma mudança de faixa completamente inútil em meio àquele congestionamento sem fim. Ele tentava encaixar as piscadelas dos veículos entre os segundos passados; com o tempo, conseguiu encontrar uma que piscava exatamente uma vez por segundo. A cada sessenta piscadelas, ele estava mais um minuto atrasado. &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;E aquela camiseta amarela? Ele nunca usava amarelo, sentia que o deixava sem vida. Além disso, estava muito apertada, como se sua intenção fosse mostrar músculos que, no seu caso, não deveriam ser motivo de orgulho. A senhora do trabalho disse que ele estava bonito. Isso era bom, apesar dela gostar de praticamente tudo que ele vestia (ou, pelo menos, de sempre falar que tinha gostado). Em meio ao exame da blusa, notou que tinha exagerado no perfume. Estar cheiroso é bom, mas causar asfixia normalmente não é bem visto. Perfume demais se não ajuda, atrapalha. Abriu a janela pra “gastar” o aroma. Ah, mas que bela sinfonia de buzinas podia-se ouvir lá fora...&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;Voltou-se para dentro do ônibus e viu pessoas amarrotadas e descabeladas, dormindo tranquilamente durante o congestionamento. Para elas, tratava-se apenas de mais uma volta de um dia de trabalho. O que fazia ele ali, banho tomado, camiseta apertada, completamente embriagado de perfume, ansioso como um adolescente? Mãos trêmulas, ensaiava as falas. Sabia que ao fim não falaria nada daquilo. Quando pensava nas coisas que haviam acontecido na ultima semana e o levaram a estar ali, sentia um quê de ridículo e absurdo naquilo. Teve inclusive vontade de descer e voltar para casa. Desistiu da idéia quando concluiu que fugir àquela altura deixaria tudo ainda mais absurdo (e ridículo).&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;Em seguida, chegou à conclusão inquestionável de que os sinais vermelhos estavam colocados estrategicamente do modo mais eficaz possível para o objetivo de lhe atrapalhar. Ele era o único indivíduo no ônibus que tinha pressa. Ele e os seus joelhos, agora com vida própria e movimentos cada vez mais frenéticos. Seria possível levantar? “É só chegar, pegar o que é meu e ir embora. ‘Eu sou o homem, pele solta sobre o músculo’**!”, pensava e ouvia, no mp4 Player que tornou todo aquele suplício suportável. &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;Desceu do ônibus cambaleando. Perdeu-se entre as ruas. Começou a correr e logo constatou que, de fato, todo o perfume havia evaporado. Encontrou o prédio. Era bonito, alto, imponente. Os pensamentos eram confusos. Ele não entrou de primeira. Coçou a cabeça. Quis desistir pela última vez. Temeu pelos seus rins. Comprou uma água de côco. A camisa amarela apertando. Os joelhos rebelando-se. A voz completamente trêmula. O suor escorrendo pela testa. Resolveu fazer logo esse “parto”.&lt;br /&gt;Adentrou. Ela era azul. O mundo era azul. Logo tudo se tornou azul. Não disse nada do planejado. Gaguejou. Ela sorriu. Todo o resto perdeu importância. Desde aquele momento, começou a amar. A ela, o azul, e o acaso. Tudo que veio em seguida é inevitável conseqüência.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size: xx-small;"&gt;*&lt;span style="mso-ansi-language: PT;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span lang="PT" style="mso-ansi-language: PT;"&gt;Os íbis são aves pernaltas com pescoço longo e bico comprido e encurvado para baixo. São na maioria dos casos animais gregários, que vivem e se alimentam em grupo. De acordo com a tradição popular em alguns países, o íbis é a última ave a desaparecer antes de um &lt;span style="color: windowtext; text-decoration: none; text-underline: none;"&gt;furacão&lt;/span&gt; e a primeira a surgir depois da tempestade passada.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size: xx-small;"&gt;** &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;a href="http://letras.terra.com.br/caetano-veloso/792895/"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size: xx-small;"&gt;Quem disse foi Caetano&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size: xx-small;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29965161-5704177804346062307?l=oquenaointeressa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oquenaointeressa.blogspot.com/feeds/5704177804346062307/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29965161&amp;postID=5704177804346062307&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29965161/posts/default/5704177804346062307'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29965161/posts/default/5704177804346062307'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oquenaointeressa.blogspot.com/2010/10/ibis.html' title='Íbis*'/><author><name>Antonio Rimaci</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00779165038438976605</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29965161.post-1820777117290528540</id><published>2010-09-09T19:20:00.000-03:00</published><updated>2010-09-09T19:25:20.539-03:00</updated><title type='text'>Meu Mundo</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;O plano era só postar um texto qualquer. O pior texto que fosse. Antônio me escreveu pedindo o divórcio e exigindo que salvássemos o blog em um esforço conjunto. Eu poderia só publicar qualquer coisa antiga, mas me sinto no dever de me justificar. Se eu disser que tenho trabalhado demais, ninguém vai acreditar. Trabalho nunca me impediu de escrever. Eu posso passar o dia editando contratos enquanto organizo frases na minha cabeça. Não, não foi meu chefe quem quase assassinou o blog. Antônio me disse que não tem escrito nada porque eu não tenho cobrado, mas eu sinceramente desconfio que o problema dele seja o mesmo que o meu: amor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesse último post (abaixo) Antônio fala de amor. Mas o que vocês não sabem é que aquele é um texto velho. Porque, em geral, nós dois só falamos de amor quando estamos sentindo falta dele. Quando você tem amor de verdade em suas mãos, você não se preocupa com o que o resto do mundo pensa. Dizer o que você sente não faz a menor diferença se não for para a pessoa que você ama. O resto é o resto. Não importa se a Dilma vai ser eleita, se o seu chefe é um babaca, se o gato roeu o carregador do laptop e por isso você está escrevendo à mão às duas da manhã para não acordar o resto da casa. Tudo o que importa é que, quando você deita a cabeça no peito de quem você ama, o coração dele bate tranqüilo. Esse é o sinal de que o mundo continua girando, e girando em torno desse coração. Se ele está inquieto, você fica inquieto. Se ele está eufórico, você fica eufórico. E o oposto é verdade. Vocês se tornam espelho um para o outro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Obviamente que já deu para entender o motivo de eu não ter escrito nada nos últimos três meses. Eu simplesmente tenho andado ocupada demais flutuando por aí, admirando os passarinhos. Escrever se tornou supérfluo. Escrever começou a parecer a coisa mais egoísta do mundo desde que essa vontade de dividir todos os momentos com a pessoa amada tomou conta de mim. Você senta sozinho com os seus pensamentos e não cabe mais ninguém ali, no máximo a imagem do outro, mas ainda assim, só uma imagem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então, porque eu sei que a vida não é só amor e passarinhos e que é preciso alimentar o corpo e a alma de outras formas, e porque Antônio me deu um ultimato, aqui estou eu falando sobre a minha vontade de passear na praia de mãos dadas. É claro que parte dessa teoria vai por água abaixo se o motivo de Antônio for só excesso de trabalho. Mas e daí? Meu mundo continua girando, não importam os motivos do meu marido bloguístico. Meu mundo, neste momento, dorme e respira tranquilamente.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29965161-1820777117290528540?l=oquenaointeressa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oquenaointeressa.blogspot.com/feeds/1820777117290528540/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29965161&amp;postID=1820777117290528540&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29965161/posts/default/1820777117290528540'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29965161/posts/default/1820777117290528540'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oquenaointeressa.blogspot.com/2010/09/meu-mundo.html' title='Meu Mundo'/><author><name>Fernanda Furtado</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16841006450551753535</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_gdoeL9QSwoc/SnZNW-4veCI/AAAAAAAAAA4/EKERxqaERr0/S220/29062009063.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29965161.post-5390497739284368311</id><published>2010-09-03T00:56:00.004-03:00</published><updated>2010-09-03T01:04:11.956-03:00</updated><title type='text'>Eu, um monstro</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Outro dia eu estava sem ter muito que fazer aqui no trabalho e resolvi dar uma circulada por esses blogs de humor. Eles não acrescentam muito a sua bagagem cultural, mas quase sempre arrancam risos necessários. Deparei-me com um &lt;a href="http://www.interney.net/blogs/qmat/2010/07/19/capitulo_1/"&gt;texto&lt;/a&gt; simples, bonito e que mudou a minha vida.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Como pude ignorar esse fato por tanto tempo? Lembro como se fosse hoje. Eu devia ter uns doze ou treze anos. Ela não era a primeira, longe disso, provavelmente a terceira ou quarta menina que eu havia decidido amar por toda a vida, do alto de minha pré-adolescência. Era a coisa mais linda que eu já tinha visto: um sorriso largo e tranqüilo, cabelos claros na altura do pescoço, um corpo pequeno, mas já de mulher. Carregava o cheiro da tintura para cabelo que a deixava ruiva, misturando-se ao perfume. É um cheiro que eu jamais vou esquecer. De todo o conjunto de memórias que tenho sobre ela, o cheiro é a mais contundente. Um cheiro forte de uma tintura de péssima qualidade, mas que me traz as mais doces lembranças do início de um amor inesquecível. Lembro, com riqueza de detalhes, de um beijo longo, demorado, próximo ao meu prédio, voltando da escola. Chovia. Tentamos correr para procurar abrigo, mas desistimos. Paramos, nos olhamos com expressões que dispensavam palavras e, por longos três minutos, nos beijamos sem pressa, como se todo o resto do mundo não existisse. Eu sentia o amor pulsando nas artérias e tinha a certeza absoluta que não precisaria de mais nada para ser feliz.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Doce Ilusão.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A parte bonita da história termina aqui. Se você clicou no link e leu o texto que motivou este atual, entenderá que minha experiência apenas corrobora o que nosso amigo descreveu lá.&amp;nbsp; Essa doce criatura dedicou os dias que se seguiram a essa bela cena romântica ao objetivo sórdido de triturar meu coração e jogar os pedacinhos encharcados de sangue para os cães vira-latas das ruas de Salvador. Me dispensou como quem troca de roupa, mantendo o mesmo sorriso radiante e dando os mesmos beijos sem pressa em outros caras. Vários caras. Quase todos os caras do colégio. E muitas vezes, em minha frente. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não é muito legal recordar essas coisas, muito menos dividi-las com pessoas que não tem muito a fazer e estão lendo esse blog. Mas é necessário. As pessoas, essencialmente as mulheres, precisam entender que esse tipo de atitude cria monstros. Eu nunca mais, repito, nunca mais fui um bobo apaixonado que beija sem pressa debaixo da chuva achando que aquele corpo vai ficar grudado ao meu para sempre. Passei a me preocupar com a chuva, a preservar meu coração e, mais importante, perdi parcialmente o respeito pelo sentimento alheio.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A culpa não é minha. É como se o encanto tivesse sido desfeito. Não se pode mais seguir numa relação sem entender que aquilo é um meio de se tirar alguma vantagem, como tiraram de mim outrora. Nos relacionamentos seguintes, poucas vezes fui totalmente sincero. Quase nunca confiei plenamente e, quando não estava preso ao compromisso formal acordado entre as partes, quase sempre fui um canalha mentiroso. Isso porque o trauma inicial me forçou a reagir, e essa reação não pode se dar de outra forma que não seja a que leva a canalhice, a cachorrada incontrolável e a infidelidade patológica. Eu passei por tudo isso. Hoje, coleciono histórias nas quais fui o canalha. Outras tantas onde fui injustiçado pela fama de canalha. E ainda algumas outras em que na verdade eu fui o sacaneado, mas dessas quase ninguém sabe. Entendam, mulheres: todo homem foi, é, ou será um canalha. Isso não é lá uma grande novidade para vocês, mas o fato de que a culpa disso é, em praticamente todos os casos, de uma mulher que destruiu o coração do rapaz, ah, disso vocês não se dão conta. O pior é que essa fase é inevitável e o tempo que se leva para sair dela varia muito. Alguns levam a vida inteira. Eu me orgulho de ter sido um canalha muito discreto e gentil, e por essa fase ter durado um tempo relativamente curto. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A coisa funciona como um lacre violado. Não há formas seguras de se reparar. É impossível acreditar novamente no amor eterno, soberano e indestrutível. Nunca mais se ama da forma pura que se configura antes da primeira grande decepção.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Há que se buscar então outras formas de amar. Eu tive experiências maravilhosas, todas bastante sinceras e, por isso, inesquecíveis. Com o tempo o amor se torna algo muito mais racional, e amar alguém pra vida toda passa a ser uma questão de escolha. O amor precisa ganhar contornos racionais para que o trauma do primeiro amor e a crise do cafajeste sejam superados. O homem precisa se convencer de que tem de ser diferente para ser feliz. E ser diferente de um cafajeste significa conseguir amar, da forma mais próxima possível da primeira, que é inalcançável. Há que ter algo de mágico do outro lado. Vocês precisam ser mágicas, para que a racionalidade do homem o convença a amar. A cair no encanto. Mas não é preciso se preocupar muito com isso, por que simplesmente acontece, no tempo certo. E a grande maioria de vocês, mulheres, é encantadora apenas sendo você mesma. Usem essa magia.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O crucial é que as fêmeas, criadoras desses monstros que habitam a terra e são capazes de mentir, enganar e ludibriar a qualquer ser do sexo feminino, tenham cuidado com os julgamentos. Parem e pensem: quantos monstros desses vocês já criaram? Avalie sua responsabilidade, tenham fé, paciência, acreditem no amor que se escolhe, e lutem por ele. Salvem essa alma. Valerá a pena. No final, apesar de toda dor que ele causa, é de mais do tal do amor que esse mundo precisa. Amemos.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29965161-5390497739284368311?l=oquenaointeressa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oquenaointeressa.blogspot.com/feeds/5390497739284368311/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29965161&amp;postID=5390497739284368311&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29965161/posts/default/5390497739284368311'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29965161/posts/default/5390497739284368311'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oquenaointeressa.blogspot.com/2010/09/eu-um-monstro.html' title='Eu, um monstro'/><author><name>Antonio Rimaci</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00779165038438976605</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29965161.post-4351070611591335071</id><published>2010-05-26T15:38:00.001-03:00</published><updated>2010-05-29T00:59:18.613-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='falando sério'/><title type='text'>Lampejos vermelhos numa vida cinza</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sabe, algo que sempre me incomodou é o fato de não ser um gênio. Já tive a oportunidade de dividir &lt;a href="http://oquenaointeressa.blogspot.com/2009/03/duas-coisas.html#links"&gt;essa angústia&lt;/a&gt; com vocês neste blog. Contudo, pensava eu, ainda sou bastante jovem e, provavelmente, o despertar da genialidade é algo que vem com a maturidade, no amadurecimento do talento. Ledo engano. Se você, como eu, está prestes a completar um quarto de século ou o tem completado recentemente, cuidado. Esse texto pode levar a depressão.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Chico Buarque de Holanda venceu o festival de Música Popular Brasileira em 1966, com a música “A Banda”, que ele escrevera em 1965, então com 21 anos. Também aos 21 anos, Picasso já havia se instalado em Paris e começava a ganhar fama, apresentando ao mundo uma nova forma de fazer arte. Aos 20 anos, em 1924, Pablo Neruda publicava seu primeiro livro, &lt;i&gt;Vinte poemas de amor e uma canção desesperada&lt;/i&gt;. Em 1927, então com 23 anos, Neruda é nomeado cônsul (gracias, Wikipédia!). Em 1958, com 17 anos completados, Pelé ganhava a Copa do Mundo e encantava os expectadores europeus com lampejos da genialidade futebolística jamais superada nos campos de todo o mundo, até os dias de hoje.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Há inúmeros outros exemplos. E eles só me fazem pensar que, se eu tivesse mesmo de ser um gênio, já estaria sendo. Conformo-me: tenho 25 anos e não sou um gênio. Terei de ganhar a vida com muito suor e pouco reconhecimento. Quase nenhum status. Nada de glamour. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Até ai, nenhuma novidade. A imensa maioria de habitantes do planeta Terra são pessoas comuns. João’s Quaisquer. São vidas cinzas. Casa, trabalho, trânsito, uma ou outra cerveja no fim de semana, ver o time perder ou ganhar no domingo... Uma emoção bônus num caso extraconjugal é o clímax de uma vida cinza. Uma ou outra infelicidade, um sofrimento fortuito, afinal, porque ser feliz o tempo todo deve ser um saco. Eis o resumo de nossas vidas cinzas e eu estou preparado para o começo do fim. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Todavia, é preciso revelar, sinto um bichinho me corroendo por dentro ao conceber uma vida cinza e feliz. Não sei explicar por que. Mas acredito que isso tenha a ver com o fato de eu ter vivido dias muito mais coloridos, no passado recente. Vivi alguns anos em meio a discussões teóricas, bons shows gratuitos regados a excelente vinho barato, movimentação política interessante, e amplo acesso a cultura, de um modo geral. É estranho perceber que, durante esse tempo, ao qual eu não dei o devido valor por pensar que ele se prolongaria e se tornaria mais prazeroso quando eu dispusesse de recursos financeiros para tornar esses momentos mais sofisticados, a vida parecia apresentar milhões (eu disse milhões) de possibilidades, cores, tons e caminhos a seguir, todos eles interessantes, cheios de arte, cultura e prazer, regados a muito vinho, boa música e, obviamente, luxúria.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Chegou o momento em que precisei me afastar dessas coisas para chegar a outras. Optei pela vida cinza e feliz. Quase não bebo mais vinho. Não lembro a ultima vez em que discuti alguma teoria ou obra literária. E, o pior, as possibilidades que a vida me apresenta são reduzidas. Boas, seguras, mas sem a arte, o prazer e a boemia que outrora saltitavam em minha frente. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não quero só lamentar, como um velho. Afinal, só tenho 25 anos. Tudo pode mudar, e ainda tenho muitas opções. Mas o bichinho incomoda. Sinto vontade de aumentar os lampejos coloridos dessa minha atual vida cinza. Isso é possível: quando passo pelo Rio Vermelho, assisto a um bom filme, vou ao teatro, enfim, quando deixo que, por alguns poucos instantes, a vida excêntrica de artistas e gênios seja reproduzida em meu viver, geralmente muito pouco artístico e sem nenhuma genialidade.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É de mais cores e tons que todos nós precisamos. A vida cinza é tranqüila e feliz, mas é preciso um pouco da agonia, da falta de compromissos, dos exageros, e dos absurdos completos de uma vida excêntrica. Vamos todos nos permitir mais! Vamos alimentar os sentidos. Vamos ser mais “artistas”. Rabisquem as vidas cinzas de vocês com lápis de cera coloridos! E, claro, me convidem. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29965161-4351070611591335071?l=oquenaointeressa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oquenaointeressa.blogspot.com/feeds/4351070611591335071/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29965161&amp;postID=4351070611591335071&amp;isPopup=true' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29965161/posts/default/4351070611591335071'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29965161/posts/default/4351070611591335071'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oquenaointeressa.blogspot.com/2010/05/lampejos-vermelhos-numa-vida-cinza.html' title='Lampejos vermelhos numa vida cinza'/><author><name>Antonio Rimaci</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00779165038438976605</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29965161.post-5372292654013811049</id><published>2010-04-04T20:01:00.000-03:00</published><updated>2010-04-04T20:02:47.461-03:00</updated><title type='text'>Do amor e dos frangos</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Começou mais uma vez. Veio do nada, como sempre. Eu estava bem. Tive um bom dia. Afinal, o que é um bom dia? Fez sol, dormi bem. Minha pele, inesperadamente, estava ótima. Meu almoço desceu meio quadrado, mas, fora isso, tudo foi ótimo. Daí bastou alguma coisa não sair bem como eu queria e me tornei uma megera insuportável. Então me senti péssima porque sou uma megera insuportável, sendo que talvez nem tenha sido tão horrível assim. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Recentemente terminei um trabalho que vinha protelando e arrastando pelos últimos dois anos, e fiquei surpresa ao perceber o peso do fardo que eu vinha carregando. É a primeira vez em dois anos que posso dormir mais um pouco, tomar um chopp ou inventar uma viagem de última hora sem pensar que deveria estar fazendo outra coisa, em outro lugar. Isso me encheu de otimismo, afinal, se eu posso vencer minha auto-sabotagem, posso vencer qualquer coisa. Ou quase qualquer coisa. Mas algo ainda está fora do lugar.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;De vez em quando entro em curto-circuito e começo a pensar coisas horríveis sobre mim mesma, como hoje. Sobre como não sou boa o bastante para nada nem ninguém. Então fico com vergonha por pensar essas coisas, porque essa falta de auto-estima só pode ser também um defeito. Por isso fico escondendo o que penso a meu respeito para que ninguém saiba que na verdade me acho uma mosquinha. Ou então conto logo que sou um desastre para me poupar de ver a decepção nos olhos dos outros mais tarde.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Eu me sinto péssima por me sentir péssima assim. E eu tive um dia que tinha tudo para ser ótimo: recebi a mensagem mais romântica do mundo, ganhei um bolo de chocolate, aprendi a fazer ovos pochê, dormi até cansar, passei longe de saltos altos e consegui tirar de letra todos os pepinos e abacaxis do trabalho. E ganhei uma mini-bola histórica Adidas na promoção da Copa do Mundo do cartão de crédito! Cara, quando foi a última vez em que ganhei alguma coisa em promoções ou sorteios? Nunca! Quer dizer, eu ganhei um frango assado no bingo da igreja quando tinha quatro anos. Será que isso conta?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Sabe o que eu queria? Que os afetos fossem como os hinos de times de futebol – incondicionais. Só assim poderia ficar tranqüila com o fato de que, apesar de ser mesmo uma criaturazinha insolente e ranzinza, eu sempre teria para onde correr no fim do dia. Alguém que, quando me ouvisse reclamar que não consegui uma promoção, levasse meio segundo para me dizer: ainda. Será que existe alguém assim? Que sempre me dissesse “ainda”, não importa o quão intragável eu me tornasse? &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Acho que sou como uma criança abandonada. Preciso que alguém me diga que sou boa o bastante do jeito que eu sou. Era isso que queria ganhar na promoção do cartão de crédito. Seria bom. Em vez de trocar os pontos por milhas a gente trocaria por amor incondicional. Mas não existe isso de amor incondicional. Amor não se compra e nem se ganha em sorteios. E também não funciona como o hino do Grêmio. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O fato é que temos de ser capazes de cuidar dos nossos próprios demônios. Ninguém deveria ter a responsabilidade de fazer o outro feliz – é um fardo pesado demais para qualquer um. Em um mundo ideal, ninguém precisaria de confirmações nem de reforço positivo para viver bem. Todos se achariam bons o bastante – para qualquer um e para qualquer coisa. Ninguém entregaria sua cabeça (ou sua felicidade) em uma bandeja de prata para um outro alguém. Seria um mundo perfeito, não? Não haveria medo. E não sentiríamos falta de alguém que nos protegesse de nós mesmos.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29965161-5372292654013811049?l=oquenaointeressa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oquenaointeressa.blogspot.com/feeds/5372292654013811049/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29965161&amp;postID=5372292654013811049&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29965161/posts/default/5372292654013811049'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29965161/posts/default/5372292654013811049'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oquenaointeressa.blogspot.com/2010/04/do-amor-e-dos-frangos.html' title='Do amor e dos frangos'/><author><name>Fernanda Furtado</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16841006450551753535</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_gdoeL9QSwoc/SnZNW-4veCI/AAAAAAAAAA4/EKERxqaERr0/S220/29062009063.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29965161.post-5441103269089577381</id><published>2010-04-01T19:04:00.000-03:00</published><updated>2010-04-01T19:04:38.293-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Conversa de Boteco'/><title type='text'>Dom Quixote, o trânsito e a vontade de mudar o mundo</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Começo o texto com um parêntesis, considerando que isso seja aceitável. Este blog, em tempos remotos, trouxe ao leitor um contato relativamente íntimo com grandes pensadores das ciências humanas, apresentando discussões extremamente complexas e estimulantes e conectando-as ao seio de nosso dia-a-dia, explicando (ou não) fenômenos de nosso cotidiano. O parêntesis é justamente para explicar que, à minha revelia (e falando por mim, e não por minha esposa virtual), a relação entre o tempo em que tenho que viver, de fato, entre problemas burocráticos e métodos mais ou menos eficazes de ganhar dinheiro, e o que posso perder lendo e esquecendo que o mundo existe, mudou radicalmente. Ultimamente tenho tido tempo de ler e-mail do chefe e sinopse de filme. Acho que isso tem sido o suficiente para evitar o surgimento de retardos mentais. Pelo menos isso. Bom, o fato é que o blog segue adiante com histórias do nosso cotidiano que nós, donos deste pequenino espaço, do alto de nosso autoritarismo, julgamos interessantes. Vejam só essa.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu sempre tive um orgulho imenso do modo como dirijo. Mas o motivo de tal orgulho, não se enganem, supera a constatação de que tenho as habilidades de um bom condutor. O que me deliciava, deixava entusiasmado, e fazia-me sentir uma pessoa que contribui para um mundo melhor, é o papel de motorista-educador que eu sempre fiz questão de exercer no trânsito.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O cara queria formar fila dupla no engarrafamento, e lá estava eu fechando a porta; outro investia na contramão, mas não imaginava encontrar a mim, guardião da moral rodoviária, buzinando e dando sinais de luz; outro me dava sinais de luz para ultrapassar sendo que estava no limite da velocidade da via, e eu, representante da sagrada lei que rege o trânsito desse país, resistia - num ato de bravura - mantendo-me a 80 por hora. Muitas vezes os transgressores, verdadeiros subversores da ordem e bons costumes do trânsito, me venciam, mas eu morria brigando: nenhum passava sem uma buzina, uma olhada feia, uma fechada de porta.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O mundo se tornava levemente melhor quando eu encampava ações corretivas contra esses desviados, desvirtuadores da ordem pública. Eu era um herói. Sentia um sorriso nos rostos dos pedestres; as pessoas deviam falar de mim, tipo, “olha, aquele cara que não dá mole pros espertinhos no trânsito passou aqui hoje novamente”. Provavelmente, existiam admiradores. Quem sabe um fã clube. Nada mais justo. Heróis estão cada dia mais raros.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Meus dias de glória tiveram fim numa simples carona. O cara era esse tipo de motorista pé duro, bravo, grosso, estúpido, um transgressor típico. Eu, na condição de caroneiro, nada podia fazer. Não poderia entrar em ação sob pena de perder a carona. Mas eu vi a luz no fim do túnel. Uma ponta de esperança para um coração aflito pela vitória eminente do mal: outro herói, ao ver o dito cujo entrar na contramão, buzinou, sinalizou e olhou feio. Que maravilha! Esse mundo está cheio de outros educadores, pensei. Pessoas abnegadas, focadas no objetivo maior de transformar nosso trânsito e, por conseqüência, nossa sociedade em algo melhor! Em meio a esses pensamentos, o tal motorista abriu a janela, olhou nos olhos do meu colega herói e disse “vá se foder, viadinho de merda! A rua é sua é?”. Enquanto eu me preparava para repreender a ação infame, fui surpreendido pelas gargalhadas uníssonas dos outros caroneiros.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Era o fim. Não se poderia mudar o mundo assim. Senti-me um Dom Quixote, numa guerra que só existia em minha mente confusa, e da qual eu não teria a menor chance de sair vitorioso e vivo ao mesmo tempo. O máximo que consegui, durante todo esse tempo de abnegação educativa no trânsito, foi ter sido chamado inúmeras vezes de viadinho de merda. O que não muda nada, tanto na minha orientação sexual, quanto no trânsito e na sociedade. A sorte é nunca ter apanhado. Ou batido o carro. Ou os dois. Onde eu estava com a cabeça? Perguntaria minha mãe...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É muito ruim constatar, mas eu não posso contribuir para uma elevação qualitativa no comportamento da sociedade através do trânsito. E eu achei mesmo que poderia. Agora, piso fundo, aumento o som e torço pra chegar logo em casa. Que se fodam os transgressores e os viadinhos de merda. Não sou mais herói, mas tenho chegado a minha casa todos os dias. O que importa é chegar em casa! E tenho dito.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29965161-5441103269089577381?l=oquenaointeressa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oquenaointeressa.blogspot.com/feeds/5441103269089577381/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29965161&amp;postID=5441103269089577381&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29965161/posts/default/5441103269089577381'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29965161/posts/default/5441103269089577381'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oquenaointeressa.blogspot.com/2010/04/dom-quixote-o-transito-e-vontade-de.html' title='Dom Quixote, o trânsito e a vontade de mudar o mundo'/><author><name>Antonio Rimaci</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00779165038438976605</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29965161.post-7634594575623671386</id><published>2010-03-10T21:25:00.000-03:00</published><updated>2010-03-10T21:27:07.808-03:00</updated><title type='text'>Dr. Jekyll and Mr. Hyde</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Eu fiz uma viagem corrida hoje para renovar meu visto e assim poder concretizar a tão esperada revisita aos States. Às 7:50 da manhã, horário em que normalmente eu nem estou acordada, eu já estava desembarcando em Recife. Meu companheiro de viagem foi um livro água com açúcar, comprado às pressas, chamado “Lembra de mim?”. A trama envolve uma mulher de 28 anos que sofre um acidente de carro e perde a memória. Em sua última lembrança ela tinha 25 anos, dentes e cabelos horríveis, um emprego medíocre e um namorado canalha e desprezível. Mas, para sua surpresa, ao acordar, ela percebe que tem a vida que sempre sonhou: tornou-se uma executiva de sucesso, com dentes perfeitos, lábios de silicone e um marido rico e bonito. É claro que ela acaba percebendo que pagou um preço caro por tudo isso e que nada é tão perfeito assim. Daí vocês podem tirar as conclusões que quiserem sobre meus hábitos de leitura que, somados aos meus estranhos hábitos alimentares (macarrão cru, sopa de miojo e leite com cigarro) e musicais (mania de assistir ao TVZ do Multishow e de ouvir música de corno), me tornam uma pessoa um tanto quanto... bem, pensem o que quiserem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No táxi, a caminho do consulado, conversando com o taxista tagarela – um fenômeno recorrente em Recife – me dei conta de que já faz quatro anos desde a última vez em que estive lá. Deus, quatro anos é uma vida! Então me peguei pensando: e se eu sofresse um acidente e os últimos quatro anos se apagassem da minha memória? Será que eu ficaria tão chocada quanto a personagem do meu romance clichê? Eu sempre me pego pensando que nada tem acontecido na minha vida e que eu sou absolutamente a mesma pessoa que sempre fui, mas isso não está nem perto da verdade. É que as coisas vão acontecendo tão gradualmente que nós nem percebemos o quanto mudamos. De repente, um dia você acorda e pronto – é outra pessoa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há quatro anos atrás eu estava na faculdade, vivia com o pouco dinheiro que eu ganhava estagiando em uma espécie de ONG, usava sandálias de couro, vestidões floridos, morria de vergonha de falar com meus colegas de trabalho e todos os bares que eu freqüentava eram botequins. Hoje eu uso pérolas (de mentira, é claro), blush, trabalho em um banco, posso beber onde eu quiser (ou quase isso) e me tornei uma controladora a quem todos obedecem no trabalho. Se eu não tivesse assistido à novela toda, não entenderia como foi que isso pode acontecer. Mas eu assisti. E o problema todo está aí. Eu me sinto como se essa fosse a vida de outra pessoa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tem coisas sobre mim que eu simplesmente não consigo entender. Eu me vejo no trabalho e penso: quem é essa pessoa? Eu tento entender minhas escolhas amorosas e me pergunto: onde estava meu cérebro esse tempo todo? Nem eu consigo acreditar no quanto eu consegui ser ingênua e me deixei levar. Quem era aquela pessoa que viveu no meu lugar nos últimos quatro anos? E, principalmente, onde eu estava com a cabeça para usar sandálias de couro?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu me lembro que uma vez minha prima me disse isso, que ela sentia que não era ela a pessoa que tinha vivido determinadas coisas da vida dela. E lembro também de ter pensado: coitadinha, ela está em processo de negação. Só pode ser isso. Eu devo estar em processo de negação. Todas as coisas das quais não me orgulho, essas foram arte da Outra. Eu não estava lá. Eu estava só assistindo. Eu continuo a mesma de sempre. Nada de novo me aconteceu desde que eu tinha 21 anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu tenho um amigo que brinca com isso, sobre o fato de termos todos duas personalidades. Uma para praia, outra para o campo. Uma que levanta cedo e vai trabalhar, outra que gosta de farrear até tarde. Você culpa uma ou outra de acordo com a conveniência. A gente acaba fazendo muita piada sobre isso, mas a verdade é que cada um de nós é uma pessoa só. A gente tem coisas boas e coisas ruins, dependendo do ponto de vista. Não somos definidos unicamente por uma coisa ou outra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É por isso que às vezes as pessoas tem opiniões tão diferentes sobre nós, porque elas pegam a única característica visível para elas e definem toda a idéia que fazem sobre a gente em cima daquilo. Aquela única característica passa a definir toda a sua identidade. Quem teve a boa sorte de ver seu lado bom, guarda aquela imagem de você. Mas para quem só viu sua paranóia, você será eternamente não confiável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É claro que, se os nossos dois (ou muitos) lados estão sempre presentes, o que definirá a forma como alguém te vê não é necessariamente o que você mostrou àquela pessoa, mas, muito provavelmente, o que aquela pessoa escolheu ver em você. E isso, às vezes, simplesmente não depende de você. Eu já encontrei muitas pessoas que não conseguiram me perdoar pelos meus erros. Com certeza elas tiveram seus motivos. Recentemente eu encontrei uma pessoa que me disse: “ah, você tem tantas coisas legais... Porque é que eu vou me importar com isso (leia-se: essa enorme burrada que você fez)? Todo mundo faz besteira de vez em quando”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu sei que devemos assumir a responsabilidade pelas coisas que fazemos. Mamãe e papai acertaram pelo menos nisso. Mas é tão reconfortante saber que existem pessoas no mundo que podem aceitar seu lado médico e seu lado monstro, e ainda assim acreditarem que o lado negro da força não prevalecerá no final. Dá vontade de ser melhor. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29965161-7634594575623671386?l=oquenaointeressa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oquenaointeressa.blogspot.com/feeds/7634594575623671386/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29965161&amp;postID=7634594575623671386&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29965161/posts/default/7634594575623671386'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29965161/posts/default/7634594575623671386'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oquenaointeressa.blogspot.com/2010/03/dr-jekyll-and-mr-hyde.html' title='Dr. Jekyll and Mr. Hyde'/><author><name>Fernanda Furtado</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16841006450551753535</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_gdoeL9QSwoc/SnZNW-4veCI/AAAAAAAAAA4/EKERxqaERr0/S220/29062009063.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29965161.post-5440908169953842291</id><published>2010-02-26T20:28:00.001-03:00</published><updated>2010-02-26T20:29:15.013-03:00</updated><title type='text'>Adeus ao Baço</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;Vim pra te ver. Pra te festejar. E dizer adeus.&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;Eu já não sinto dor. Nem prazer. E me faz mais falta a dor... Pouco importa agora. Deixei tuas coisas na área de serviço. Continuas belo, canalha e gentil. Tua feição docemente safada lhe renderá frutos por muito tempo. E eu ainda odeio isso. Só isso. O resto, tua carne em outra carne, teus belos argumentos em outros ouvidos, os carinhos fugazes... É agora arquivo morto. Parte de mim foi extraída. E eu sobrevivo sem ela. Teu novo nome é baço. Ou amígdala. Mas eu prefiro baço.&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;Não esqueçamos, meu caro, não me deixes esquecer, rogo-te, dos festejos. Disse que vim te festejar. E é verdade. Parabéns, afinal. Conseguistes, com muito esforço, o que tanto planejamos. Pisaste em alguns para tal, obviamente, senão que tipo de canalha tu serias? Mas, diziam os sábios enquanto estavam vivos, o que seria dos meios sem os fins? Eles, os fins. Eles sim importam. Parabéns, afinal!&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;Não te preocupes comigo. Já na próxima esquina me ajeito. No próximo mês, já sofro. A calmaria angustiante nunca durou muito tempo. A paz dos que não amam é a verdadeira morte. Não quero morrer agora. E amando outro, te incomodo. Ficarei feliz em saber que o rosto doce ganhará rugas ao saber de minha carne em outra carne. És homem, além de baço. Sente-se parte de meu corpo, mesmo já tendo sido extraído dele. Espero, sinceramente, que sofras por isso.&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;Bons momentos? Eles são sempre os de agora. Não há tato nas lembranças. E eu, meu caro, sou adepta do tato. Quero tatear o mundo. E sua vez já passou. És agora um órgão arredondado, morno, sem graça. Não te tateio mais, querido baço, nem que peças. &lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;És feliz, querido baço, és feliz. Isso é o que importa. Mas não circula por ti mais sangue. Ficarás podre. Aproveita. Logo um verme comerá tua carne. E será o fim. O fim. &lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29965161-5440908169953842291?l=oquenaointeressa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oquenaointeressa.blogspot.com/feeds/5440908169953842291/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29965161&amp;postID=5440908169953842291&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29965161/posts/default/5440908169953842291'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29965161/posts/default/5440908169953842291'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oquenaointeressa.blogspot.com/2010/02/adeus-ao-baco.html' title='Adeus ao Baço'/><author><name>Antonio Rimaci</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00779165038438976605</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29965161.post-9021475351881856084</id><published>2010-02-02T00:28:00.000-03:00</published><updated>2010-02-02T00:29:44.413-03:00</updated><title type='text'>Sob o Sol</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;“Aquilo que o "eu" tem de único se esconde exatamente naquilo que o ser humano tem de inimaginável. Só podemos imaginar aquilo que é identico em todos os seres humanos, aquilo que lhes é comum . O "eu" individual é aquilo que se distingue do geral, portanto aquilo que não se deixa adivinhar nem calcular antecipadamente, aquilo que precisa ser desvelado, descoberto e conquistado do outro”.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;São com essas palavras que Milan Kundera trata dos pensamentos de uma de suas personagens em “A insustentável leveza do ser”, um dos livros mais óbvios e clichês na literatura de qualquer pessoa que se diga cult(a), e uma das coisas mais fantásticas que eu já li. De fato, há mais semelhanças do que diferenças entre as pessoas. Essa consciência pode nos levar a caminho diferentes. O da personagem de Kundera é a obsessão de conquistar o inimaginável no outro – um colecionador de pessoas, mais precisamente, de mulheres.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Durante muito tempo, para quem não sabe ou não se lembra, essa citação definia meu perfil no orkut. No entanto, longe de ser uma colecionadora de pessoas, eu queria mesmo era me tornar o objeto da coleção de alguém. Ansiava por ser decifrada, descoberta. E acho que esse é o anseio de todos nós. Ser notado por aquilo que nos difere do resto do mundo – desde que esse algo seja considerado aceitável, é claro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma ex-sogra (sim, com tantos ex, era de se esperar que eu acabasse falando de alguma ex-sogra deixada pelo caminho) me disse uma vez que todo mundo tem um lado mundano. Com isso ela queria dizer que todo mundo tem um lado seduzível por lingerie vermelha e outras coisas impróprias para este blog. Engraçado porque ela me contou isso como se fosse uma grande revelação, e talvez tenha sido mesmo dentro do contexto, mas ela de fato tinha razão. Todo mundo tem um lado mundano. É o que sai do mundano que revela quem nós somos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para mim, nada diz mais sobre alguém do que a maneira que esse alguém lida com seus sentimentos. Eu não sei o por quê, mas algemas, calcinhas comestíveis e instrumentos de tortura sadomasoquista, seguindo a definição de mundano da minha ex-sogra, não me surpreendem. É como a definição de família. Se você mantiver a mente aberta, perceberá que os arranjos mudam, mas que no fundo dá tudo no mesmo. Com a vida sexual das pessoas é a mesma coisa. Mas se tem algo que ainda me surpreende são os sentimentos das pessoas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acho que são esses detalhes sobre as pessoas que eu acabo colecionando: os afetos que elas prezam. Pode ser uma corrente com a medalha de São Cristóvão, encontrada dentro de um piano, que virou um sinal do destino, pode ser uma montagem de fotos de um amor de verão no power point, pode ser o sonho reprimido de arrastar o marido para o altar depois de anos vivendo sob o mesmo teto – são como um código que nos ajuda a decifrar o que está por trás daquela cueca xadrez ou daquele rosto comum. Ou daquele rosto montado. São essas coisas que revelam a natureza de quem está ao nosso redor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma das coisas que mais me diverte quando o assunto é decifrar pessoas, é a seleção musical de cada um de nós. Roubar uma playlist de uma pessoa pode te dizer muito mais sobre ela do que encomendar um mapa astral. Eu mesma tenho um lado podre que não deveria jamais ser revelado. Mas eu já revelei tudo por aqui mesmo, então não faz diferença. Meu gosto musical é a maior prova de que eu sou quem eu sou. Ultimamente estou obcecada por qualquer coisa da Taylor Swift, uma versão teenager das divas americanas da música country. Ela fica gritando “Romeo save me”, “Can’t you see you belong with me”, e a melhor de todas, prova da minha natureza amargo-melancôlica: “‘Cause when you’re fifteen and somebody tells you they love you, you’re gonna believe them”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas não se preocupem. Meu lado mundano vibrou junto com metade do mundo e cansou de cantar “I gotta a feeling that tonight is gonna be a good night”. Enfim, nothing new under the sun.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29965161-9021475351881856084?l=oquenaointeressa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oquenaointeressa.blogspot.com/feeds/9021475351881856084/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29965161&amp;postID=9021475351881856084&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29965161/posts/default/9021475351881856084'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29965161/posts/default/9021475351881856084'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oquenaointeressa.blogspot.com/2010/02/sob-o-sol.html' title='Sob o Sol'/><author><name>Fernanda Furtado</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16841006450551753535</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_gdoeL9QSwoc/SnZNW-4veCI/AAAAAAAAAA4/EKERxqaERr0/S220/29062009063.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29965161.post-1316840818969856446</id><published>2010-01-29T15:02:00.003-03:00</published><updated>2010-01-29T15:03:30.145-03:00</updated><title type='text'>Domingo a domingo</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ele acorda as 06h05min da manhã. Cinco minutos atrasado, calculando-se o tempo que precisa para tomar banho, engolir alguma coisa e pegar um ônibus até o trabalho. Acontece que esses cinco minutos a mais de sono são necessários para que ele durma ao menos quatro horas por dia, como recomendou o médico, alertando que era imprescindível caso ele queira passar dos 35 anos, levando-se em conta que ele chega normalmente as 23h00min e fica preso as atividades domésticas, acadêmicas e amorosas até mais ou menos duas da manhã. Mais precisamente, 2h04min da manhã. Não há outro espaço de tempo disponível para esses aspectos que, havia sentenciado o mesmo médico, são importantes para uma vida saudável. O minuto que sobra para que se completem quatro horas de sono é a faixa de erro. Na verdade, ele dorme 4h +/- 01 min. Então ele sai, após engolir algo (com o que ele gasta cerca de 30 segundos até se certificar de que seja comestível) e tomar um banho razoavelmente eficiente. Sai exatamente às 6h43min. As pessoas que moram com ele (aquilo que se chamava família, quando as pessoas tinham tempo de se falar e trocar vivências sobre o dia) ainda dormem quando ele sai. Normalmente, usa um SMS para dar bom dia a sua mãe, e o escreve com admirável destreza considerando os sacolejos que o ônibus oferece.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Chega ao trabalho as 08h00min, quando o engarrafamento não foge do padrão. Inicia-se então o hiato que se configura durante as oito horas de trabalho. Ele já pensara, algumas vezes, em como é completamente alienante passar oito horas fazendo algo que não demanda nenhum pensamento. É possível passar oito horas sem pensar &lt;st1:personname productid="em nada. Sentado" w:st="on"&gt;em nada. Sentado&lt;/st1:personname&gt;, produzindo urina e apertando botões. Isso incomoda ele por cerca de 18 minutos por dia. Normalmente próximo ao horário de almoço. Depois ele sente fome e esquece-se de pensar em como é ruim não pensar em nada.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sai do trabalho as 17h00min. O seu médico recomendou que fizesse alguma atividade física. Ele preferiria correr, ou nadar, mas para uma ou outra precisaria de mais de 60 minutos. E ele só dispunha de 60 minutos. Então ele deixou essa recomendação pra lá. Sua vó falara certa vez que quem segue tudo que o médico manda acaba mais cedo num caixão. Ele acreditava nisso, afinal, sua vó tinha larga experiência no quesito sobrevivência.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Chega a faculdade as 17h30min. Tem 30 minutos de folga. Desses, usa 13 minutos para comer algo (aqui não perde os trinta segundos que precisaria para verificar se aquilo é comestível, já que vai a uma lanchonete). Os outros 17 utiliza para conversar com os colegas e rir. Felicidade também é recomendação médica. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;As próximas quatro horas são de aulas. Quase nunca ele as dá a devida atenção. Quase sempre está cansado. Sai da faculdade as 22h05min. Chega em casa as 23h00min. E o ciclo se repete. Ele não lembra muito bem da feição dos amigos, mas sabe exatamente qual a foto atual deles no MSN. Ou no Orkut. O momento de lazer que se dá das 23 as 2 da manhã é eminentemente virtual. Como o bom dia a sua mãe. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sua mulher reclama da falta de atenção. De que ele não lê seus emails nem comenta seus textos. Ela vai trair. Se não já traiu. Ele sabe. Pensou em mandar um SMS pedindo desculpas, mas já fizeram isso outras vezes. Pensou em mandar um email. Em seguida, pensou que escrever sobre isso teria um impacto maior. Tirou exatamente 10 minutos dos 18 que utiliza diariamente para se incomodar por não pensar em nada durante oito horas por dia, e escreveu esse texto. Ele espera que funcione.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29965161-1316840818969856446?l=oquenaointeressa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oquenaointeressa.blogspot.com/feeds/1316840818969856446/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29965161&amp;postID=1316840818969856446&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29965161/posts/default/1316840818969856446'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29965161/posts/default/1316840818969856446'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oquenaointeressa.blogspot.com/2010/01/domingo-domingo.html' title='Domingo a domingo'/><author><name>Antonio Rimaci</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00779165038438976605</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29965161.post-1203516687120296295</id><published>2010-01-17T20:08:00.000-03:00</published><updated>2010-01-17T20:10:21.659-03:00</updated><title type='text'>'Cause you're not bitter and I'm no good</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Tenho ouvido constantemente pedidos de atualização do blog, merecidamente por sinal. Afinal, ainda não publicamos nada em 2010. Mas a verdade é que estou sem nenhuma inspiração para escrever e Antônio anda muito ocupado na sua profissão de analista de xixi e inventor da argila em pó instantânea. Sim, Antônio trabalha em um laboratório à la Dexter e é o típico cientista maluco que patenteou a argila em pó instantânea que revolucionará o mundo da indústria e a forma de fazer xixi das pessoas. É algo sério e ele acaba ficando sem tempo para escrever.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já eu não tenho essa desculpa. Não tenho nenhuma patente em meu nome e o mais perto que eu já cheguei de ser uma cientista maluca foi quando eu usei meus óculos de grau por cima dos óculos escuros no trabalho. Eu trabalho em um banco, aliás, e não passo meus dias analisando o xixi de ninguém. Desse trabalho entediante e repetitivo não tem saído nada que fosse pelo menos engraçado e, para completar, eu perdi minha musa inspiradora. Ou melhor, meu muso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desde que o sapo encantado virou homem e eu desci do meu pedestal de princesa, parece que nada aconteceu na minha vida. Eu tenho andado por aí meio às cegas, buscando algo ou alguém que preencha esse espaço vazio que ficou, mas não encontro nada. Então, escrever sobre o que? Nem eu tenho mais paciência para ouvir minhas lamentações sobre o amor e a falta que ele faz. Ainda por cima fui acusada de ser amarga e melancólica e a carapuça serviu como se fosse alta costura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu tenho mesmo guardado o lado ruim de todas as coisas que passaram por mim. Ou melhor, não só tenho guardado como tenho cultivado com todo cuidado. Fico remoendo eternamente cada palavra dita, cada palavra não dita, cada ausência de afeto. Foi o sapo, é claro, quem me disse que eu estava amarga. E desde que fiquei amarga, não consegui escrever nem mais uma frase. Todas as coisas parecem iguais e sem sentido. Tornei-me meu pior pesadelo: uma pessoa sem fé. Sem fé principalmente na coisa que sempre fez meu mundo girar – o amor. Acho que é por isso que não consigo escrever mais. Meu tema principal se perdeu. O que dizer sobre algo em que você não acredita mais? E por que tanta amargura? Afinal, eu não perdi nada que mais alguém já não tenha perdido. A vida é assim, a gente sai na chuva para se molhar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu me lembro do exato momento em que decidi entregar meu coração ao sapo. Eu sabia que o risco era grande e que provavelmente ele não me seria devolvido por inteiro, mas resolvi fazê-lo mesmo assim. E eu me lembro o por quê. Porque em um ano, o maior arrependimento que eu poderia ter seria o de não ter vivido aquela paixão. Eu me lembro de ter pensado isso, de ter levantado da minha cadeira e andado até ele, encostado na porta da varanda, me olhando com uma expressão triste, já meio conformado em saber que eu não cederia. Mas ao invés de me esconder em meu mundo particular, eu disse a ele o que eu estava pensando, e aquilo mudou tudo. E a partir daí eu fui dele e ele foi meu, e foi assim por tempo o bastante para que eu escrevesse durante um ano sobre ele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todos os textos que eu escrevi de lá para cá tiveram um toque dele. Foi algo que ele disse, algo que ele fez, algo que ele me mostrou, que trouxe a inspiração que eu precisava para escrever sobre o ponto de encontro entre a vida e o meu mundo. Quando ele se foi, eu continuei escrevendo sobre ele e sobre esse amor perdido que foi se tornando aos poucos cheio de ressentimento e amargura. Deixou de ser aquele amor delicado, nascido de palavras cheias de desejo em uma noite silenciosa, para tornar-se um monstro verde de ciúmes e pretensões de posse. Mas aquilo que a gente segura com as mãos fechadas escapa por entre os dedos, e eu também escrevi sobre cada parte daquilo que eu perdia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora minhas mãos estão vazias e eu não tenho sobre o que escrever. Então escrevo sobre o monstro verde e torço para que assim eu o esteja exorcizando, e para que no lugar dele volte a existir o espaço do desejo, o mesmo desejo que me fez entregar meu coração de menininha.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29965161-1203516687120296295?l=oquenaointeressa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oquenaointeressa.blogspot.com/feeds/1203516687120296295/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29965161&amp;postID=1203516687120296295&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29965161/posts/default/1203516687120296295'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29965161/posts/default/1203516687120296295'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oquenaointeressa.blogspot.com/2010/01/cause-youre-not-bitter-and-im-no-good.html' title='&apos;Cause you&apos;re not bitter and I&apos;m no good'/><author><name>Fernanda Furtado</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16841006450551753535</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_gdoeL9QSwoc/SnZNW-4veCI/AAAAAAAAAA4/EKERxqaERr0/S220/29062009063.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29965161.post-2623513353494543238</id><published>2009-12-25T19:33:00.002-03:00</published><updated>2009-12-25T19:35:45.552-03:00</updated><title type='text'>Coisas*</title><content type='html'>&lt;span class="Apple-style-span"   style="  color: rgb(204, 204, 204); line-height: 20px; font-family:'Trebuchet MS', Trebuchet, Verdana, sans-serif;font-size:small;"&gt;&lt;div align="justify" style="margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0.75em; margin-left: 0px; line-height: 1.6em; "&gt;De cabeça, sem abrir a porta do armário para olhar, eu posso dizer todas as coisas que eu tenho. São nove vestidos, eu contei. Uma enorme coleção de camisetas, 30, da época em que eu as usava. Ainda adoro pijamas. 99% de chance de que, se eu estiver em casa, a qualquer hora do dia, estarei usando pijamas. Mas já não compro nenhum há alguns meses. Tenho uma caixa de cartas das quais eu nunca me desfiz e que incluem bilhetinhos trocados em sala de aula há 08 anos atrás. Guardo a agulha com a qual furei meu piercing no umbigo ainda no colégio (guardo?).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Descobri que não posso ter muitas coisas, pois acabo sempre usando as mesmas. O vestido azul de borboletas e o brinco de palhinha são dois bons exemplos, mas até que tenho feito um bom trabalho em aposentá-los. Este semestre resolvi me livrar das caixinhas de lente de contato, uma para cada visita a oftalmologista. Ao longo de oito anos juntei mais do que eu jamais iria usar. Até que tentei manter uma de cada cor, mas no final das contas acabei ficando mesmo com as velhas companheiras, aquelas branquinhas que vieram com os vidros de Renu. Os cigarros, dei para esconder de mim mesma, mesmo agora que todo mundo já sabe que eu fumo (sim, eu fumo, admito). Algumas coisas me arrependi de não ter guardado, como uma das provas de Formação da Sociedade Brasileira, ou o anel que foi alvo de disputa entre eu e meu primeiro grande amor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A gente acaba sempre guardando o mesmo tipo de coisa, como as pessoas, e a gente as guarda mesmo muito tempo depois de não precisar mais delas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gosto de coisas para guardar coisas. Descobri que as canecas das cidades que visitei acabam servindo para isso. Uma delas, que já tinha sido remendada por um amigo, joguei no chão esses dias. Ela quebrou em muitos lugares, mas onde a cola Super Bond pegou, ela ficou. Guardei os cacos para me lembrar de alguma coisa que ainda não sei bem o que é.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje em dia é fácil receber notícias por um grupo de emails e ao mesmo tempo não ter para quem ligar quando acontece algo de bom ou algo de ruim. São sempre aquelas mesmas duas caixinhas brancas que vieram com o Renu. Passa um monte de gente, mas no final ficam sempre aqueles mesmos velhos pijamas rasgados na gaveta. Aqueles que a gente tem que quase arrancar do corpo de vez em quando para jogar na máquina de lavar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conheci muita gente nesses últimos tempos, mas quase todo mundo foi para a sacola de coisas para o porteiro. As amigas de infância viraram amigas de outras pessoas. Algumas pessoas fizeram de tudo, mas mesmo assim a gente deixou elas partirem. Com alguns amigos não se canta mais música sertaneja. Vieram namorados, empregos, mestrados, planos... E eu acabo sempre ligando para as mesmas pessoas. A gente acaba tendo muitas roupas de festa e poucos pijamas. Às vezes isso me deixa triste, às vezes me faz bem. Eu gosto de pijamas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando chega o fim do ano, dá vontade de jogar tudo fora e começar de novo, quando o ano foi ruim, ou de erguer um altar para cada ingresso de cinema e papel de bala, quando o ano foi bom. Faz parte. Desejo pijamas de festa a todos que passarem por aqui.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;* Publicado originalmente em www.vivendocotidianamente.blogspot.com, em dezembro de 2008.&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29965161-2623513353494543238?l=oquenaointeressa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oquenaointeressa.blogspot.com/feeds/2623513353494543238/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29965161&amp;postID=2623513353494543238&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29965161/posts/default/2623513353494543238'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29965161/posts/default/2623513353494543238'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oquenaointeressa.blogspot.com/2009/12/coisas.html' title='Coisas*'/><author><name>Fernanda Furtado</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16841006450551753535</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_gdoeL9QSwoc/SnZNW-4veCI/AAAAAAAAAA4/EKERxqaERr0/S220/29062009063.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29965161.post-2002928032949747452</id><published>2009-12-18T12:35:00.003-03:00</published><updated>2009-12-18T12:36:59.096-03:00</updated><title type='text'>Mais um capítulo da mesma história</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ele adormeceu ao som de Cazuza e acordou ouvindo a previsão do tempo. O vento que invadia a sala através da pequena abertura da porta da varanda derrubara e quebrara, numa trágica coincidência, o porta-retrato que continha a foto da mais bela lembrança entre as que ele pretendia esquecer. De um salto, levantou do sofá onde estava pregado desde a madrugada. Sentou-se a mesa, papel e caneta a mão, e escreveu o que tinha em mente:&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;"Querida,&lt;br /&gt;É muito complicado se relacionar. Isso se torna ainda mais difícil quando as histórias anteriores (de ambos) ainda não estão completamente resolvidas, as feridas não estão fechadas, os traumas não foram esquecidos... Junte-se isso a distância, e pronto, está armada a sinuca de bico em que nos metemos. Eu acho que você comete muitos equívocos... Avalia a situação de maneira maniqueísta e bipolar, tenta encaixar as pessoas nos seus paradigmas e modelos de certo e belo, sem procurar perceber que motivos levariam uma pessoa a mentir, ou a omitir, mesmo gostando muito e só querendo o bem da pessoa "enganada". Mas, depois de tantos dias pensando em tudo isso, eu encaro com normalidade e, inclusive, digo que qualquer pessoa envolvida numa situação parecida poderia ter o comportamento parecido, ou pior. Você só está sendo humana. (in)Perfeitamente humana.&lt;br /&gt;Voltando a falar de relacionamentos: Eu me sentia cobrado, sim. Me sentia avaliado, sentia que você estava o tempo inteiro tentando mensurar a nossa "compatibilidade". "Ai, ele não faz isso, que eu adoro...”“Pensa desse modo sobre isso, o que eu rejeito..." Se você refletir bem sobre nossas conversas, vai perceber que elas estão recheadas de falas desse tipo, de sua parte. Obviamente, levando em consideração a complexidade de nossa língua e a falta de concretude da conversa virtual, poderia mesmo não ser cobrança, nem avaliação. Mas o foco, o que deveria nortear suas reflexões, é que estava ME parecendo cobrança. Ai você pode concluir que eu pensava assim porque pulo de cama em cama, adoro uma massagem no ego e queria que você continuasse pensando que sou um amor de pessoa, um homem "de verdade" e que não sou igual aos dai, apenas para satisfazer minha vaidade, alimentar a crença de que posso me fazer interessante para as mulheres que considero interessantes. Essa é uma linha&amp;nbsp; de raciocínio sofisticada, reconheço, e seria altamente plausível se, um pouco antes, você tivesse considerado a possibilidade de eu apenas estar me sentido cobrado, mesmo, num momento em que qualquer tipo de cobrança me remete a um relacionamento anterior, que eu quero esquecer. Aliás, cobrança, em qualquer esfera da vida, é algo que gera conflitos. Não importa se as intenções são boas, quando há cobranças há conflitos, e disso não poderíamos nos livrar.&lt;br /&gt;Sabe, eu realmente não estive nem estou fechado para novas histórias. Mas eu estou falando de histórias, de breves (ou longos)&amp;nbsp;casos de paixão intensa, de romance clássico, de onde surgem loucuras... E sei perfeitamente que não é todo tipo de gente que entende esse comportamento. Eu estava sendo o mais sincero que consigo ser ao lhe dizer que não me considero "galinha", e nunca duvide de que eu realmente queria você por perto. O grande problema do mundo é a dificuldade das pessoas em entender os diversos estágios intermediários entre o absolutamente certo e o completamente errado. Acredite, essa dificuldade, que é humana, explica quase todos os conflitos da humanidade. E é nela que você cai ao pensar que ou eu era um&amp;nbsp; rio largo em meio ao deserto, ao ser um cara muito bacana, sincero, monogâmico, ou seria um bicho safado que só se relaciona do ventre pra baixo. Há uma série de possibilidades entre os dois extremos, e eu não faço a menor questão de me enquadrar, de dizer para as pessoas onde exatamente eu estou. Vivemos numa época de GPS, radares, câmeras, todo tipo de controle e rastreamento,&amp;nbsp;e&amp;nbsp;essa lógica parece estar chegando as nossas vidas: deixe claro o que você é, qual é o seu "estilo", aonde você quer chegar, até onde você quer deixar alguém ir... Isso tudo é muito limitador, e talvez eu pense assim porque sou muito jovem. Mas o fato é que quando você me pede para dizer, quando questiona, procura se situar recebe e receberá sempre de mim respostas evasivas e pouco objetivas porque é essa área de minha existência que eu reservo para a pouca objetividade, para o incerto, para o não-racional. Eu realmente achei que seria o bastante para você tirar suas conclusões e fazer suas escolhas. Mas eu já sei que em certos momentos de nossa vida precisamos de mais certeza. Eu entendo, apesar de não concordar, por enquanto. &lt;br /&gt;As suas recomendações quanto a minha conduta eu vou considerar, refletir sobre elas e, se for possível, tentar mudar pra melhor. Não me considero&amp;nbsp; totalmente coerente e sou bastante humano para assumir que não sou sincero durante 24 horas por dia, mas eu me esforço pra fazer o melhor. E eu vou adorar continuar contando com sua ajuda.&lt;br /&gt;Desculpa a forma desconexa da resposta, eu estava me sentindo leve e em paz o bastante para te responder, então resolvi aproveitar o momento. Você sabe, normalmente eu prefiro ser mais seco, por vezes cruel, mas dessa vez não caberia. Eu só quero que fique tudo bem e que&amp;nbsp;consigamos rir juntos outra vez... Talvez até dessa história toda, um dia... Quem sabe?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um grande beijo de quem te admira, gosta muito, e&amp;nbsp; quer sempre por perto...”&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;-&lt;/i&gt; E TENHO DITO!&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Pensou alto. Gritou. Dobrou a folha de forma apressada. Enfiou-a num envelope. Estava eufórico. Escrevera muito mais para si próprio do que para ela. Talvez por isso, estivesse se sentindo muito melhor. &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ele nunca entregou a carta. Eles nunca riram juntos. Naquela manhã ele tomou um banho, se vestiu, e foi para o trabalho, renovado. E assim, o ponto final de uma história marca o início da próxima. Sobrou a carta, documento histórico, enfiada num envelope sujo que o vento levou para debaixo do sofá.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29965161-2002928032949747452?l=oquenaointeressa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oquenaointeressa.blogspot.com/feeds/2002928032949747452/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29965161&amp;postID=2002928032949747452&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29965161/posts/default/2002928032949747452'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29965161/posts/default/2002928032949747452'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oquenaointeressa.blogspot.com/2009/12/mais-um-capitulo-da-mesma-historia.html' title='Mais um capítulo da mesma história'/><author><name>Antonio Rimaci</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00779165038438976605</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29965161.post-7413358768299814553</id><published>2009-12-12T08:02:00.002-03:00</published><updated>2009-12-12T08:07:26.718-03:00</updated><title type='text'>Sobre o tempo</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Eu fico procurando algum acontecimento importante para discutir, algo que não tenha nada a ver comigo, mas acabo sempre voltando para o meu mundo particular. Não que eu não tenha me empolgado com a final do campeonato brasileiro ou não saiba que tem gente morrendo em enchentes, mas, sinceramente, entre as últimas coisas que causaram grande impacto na minha vida estão os relógios de uma relojoaria da esquina aqui de casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os antigos têm aquele pêndulo que nos lembra o tempo todo que o tempo está passando. Em um deles, o ponteiro dá uma tremidinha cada vez que muda de lugar. Ele é um relógio confortável – dá a falsa impressão de que o tempo para, ainda que por alguns milésimos de segundo. Tempo para você conseguir respirar e colocar a cabeça no lugar. Mas não, a vida não para só porque você precisa de alguns minutos, ou alguns meses, para se recompor ou pensar melhor. O último relógio é a maior prova disso. O ponteiro dos segundos se move continuamente, sem nenhum movimento hesitante e em uma velocidade que faz você rever a sua concepção do que é um minuto realmente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu fiquei observando esses relógios enquanto esperava que o meu próprio relógio fosse consertado – é um relógio barulhento e eu sempre ouço seu tique taque quando levanto o pulso até a altura da orelha para prender uma mecha de cabelo que insiste em cair no meu rosto. Mas é um tique taque que eu adoro. Tem algo de assustador mas também algo de excitante em saber que qualquer coisa pode acontecer, que ninguém sabe do futuro e que o tempo, ainda bem, não para.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29965161-7413358768299814553?l=oquenaointeressa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oquenaointeressa.blogspot.com/feeds/7413358768299814553/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29965161&amp;postID=7413358768299814553&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29965161/posts/default/7413358768299814553'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29965161/posts/default/7413358768299814553'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oquenaointeressa.blogspot.com/2009/12/sobre-o-tempo.html' title='Sobre o tempo'/><author><name>Fernanda Furtado</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16841006450551753535</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_gdoeL9QSwoc/SnZNW-4veCI/AAAAAAAAAA4/EKERxqaERr0/S220/29062009063.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29965161.post-4244359395302926230</id><published>2009-11-28T17:11:00.001-03:00</published><updated>2009-11-28T17:17:33.482-03:00</updated><title type='text'>You say goodbye and I say hello</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Quando eu saí de minha cidade natal e vim morar em Salvador, três dos meus amigos mais próximos foram até a rodoviária comigo e resolveram fazer uma brincadeira para se despedirem. Na falta de lenços brancos, usaram os guardanapos da lanchonete ao lado e ficaram acenando para mim enquanto o ônibus dava a partida e saía. Desde então eu vivo com a impressão de que minha vida é uma série de intermináveis despedidas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tem gente que vê isso como algo bom. Uma amiga minha que já está bem calejada no assunto “mudanças” escreveu em seu perfil do orkut que “every new beginning comes from some other beginnings end”, ou, todo novo começo vem do fim de algum outro começo. Acho que, de certa forma, o fim está contido em todas as coisas. É como aquela história de que viver é morrer um pouco todos os dias. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Esse não é um assunto novo. Meu apego às coisas que me são preciosas já foi tema de uma carta de amor que acabou se tornando um post (&lt;a href="http://oquenaointeressa.blogspot.com/2009/06/fotografia.html"&gt;Fotografia&lt;/a&gt;). Esse foi também um amor que acabou, embora eu tenha me apegado a ele como a uma tábua de salvação. O fato é que, quando não aceitamos que as coisas e as pessoas devem seguir seu caminho, somos os únicos a sofrer, pois as coisas simplesmente seguem seu caminho de qualquer jeito, independente da nossa vontade. No fim das contas, deixar alguém partir é um ato egoísta, pois nós o fazemos simplesmente porque não agüentamos mais a dor de lutar contra algo que simplesmente é.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acho que meus amigos poderiam ter se recusado a assistir minha partida, ou me acenarem com as mãos vazias e caras de enterro. Ao invés disso, a lembrança que eu tenho é de três pessoas que eu amo rindo e gritando os melhores votos, acenando com guardanapos de lanchonete para mim. Acho que é por nós mesmos também que transformamos os mortos em santos. Todo mundo que morre passa a ser visto com bons olhos, e isso porque é muito melhor para nós, que continuamos vivos, deixarmos os mortos partirem sem mágoas da nossa parte. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;É melhor também olharmos para o amor que acabou ou para o emprego que deixamos como algo que pelo menos fez sentido, senão as coisas perdem o propósito, e nós seres humanos vivemos atrás de sentido e propósito. É por isso, por exemplo, que ouvimos coisas como “eu me apaixonei no momento em que o conheci” ou “eu sabia que era ela desde o início”. Mentira. Talvez tenhamos ficado impressionados ou interessados logo de cara, mas com certeza não sabíamos de nada, esse saber premonitório. Pelo menos na maior parte das vezes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na verdade, quando as coisas chegam ao fim é que conseguimos atribuir sentido a elas. É só então que podemos realmente avaliar o impacto que elas tiveram em nossas vidas e buscar uma razão para as conseqüências. Precisamos disso. É por isso que Antônio, em seu &lt;a href="http://oquenaointeressa.blogspot.com/2009/10/o-fim-e-o-principio.html"&gt;post&lt;/a&gt;, diz que é muito mais fácil compreender a vida quando ouvimos quem já está no fim dela. Acho que, no final, sempre vamos encontrar uma interpretação que nos leve à conclusão de que tudo vale a pena, não importa quão miserável ou hedionda seja a nossa situação. Assim faz muito sentido aquele ditado clichê que diz que se está ruim é porque ainda não acabou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São poucos os amargurados que não conseguiram aprender a usar esse filtro, e eu não sei quanto ao resto do mundo, mas eu não quero ser uma dessas pessoas que termina a vida com uma pedra no lugar do coração ou que só consegue se fixar nos fins, e não nos começos e meios. Eu quero começar de novo, mil vezes. Quantas vezes o tempo me permitir e meu coração de menina grande for capaz de aceitar o fim das coisas que abrem caminho para novos começos. Está na hora de aceitar que, quando o feitiço se quebra e a magia vai embora, quando passa da meia-noite, a abóbora é só uma abóbora. O sapo encantado volta a ser o homem que ele sempre foi, ou talvez um novo homem, mas não um príncipe. Eu desço do pedestal e deixo de ser princesa. Sou só uma garota, mas essa é a minha mágica – nada é para sempre. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29965161-4244359395302926230?l=oquenaointeressa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oquenaointeressa.blogspot.com/feeds/4244359395302926230/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29965161&amp;postID=4244359395302926230&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29965161/posts/default/4244359395302926230'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29965161/posts/default/4244359395302926230'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oquenaointeressa.blogspot.com/2009/11/you-say-goodbye-and-i-say-hello.html' title='You say goodbye and I say hello'/><author><name>Fernanda Furtado</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16841006450551753535</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_gdoeL9QSwoc/SnZNW-4veCI/AAAAAAAAAA4/EKERxqaERr0/S220/29062009063.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29965161.post-8571407094352145173</id><published>2009-11-22T11:05:00.001-03:00</published><updated>2009-11-22T11:05:55.537-03:00</updated><title type='text'>“Tu falou com Zé que o João contou...”</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Começa quando o cara se mostra muito educado numa conversa com a moça. Ele sorri, gentil e atencioso, e parece disposto a resolver algum problema dela, ao que ela responde demonstrando merecida gratidão. Tudo muito normal. No outro dia pela manhã, ele é indagado pela primeira vez: “você ta dando em cima daquela moça?” ou “cara de pau sua se jogar assim, você nem conhece ela direito!”, e pronto, está instalada e inaugurada mais uma fofoca.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A fofoca faz parte da história da humanidade desde... Sempre. A primeira ocorrência documentada remonta a época do paraíso, quando a serpente disse a Eva que Deus não queria que eles comessem a maçã porque ficariam mais espertos. De lá pra cá, toda grande história envolve pelo menos uma grande fofoca. Napoleão, Michel Jackson, Jesus e Getúlio Vargas são apenas alguns exemplos de grandes nomes da história mundial que sofreram com uma ou mais fofocas.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Se nem Deus nem o seu filho ficaram imunes, tenho de concluir que a fofoca é um mal necessário. Resta-nos descobrir a quem. Já tive oportunidades de demonstrar aqui a minha teoria sobre a necessidade humana de apreciar a desgraça alheia. Mas a fofoca vai além. Ela é a consolidação de uma ação coletiva para perpetuação da desgraça moral alheia. O que explica isso? Que necessidade social justifica esse tipo de atitude?&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Meus amigos sociólogos me condenariam, mas eles não lêem blogs. Entendo que criar fatos moralmente degradantes sobre outras pessoas ajuda a reforçar o peso das regras morais de uma a sociedade. Ao inventar (ou aumentar) que fulaninho fez e aconteceu, sempre o fazemos atrelando sua atitude a uma conduta moral inaceitável: roubo, traição, viadagem, etc. Não existe fofoca do bem. Ninguém inventa que fui cercado por três loiras catarinenses e as rejeitei porque amava minha namorada. A idéia é de que há, no contexto da fofoca, algo de reafirmação do que considero inaceitável e da sintonia entre o que penso e o que vale para a sociedade que me rodeia. Se eu invento que Joãozinho usa calcinha rosa e ninguém acha absurdo, talvez seja o momento de rever meus conceitos. Provavelmente uma calcinha rosa não seja mais do que a última moda entre os galãs de novela. O mundo é flexível. A fofoca nos ajuda a acompanhar as mudanças na maré.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Você deve estar se perguntando se eu sou maluco ou ignorei propositalmente que a fofoca é (quase sempre) algo não intencional e ninguém reflete sobre como vai a sintonia entre suas regras e as do mundo enquanto tomam café da manhã. E se você pensou isso, tem razão. Onde está essa complexificação toda da fofoca, já que a maioria das pessoas a faz sem empreender nada semelhante a esse esforço reflexivo que cito acima? Há ainda aspectos que eu ignoro, como a indústria da fofoca retroalimentada pelo mundo das futilidades artísticas, e a fofoca gerada por problemas de comunicação, de fato. Fernanda me convenceu de que eu não tinha explicações convincentes para essas questões. Mas eu penso que, ignorando alguns aspectos que não consigo explicar bem, é possível fazer com que vocês concordem comigo.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Entendamos por fofoca aquela feita de propósito, gerada pelo mal que vez ou outra domina os corações humanos (e também pela necessidade de ver a desgraça alheia). A fofoca é apenas um meio de se fazer mal a alguém, como tantos outros. No entanto, os leitores devem concordar que há muito mais gente fazendo fofoca do que dando tiros nas cabeças dos inimigos. No fundo as pessoas sabem (em algum canto escuro do cérebro) que as regras morais são na verdade o que sustenta essa sociedade absurda e que agir apoiado nelas tende a dar certo, mesmo que seu objetivo seja destruir alguém, o que na maioria das vezes não tem nada de nobre. Quando eu invento uma fofoca estou, ainda que inconscientemente, examinando a moral do mundo que me rodeia e reavaliando o quanto essas regras estão introjetadas em mim e nos que me rodeiam, além de estar fazendo uma puta sacanagem a alguém. E quando a fofoca é gerada sem a intenção, percebe-se ainda o peso dos valores morais pelo simples fato daquilo ter se espalhado. A fofoca tem de ser interessante, e isso serve para qualquer um dos tipos: comercial, involuntária ou maldosa. Para ser interessante ela deve, primeiro, conter algum quinhão de desgraça alheia e, não obstante, atacar em cheio alguma convenção social mais ou menos difundida (e forte). De um modo ou de outro, a fofoca sempre exige a avaliação do que julgamos correto, e promove o diálogo entre o nosso conjunto de regras e os que a sociedade, naquele momento, sustenta.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Fofoqueiros são seres maldosos que querem destruir outro; ou simples desocupados que gostam (mais do que a média) de ver pessoas se dando mal; ou funcionários da imprensa marrom. Em todos os casos, a questão moral está presente. No entanto, como ninguém ainda me paga para fofocar, a segunda opção me parece mais agradável, então, quando eu fofocar sobre algum de vocês, considerem que sou desocupado o bastante pra me esforçar em ver alguém numa saia justa, por puro prazer. Perdoem-me e sejam felizes.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29965161-8571407094352145173?l=oquenaointeressa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oquenaointeressa.blogspot.com/feeds/8571407094352145173/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29965161&amp;postID=8571407094352145173&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29965161/posts/default/8571407094352145173'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29965161/posts/default/8571407094352145173'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oquenaointeressa.blogspot.com/2009/11/tu-falou-com-ze-que-o-joao-contou.html' title='“Tu falou com Zé que o João contou...”'/><author><name>Antonio Rimaci</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00779165038438976605</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29965161.post-405071113037351374</id><published>2009-10-18T18:58:00.002-03:00</published><updated>2009-11-17T22:22:34.802-03:00</updated><title type='text'>Sábado à noite</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Um sábado à noite desses, eu estava em casa e resolvi abrir o MSN para ver quem eram os outros fracassados e párias sociais que estavam em casa na mesma situação que eu. Os sábados, às vezes, ainda provocam em mim a mesma sensação que provocavam quando eu tinha 17 anos. Como geralmente era a única noite em que eu podia sair, então as festas se tornavam questão de vida ou morte. Se por algum motivo eu não pudesse sair, a impressão que eu tinha era de que o mundo estava acabando. Qualquer festa era sempre a última festa do universo, e se eu não encontrasse Fulaninho naquela noite, nunca mais o veria na vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É claro que hoje em dia ninguém me proíbe de ir a festa alguma, mas é que, muito freqüentemente, eu simplesmente não arrumo programa para o sábado por vários motivos diferentes. Porque meus amigos estão ficando velhos e só querem saber de teatro, cinema, exposições de fotografia e jantares que terminam antes das 23h; porque, já que não tem ninguém para nos proibir de sair em nenhum dia da semana, as quartas e sextas, por motivos que eu desconheço, tornaram-se os dias oficiais de entornar o caneco e os sábados acabaram ficando de lado; porque algumas coisas nunca mudam e às vezes eu simplesmente tenho que estudar ou trabalhar no sábado; e porque eu também estou ficando velha e, de vez em quando, tudo o que eu quero é uma caneca de sopa e um livro bobo que me faça suspirar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim, eu abri o MSN naquela noite de sábado – invisível, é claro – e pensei: nossa, mas esse cara é um fracassado mesmo. Sábado à noite em casa, e ainda por cima no MSN! Não preciso nem dizer que eu não estava olhando para o meu próprio rabo. Sai do MSN e fui dormir pensando em como eu era um fracasso social, e essa minha maneira de lidar com os sábados e com o MSN persistiu por muito tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais recentemente, no último feriado prolongado, meu sapo encantado me perguntou ao telefone o por que de eu não ter viajado, ao ser surpreendido por uma ligação minha. Nem me lembro o que foi que eu respondi, mas lembro que fiquei extremamente constrangida, afinal de contas, eu não tinha viajado por falta de companhia, o supra-sumo do fracasso social. Eu fiquei tão constrangida que não me ocorreu fazer a ele a mesma pergunta, e quando a fiz, vários dias depois, a resposta que eu tive foi “porque eu não arrumei companhia”. Bem, depois disso, e depois de um amigo me convencer, usando a melhor lógica regada a Jack Daniel’s, de que aparecer online no MSN sábado a noite aumenta suas chances de arrumar companhia para sair, foi que eu entendi que existe algo de muito errado não forma como os meus pensamentos se formam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O único problema dessa metodologia do MSN é que, além de render alguns programas legais, também gera um monte de chatos te convidando para programas que mais parecem tortura chinesa. Já teve um que, além de bolar uma trama de filme de espionagem para me fazer acreditar que era sócio de uma franquia da Lacoste, teve o despautério de achar que esse era um bom motivo para me levar para jantar. O ruim é que, quando você sabe que uma pessoa está mentindo para contar vantagem, você simplesmente não consegue dizer isso para ela. É a mesma coisa com minha amiga cleptomaníaca, pois nem quando eu encontrei os produtos do saque na casa dela eu tive coragem de confrontá-la. Enfim, esse eu tive que bloquear.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Também acontece daquelas desculpas tipo “olha, não vou poder, preciso estudar” não colarem mais. Quando você passa muito tempo no MSN, ao invés de simplesmente aceitarem e seguirem em frente, as pessoas começam a te dar sermão sobre como você é jovem e deveria aproveitar mais a vida. Só para constar, às vezes eu realmente estou estudando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim, hoje é sábado à noite e eu estou online no MSN. Não porque esteja procurando um programa. Na verdade, acabo de voltar de um dos jantares cults que terminam antes das 23h. E enquanto eu voltava para casa, o Rio Vermelho estava todo engarrafado – para quem não sabe, o Rio Vermelho é um bairro boêmio de Salvador. Acho que entrei mais só para ver quem mais estava se arriscando, “botando a cara na rua”. Encontrei o sapo encantado. Ele também está em casa, provavelmente fazendo p**** nenhuma. Amanhã ele tem uma prova, e eu sei que é verdade, apesar de às vezes eu ser tão grudenta com alguns amigos que não acharia estranho se as avós deles morressem umas vinte vezes por ano. Ele já foi dormir, mas mais cedo perguntei a ele se ele preferia ser chamado por algo melhor do que “meu motorista” nos meus posts e ele sugeriu Brad Pitt, mas como hoje não é quarta nem sexta e eu estou sóbria, achei que era demais. Fechamos em sapo encantado, que sempre foi o apelido dele mesmo, pelo menos no meu mundo particular.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora Antônio, meu marido, acabar de aparecer, bêbado e feliz, vindo de alguma festa. Começo a achar que meus pensamentos perturbados fazem sentido e que todos estão se divertindo em algum lugar, menos eu e o sapo, que a essa altura já deve estar babando no travesseiro. Ele inclusive sempre tentou me convencer de que uma garrafa de vinho e um pouco de youtube dão conta de qualquer sábado mal arranjado, mas eu nunca lembro de comprar vinho e não encontro nada de interessante no youtube sozinha. Acho que essa história de ficar online no MSN só serve mesmo para matar a gente de inveja das milhares de pessoas que estão dançando loucamente em cima de um sofá de uma boate.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu desisto! É sábado, eu tenho 15 anos e quero sair!&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29965161-405071113037351374?l=oquenaointeressa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oquenaointeressa.blogspot.com/feeds/405071113037351374/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29965161&amp;postID=405071113037351374&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29965161/posts/default/405071113037351374'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29965161/posts/default/405071113037351374'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oquenaointeressa.blogspot.com/2009/10/sabado-noite.html' title='Sábado à noite'/><author><name>Fernanda Furtado</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16841006450551753535</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_gdoeL9QSwoc/SnZNW-4veCI/AAAAAAAAAA4/EKERxqaERr0/S220/29062009063.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29965161.post-8484771943104409415</id><published>2009-10-12T23:39:00.006-03:00</published><updated>2009-10-12T23:42:12.981-03:00</updated><title type='text'>O Fim e o princípio</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;Eles agora caminhavam pela grama da área externa do hotel. A vista era belíssima, com as montanhas cercadas de nuvens, arranhando o céu. O sol, que se escondia por detrás delas, era um simples enfeite:parecia querer contribuir para que o friozinho, que tornava aquele cenário ainda mais romântico, não fosse embora mesmo depois das 11 horas da manhã. O jardim do hotel enchia mais ainda o lugar de graça, com suas flores cobertas de orvalho. Estendia-se até o horizonte, formando, em conjunto com as montanhas, um cenário surreal típico de um quadro. A conversa continuou.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;- Você não acha que o mundo de hoje é extremamente cruel? Não há mais espaço para quem falha. Não há mais perdão para os erros. Eu cresci achando que minha vida seria cheia de opções, e nunca foi. Eu sempre tive de fazer as coisas e tomar decisões no calor do momento. E hoje, olhando pra trás, vejo que poderia ter feito várias coisas de modo diferente se tivesse tempo para pensar. Isso me deixa ansiosa, com medo de continuar errando.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;-Eu acho que essa sua inquietação passa pela indagação sobre o sentido da vida. É muito mais fácil compreender o que é a vida quando ouvimos quem já está no fim dela. &lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;-Você e seus clichês. Não consegui tomar nenhuma decisão sobre minha vida conversando com meu avô, por exemplo...&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;-Talvez você nunca tenha feito as perguntas certas. Sabe aquele filme que te falei, sobre os velhinhos? &lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;-Sim, eu gostei. Mas fiquei meio aflita... É tão estranho ser indagada sobre a morte hoje, quando a morte ainda me parece algo distante... Imagina a sensação de ouvir essa pergunta quando se sabe que a morte é iminente...&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;- Quantos deles estavam preocupados com a morte? Alguns, é verdade. Ouvir que a morte está próxima é aterrorizante, mas o que me surpreendeu é como eles falavam da vida que levaram. A vida sempre foi ótima, o casamento foi maravilhoso, independente dos critérios que usam pra dizer isso. E mesmo as adversidades foram boas porque provocaram algo de bom no futuro.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;- É, tudo bem, mas a vida daquelas pessoas não apresentava opções. A resignação é necessária para que elas sobrevivam, até. &lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;-Você tem mania de ver o lado negativo das coisas. O que eu vi ali é que, apesar da vida miserável que a maioria daquelas pessoas viveu, no fim parece que tudo valeu à pena e que, dentro do possível, elas fizeram escolhas que as levaram à felicidade. Ao contrário, a resignação vem da descoberta de que, apesar de tudo, a vida foi boa. Guardadas as devidas proporções.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;-Então você quer dizer que vou ter que esperar até o final da vida pra descobrir que meus erros não foram tão graves e que eu acabei sendo feliz assim mesmo? Eu queria ter essa certeza agora.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;- É complicado querermos ter a tranqüilidade dos idosos, essencialmente porque ainda não temos argumentos que justifiquem essa felicidade: filhos criados, casamento longo, realizações profissionais, etc., mas minha teoria é de que devemos buscar um pouco dessa resignação. A verdade é que a vida vai acabar sendo boa, de alguma forma.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;-Como assim, a vida vai ser boa? E se eu não conseguir nada disso: família, filhos, dinheiro?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;- É simples, se uma senhora que teve 14 filhos dos quais apenas dois sobreviveram, é viúva há 47 anos, é pobre e nunca saiu da cidade onde nasceu chega a conclusão de que a vida foi boa, a minha também será. Ou seja, eu vou conseguir, através de um grande esforço pessoal de auto-convencimento, chegar a essa conclusão, independente das besteiras que fizer na vida. Entende?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;-Faz sentido. &lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;- E o mundo louco do jeito que você mesma descreveu teria muito mais paz se as pessoas pensassem assim. Por exemplo, eu diminuí drasticamente minhas chances de enfartar antes dos 30 quando passei a pensar que, todas as vezes que a pessoa logo a minha frente na fila do caixa eletrônico precisar resolver toda sua vida econômica naquele momento, ou quando eu pego um engarrafamento de 3 horas por causa de alguém que furou o pneu no meio da rua, estou fugindo de algum problema mais grave ou ganhando uma oportunidade de, pelo menos, ficar mais um tempo sozinho e refletir mais sobre as coisas.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;- Você é completamente maluco. Mas até que isso pode me ajudar mesmo. É meio óbvio que se as coisas não acontecerem da forma que esperamos, serão de outra forma que no fim também terá desdobramentos novos, e pode ser que acabem se tornando opções melhores que as iniciais. Mas eu nunca tinha pensando sobre isso numa perspectiva de resignação, de auto-convencimento. É impressionante como você chega a conclusões legais partindo de clichês típicos das novelas das oito.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;- Eu agora pretendo te convencer a irmos pro quarto, eu vejo o jornal enquanto você me faz um chá quente. Será que consigo?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;- Eu preferia aproveitar mais a paisagem, mas quem sabe se indo pro quarto você não resolve, finalmente, me pedir em casamento?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;- Já me resignei em relação a isso também. &lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;Eles sorriram um para o outro. Voltaram até o quarto, pressentindo que aquele momento mágico logo se acabaria. Em breve estariam novamente presos entre os carros no trânsito. Talvez, agora, com a lembrança do sorriso dos velhinhos do filme. E com o cenário surreal das montanhas.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;P.S: Trecho do livro que escreverei, em breve;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;P.S.2.: O filme do texto existe, tem o mesmo nome do título do post e é bem legal.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29965161-8484771943104409415?l=oquenaointeressa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oquenaointeressa.blogspot.com/feeds/8484771943104409415/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29965161&amp;postID=8484771943104409415&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29965161/posts/default/8484771943104409415'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29965161/posts/default/8484771943104409415'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oquenaointeressa.blogspot.com/2009/10/o-fim-e-o-principio.html' title='O Fim e o princípio'/><author><name>Antonio Rimaci</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00779165038438976605</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29965161.post-1273777048725953389</id><published>2009-09-14T23:41:00.000-03:00</published><updated>2009-09-14T23:42:32.954-03:00</updated><title type='text'>Feriado</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Mais uma tentativa frustrada de me bronzear. Contrariando todas as expectativas, eu consegui acordar antes das 9h e, melhor ainda, consegui levantar da cama. O tempo estava meio instável, mas eu tinha fé de que no máximo teríamos uma pancada de chuva antes das 10h e que depois o sol sairia e faria um dia lindíssimo, como ontem e anteontem.  Quando entrei no carro de minha amiga motorista só ouvi uma coisa: Está chovendo. Eu insisti que não, estava só chuviscando. Olha só para o lado de lá onde o céu está azul. Logo, logo essa nuvem vai embora. É o tempo de chegarmos na praia, você vai ver.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De fato, o tempo parecia que ia abrir quando chegamos à praia. Eu estava contente e empolgada porque finalmente ia conseguir tirar essa cor de verde hospital do meu rosto. Já estava me imaginando estirada na areia, com os olhos fechados por causa do sol e ouvindo todo aquele besteirol sobre o qual converso com minhas (poucas) amigas mulheres. Você sabe, coisas como a lei de Murphy. Por exemplo, é fato que se você sair para trabalhar com uma calcinha de algodão rasgada e um sutiã descombinante, bandidos seqüestrarão o escritório e farão você e todos os seus colegas de trabalho reféns nus. Ou então você irá esbarrar com aquele ex com quem você ainda não gastou toda a cota de sexo residual que existe após o fim de uma relação. Já se você sair de casa com um lindo conjunto de renda preta, seu namorado irá beber demais e apagar antes de sequer ver você sem roupa. E é claro que no outro dia pela manhã ele vai perguntar o por quê de você estar vestida daquele jeito, e você simplesmente dirá: Por nada. Eu ando vestida assim com calcinha fio dental o tempo todo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bem, não houve nenhuma discussão desse tipo porque antes mesmo de terminarmos de sair do carro, uma das meninas conseguiu prender o dedo na janela e quase desmaiar por conta disso. Nós ficamos todas em estado de choque e levamos cinco minutos para destravarmos o carro e abrirmos a janela enquanto ela ficava vermelha, amarela, verde e finalmente branca. Ela começou a suar frio e disse que não agüentava andar até a praia. Nós a sentamos em uma mesa no bar ao lado e, enquanto tentávamos segurar o riso e arrumar um pouco de gelo, começou a chover desesperadamente. O programa acabou por aí, e é claro que o céu estava azul e o sol a pino quando eu desci do carro na frente do meu prédio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então, como meu acompanhante oficial para caranguejos não atendeu o telefone e eu estou sem disposição para fazer qualquer coisa produtiva, resolvi me sentar e escrever essa bobagem. De onde estou sentada dá para ver o sol lá fora e eu estou tendo idéias suicidas. Com certeza amanhã vai fazer sol o dia todo só porque eu tenho que trabalhar. Ou então meu acompanhante para caranguejos vai me ligar às cinco da tarde, quando o sol já estiver indo embora. E, pela lei de Murphy, os caranguejos já estarão esgotados quando conseguirmos sentar em algum bar. E a cerveja será Nova Schin. E estará quente. E amanhã eu terei diarréia. No trabalho. E bem quando estivermos todos trancados no almoxarifado enquanto os bandidos negociam com a polícia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só me resta alimentar a esperança de conseguir escapulir da hora extra e ir trabalhar de biquíni amanhã, torcendo para que dê tempo de um mergulho antes do fim da tarde. Assim com certeza não seremos seqüestrados e irá chover o dia inteiro. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29965161-1273777048725953389?l=oquenaointeressa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oquenaointeressa.blogspot.com/feeds/1273777048725953389/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29965161&amp;postID=1273777048725953389&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29965161/posts/default/1273777048725953389'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29965161/posts/default/1273777048725953389'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oquenaointeressa.blogspot.com/2009/09/feriado.html' title='Feriado'/><author><name>Fernanda Furtado</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16841006450551753535</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_gdoeL9QSwoc/SnZNW-4veCI/AAAAAAAAAA4/EKERxqaERr0/S220/29062009063.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29965161.post-7035659925363072647</id><published>2009-09-11T22:14:00.004-03:00</published><updated>2009-09-11T22:17:19.245-03:00</updated><title type='text'>"Todo enfiado" em nossas cabeças...</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nas ultimas semanas, um único assunto permeou certamente todas as conversas entre os soteropolitanos: a saga da Miss “Todo Enfiado”, mais uma entre as histórias de vídeos que, para infelicidade de seus protagonistas, ganharam a grande rede e viraram motivo de chacota nas rodas de amigos e notícia nos telejornais. Decerto que o assunto é por si polêmico, e que a desgraça alheia diverte, mas o que mais me incomoda em tudo isso são as interpretações dadas ao caso. Todas elas me parecem (me refiro apenas as que eu pude ouvir) rasas e precipitadas. Não falo apenas do povão, que sempre acha graça de tudo e transforma suas próprias desgraças em motivos de boas risadas, como estratégia de sobrevivência. Interpretações dadas por pessoas “estudadas” também me parecem extremamente infelizes. Vejamos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A reação da sociedade é, em geral, extremamente machista. Uma mulher que se expõe ao ápice da conotação sexual de uma dança é - tão logo isso se torna público, posto que ninguém vá chamar de puta aquela que dança batendo coxa com você no forró, apesar da conotação sexual existir nos dois casos - taxada de “puta, piriguete, vagabunda,&amp;nbsp; merece se fuder mermo na moral”, expressão dita de uma só vez, como se fosse uma única palavra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A conotação sexual da dança existe desde que dança é dança. A mulher é guardiã da sensualidade desde que surgiu a primeira saia, e com ela a primeira cruzada de pernas. Mas quando a sensualidade feminina se torna pública (ainda que nem sempre na forma extremada e reduzida praticamente ao órgão genital,como no caso que estamos tratando aqui) a moralidade vem à tona, e a crucificação da infeliz é inevitável. Seria um fenômeno social perfeitamente aceitável se valesse para todo mundo: algum homem que ficou “de sunga” nos velhos tempos dos ensaios da banda de mesmo nome, realizados nos mesmos porões do pagode regional, foi acusado de “pirigueto, vagabundo, ordinário”? Não, todo mundo (inclusive mulheres) achava massa. Ou melhor, as mesmas expressões, quando usadas no masculino, se tornam elogios. Maravilhas do nosso universo machista.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Minha dica pra galera que pensa assim é: Vamos deixar de hipocrisia, de justificar as coisas com esse pensamento machista retrógado, e tentar entender porque tanta gente age dessa forma, homens e mulheres. Porque sexualidade está tão banalizada? A coisa é muito mais profunda...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Aliás, por achar que a sexualidade está extremamente banalizada, é que discordo de pessoas que dizem que subir no palco e mostrar a profundidade em que está enfiada sua calcinha está certo mesmo, que a mulher tem se percebido como dona de seu corpo e de seus prazeres, e que esse tipo de atitude reflete um “empoderamento” feminino. Discordo. Aliás, não discordaria, se a coisa fosse assim mesmo. Se todas as mulheres que subissem naquele palco pensassem dessa forma, entendessem e cultivassem o prazer que sentem em se exibir e fossem felizes com isso, eu concordaria, e mais, diria que estamos mais próximos de um mundo perfeito. Contudo, as pessoas ali não resignificam nada. Todo mundo é permeado pelas mesmas sanções morais que fazem o conjunto da sociedade, em momento posterior, condenar essas mulheres.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A banalização do sexo faz parte de uma coisa maior, a banalização da própria vida. As pessoas de baixa renda, essencialmente as mais novas, não valorizam mais nada. Não há perspectivas, não há como se ter a vida que eles vêem nas novelas, então vamos “cair de boca e fazer a putaria”. Esse é o pensamento que se vê entre jovens de escolas públicas, pessoas de baixa renda que acredito serem o público alvo daquele tipo de espetáculo. Pior: a estratégia de chocar é provavelmente a única chance que aquelas pessoas têm de alcançarem seus poucos minutos de fama. Não há nada de moderno e emancipatório nisso. É só mais uma faceta da pobreza: a de espírito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Vocês devem estar se perguntando: “mas a personagem era uma professora, empregada”. Bom, eu realmente acredito que ela acabou entrando no clima excedendo os limites que pretendia.&amp;nbsp; Não podemos perder de vista que aquilo é feito ( ou foi) todas as semanas, e nunca deve ter faltado mulheres, que certamente não estão na mesma condição social dela. Bom, pelo menos ela proporcionou essa reflexão. Que a Miss “Todo Enfiado” aproveite seus minutos de fama, mas que a história mude. Que a putaria seja eterna, mas que as motivações sejam as que os meus amigos esclarecidos imaginam. Amém.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;p.s.: Texto escrito originalmente para os amigos &lt;a href="http://www.diretorianews.blogspot.com/"&gt;deste&lt;/a&gt; blog.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29965161-7035659925363072647?l=oquenaointeressa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oquenaointeressa.blogspot.com/feeds/7035659925363072647/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29965161&amp;postID=7035659925363072647&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29965161/posts/default/7035659925363072647'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29965161/posts/default/7035659925363072647'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oquenaointeressa.blogspot.com/2009/09/todo-enfiado-em-nossas-cabecas.html' title='&quot;Todo enfiado&quot; em nossas cabeças...'/><author><name>Antonio Rimaci</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00779165038438976605</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29965161.post-5955298424057489800</id><published>2009-09-01T18:47:00.005-03:00</published><updated>2009-09-02T00:03:44.004-03:00</updated><title type='text'>Birthday</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Bem, aconteceu e é irreversível. Eu tenho oficialmente 25 anos. Vinte e cinco primaveras durante as quais eu chorei (muito, mas muito mesmo), ri (especialmente no segundo ano do colégio), fiz ballet, li todos os livros da Agatha Christie, passei noites sem dormir por causa de Poltergeist, A Coisa e O Chamado, me apaixonei idiotamente por 80 pessoas diferentes, tive outras 80 pessoas idiotamente apaixonadas por mim, comecei a cogitar os implantes de silicone (essa é recente), passei cinco anos na faculdade sem conseguir me formar (ainda) e, acima de tudo, não aderi à depilação profunda-ultra-completa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bem, acho que o número 80 é um certo exagero. Mas eu realmente li todos os livros da Agatha Christie em algum momento antes de completar meus catorze anos. E acho mesmo que meus seios vêm encolhendo de uns três meses para cá. Quanto à faculdade e à depilação, (quase) todo mundo que me conhece já me ouviu falar no assunto. Todo mundo quer saber porque é que eu não consigo terminar a maldita monografia (eu juro que também não sei) e porque é que eu não aderi à moda depilatória em voga entre as minhas amigas. Deve ser por conta de algum tipo de pudor ilógico, mas o fato é que só de pensar em descrever o procedimento eu já sinto arrepios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim, voltando às 25 primaveras. Eu ainda moro com os meus pais, não me formei, ganho 1/5 do que eu esperava estar ganhando a essa altura, tenho algumas rugas ao redor dos olhos e não encontrei o grande amor da minha vida, eu acho. Mas, em compensação, eu tenho sapatos lindíssimos e mais gente querida na minha vida do que deveria ser permitido a uma jovem mulher que passa a maior parte do tempo de pijamas. E eu adoro meu trabalho. E eu adoro meus planos para o meu trabalho. E eu sei que não ganho dinheiro nenhum com isso, mas eu adoro falar sobre o drama em que eu consigo transformar a minha vida pacata neste blog. E foi por isso que resolvi escrever um post comemorativo e compartilhar algumas das grandes (e profundas) lições que aprendi nesta vida. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5376621417989813650" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 303px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_gdoeL9QSwoc/Sp2YsW8KNZI/AAAAAAAAABo/D0qaJ2fAldk/s320/marc-chagall-birthday.jpg" border="0" /&gt; &lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;em&gt;O postal de Birthday, de Marc Chagal, que encontrei em meio às tralhas que trouxe dos States é, por motivos óbvios, meu mais recente marcador de livros. Esqueci de incluir entre as lições, mas ter marcadores de livro lindos faz bem à alma.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;strong&gt;Lição n° 1:&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Peça para nascer homem na próxima vida. Ou melhor, exija. A única coisa que você vai perder, se você é mulher no momento, é a oportunidade de usar sapatos maravilhosos, que costumam custar os olhos do cara e ter saltos de 10 a 15 centímetros de altura. Bem, pensando bem, isso não parece tão bom. Em compensação você irá se poupar de cólicas menstruais, alterações bruscas de humor e da incrível experiência do parto, durante a qual um buraco que normalmente mede 1 cm de diâmetro passa a medir 20. E mais, você será capaz de entender a lógica dos campeonatos de futebol e descobrirá por si próprio, sem a sua irmã mais esperta ter que lhe jurar de pés juntos, que é possível o seu namorado estar assistindo ao jogo do Flamengo com os amigos no domingo, na quarta e no sábado. Se bem que isso só vai servir caso você seja gay.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Você também poderá compartilhar daquela camaradagem própria dos homens e participar do “dia do bigode”. Sim, os homens são capazes de criar coisas tão inusitadas quanto o dia do bigode. É o dia em que todos os que vão àquela festa devem usar bigode, idéia de um dos DJ’s. O dono do lugar, que sofre de bigodofobia, pergunta na cozinha: foi você? Foi você? Foi você que colocou todo mundo de bigode? Eu sei que foi!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nós mulheres não conseguimos fazer essas coisas. Primeiro porque, pelo menos a maioria de nós, não tem muito sucesso quando o assunto é crescimento de bigodes. Segundo porque a maioria de nós está sempre ocupada demais tentando provar que é melhor do que as outras. Assim não sobra tempo para camaradagens esportivas e piadas de sacanagem durante o expediente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Lição n° 2:&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Toda história tem dois lados. É possível até que um homem, contrariando o que eu digo, prefira nascer mulher, embora isso seja pouco provável na maior parte dos casos. Não existe uma verdade absoluta. Não há heróis ou vilões. Tudo depende de quem conta a história. É como a caneca de chá que eu ganhei do pessoal do meu trabalho, decorada com um desenho de um gato que parece um coelho: de um lado você vê os bigodes e as orelhas do gato, e de outro você vê seu rabo. A vida também é assim. Enquanto você está olhando para frente, tem alguém olhando sua bunda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É como o que meu amigo do pão com geléia, que não cansa de me dizer coisas que conseguem ser tão banais e ao mesmo tempo tão geniais, me disse sobre as pessoas escorregadias. Elas não se enxergam assim. Elas dizem que vão te ligar em cinco minutos e te ligam em 40. Então quebram o gelo perguntando: por que é que você está com essa vozinha? Não é uma estratégia calculada (na maioria das vezes). É simplesmente como as coisas são. Elas não necessariamente têm uma teoria sobre as próprias ações. Deixam na gaveta do que é natural. E se precisam se justificar, dizem: eu sou assim. Donde se conclui que, muito provavelmente, as versões dos fatos são completamente diferentes, e que para o escorregadio você pode ser uma pessoa difícil e impaciente, ou insegura, ou sei lá, que não entende o que quer que seja. Daí as construções que fazemos sobre as outras pessoas terem tanta chance de estarem erradas – porque elas são baseadas em perspectivas, não em fatos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Lição n° 3:&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Planeje suas férias. Ou melhor, conhece-te a ti mesmo. Eu sei que essa história de deixar as coisas acontecerem é linda, mas não se aplica a todos os setores da vida. Você corre o risco de embarcar na primeira canoa furada que passar e acabar numa casa cheia de tarados em Florianópolis – o que não é ruim por si próprio, desde que você goste de participar de surubas. E você tem que levar em conta, é claro, que depois dos 25 a vida não é mais a mesma. A maior parte de nós só tem férias uma vez por ano, e não dá para sair desperdiçando seu tempo por aí. Eu mesma já aprendi com meu erro e já planejei minhas próximas férias: vou comprar uns dez romances de mulherzinha da Marian Keyes e me internar em um Club Med da vida, onde vou passar duas semanas recebendo massagens e me enchendo de drinques exóticos à beira da piscina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Lição n° 4:&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Nunca, jamais, em hipótese alguma, tente definir o que é um amigo. Você corre o risco de deixar de fora as melhores pessoas da sua vida, ou então de incluir as piores. Deixe isso sempre em aberto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Lição n° 5:&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mude de cheiro sempre que você terminar um namoro, fizer aniversário, começar um novo ano ou estiver simplesmente se sentindo péssimo. Mude o xampu, o sabonete, a loção hidratante, o perfume, o sabão em pó... Assim você engana seu cérebro e começa a acreditar que é uma nova pessoa. Todo mundo sabe o tipo de sentimento que a memória olfativa é capaz de despertar. Até hoje, quando eu sinto o cheiro de Rexona Power e Floratta in Blue, eu retrocedo no tempo uns dez anos e me transporto para as tardes de risadas na casa de uma das minhas melhores amigas. Um amigo meu me contou que, logo depois que terminou com a namorada, ele sentia tanta saudade dela que passou a usar o mesmo sabonete que ela só para ficar se debulhando em lágrimas no chuveiro – o que comprova a minha teoria de que a memória olfativa é a grande culpada por recaídas e dores de cotovelo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Grand Finale ou lição bônus:&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Comemore seu aniversário, sempre. Não importa se você vai dar uma grande festa para 200 pessoas, cantar parabéns com um bolinho que sua avó fez, sentar em um botequim para tomar um porre com seu único amigo ou passar 24h trancado em um quarto com o grande amor da sua vida. Por mais que você esteja péssimo, chorando no chuveiro com o sabonete do ex, ganhando menos dinheiro do que deveria ser permitido, com bolhas nos pés por conta daquele sapato lindo, sentindo-se mais sozinho do que nunca, essa é a sua história. Então comemore. Sempre. &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29965161-5955298424057489800?l=oquenaointeressa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oquenaointeressa.blogspot.com/feeds/5955298424057489800/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29965161&amp;postID=5955298424057489800&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29965161/posts/default/5955298424057489800'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29965161/posts/default/5955298424057489800'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oquenaointeressa.blogspot.com/2009/09/birthday.html' title='Birthday'/><author><name>Fernanda Furtado</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16841006450551753535</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_gdoeL9QSwoc/SnZNW-4veCI/AAAAAAAAAA4/EKERxqaERr0/S220/29062009063.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_gdoeL9QSwoc/Sp2YsW8KNZI/AAAAAAAAABo/D0qaJ2fAldk/s72-c/marc-chagall-birthday.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29965161.post-3987596414533075338</id><published>2009-08-26T21:12:00.011-03:00</published><updated>2009-08-27T09:23:47.449-03:00</updated><title type='text'>“É sangue mesmo, não é mertiolate”</title><content type='html'>&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;Horário de almoço. Uma hora para relembrar como é bom não fazer nada, comer muito e falar bobagem. Apenas uma hora do seu dia de trabalho, a qual o empregador benevolente lhe oferece para que você lembre como é bom um fim de semana. Todavia, tive meu momento de prazer interrompido por cenas bizarras. Foi no meu horário de almoço que vi aquela explosão de bizarrices exibida por um tubo de imagens pela primeira vez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Duas coisas sempre me fizeram mudar de canal na TV: a imagem de Fausto Silva ou um “merchan”. Ao contrário do que se diz por ai, ninguém muda de canal por ver uma imagem de violência, seja ela um quebra pau generalizado ou uma morte ao vivo. É estranha essa nossa excitação com a desgraça alheia... Mostrar desgraça prende a atenção de qualquer pessoa, de qualquer classe social. Penso que esse sentimento vem da certeza de que iremos morrer e talvez de uma forma bizarra como as que vemos espetacularmente na TV. O sentimento é “pô, ainda bem que ainda não foi comigo”. De qualquer forma, sempre me pareceu terrível querer ver repetidas vezes alguém vivendo o seu próprio pesadelo, e de fato é difícil encontrar alguém que discorde do sentido bizarro que tem essa excitação com a desgraça alheia... Mas o fato é que ela existe e que as emissoras de TV já descobriram isso há muito tempo. Programas como os de Ratinho, Datena e outros tantos senhores barrigudos que xingam os ladrões e elogiam o trabalho da polícia, sobrevivem, ano após ano, utilizando a mesma fórmula.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Naquele dia, sentado e almoçando, eu já sabia de tudo isso e já achava muito comum, a despeito de ser bizarro. Mas uma coisa me assustou: como pode alguém transformar em piada, em chacota, em quadro do “Zorra Total” a desgraça alheia? O “programa” exibia imagens de corpos fuzilados, estupradores sorrindo e assumindo a culpa, mães desesperadas por terem seus filhos viciados presos por roubos e furtos, tudo isso acompanhado de uma trilha sonora entusiasmada e efeitos sonoros cheios de risos e expressões “hilárias”. &lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;Não é compreensível. Não é nem humano. Que as pessoas gostem de ver desgraças, vá lá, com isso eu já tinha me acostumado. Mas transformar a desgraça de nossas favelas em programa de humor? É sinal de algum respeito transparecer algum horror com esse tipo de cena, ainda que se queira vê-las novamente, todos os dias, de segunda a sábado, das 17 às 19. Rir não! Fazer musiquetas não! Já é demais pra minha cabecinha. No dia em que pararmos de fingir que ficamos horrorizados com coisas horríveis, o mundo estará próximo do fim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na busca desesperada por outros rostos com expressões de revolta, resolvi olhar ao meu redor dentro do galpão onde almoço. Imaginem vocês que o programa era, de fato, de humor, porque as pessoas sorriam, e pediam pra aumentar o volume, e sorriam mais. O espetáculo da bizarrice ganhou novos contornos, avançou, se sofisticou, e eu, pelo visto, parei no tempo. Hoje em dia vidas destruídas pelo tráfico ou ladrões sendo mutilados têm graça. É hilário. E eu ainda não sabia. Lembrei de uma música da Legião:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;"É sangue mesmo, não é mertiolate”&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;E todos querem ver&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;E comentar a novidade.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;"Ó tão emocionante um acidente de verdade."&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;Estão todos satisfeitos&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;Com o sucesso do desastre:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;"- Vai passar na televisão."&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E continua passando na televisão. E no horário de almoço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu engoli o último garfo de feijão concluindo que um país onde se dá um prêmio de um milhão de reais a um cara como Dado Dollabela, nunca terá salvação (depois fui alertado pelo lado feminino da relação sobre como isso parece “um lugar comum vazio”. Realmente parece! Mas como fazia parte do raciocínio inicial, mantive, apesar de concordar com a crítica. O que seria de nós sem o lado&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="COLOR: rgb(51,102,102)"&gt;ácido&lt;/span&gt; feminino das coisas?) O espetáculo de horror, contudo, ainda é opcional. Não preciso me revoltar ainda. Como é bela a democracia! Continuarei almoçando, não vou mais tentar salvar o mundo, e já defini meu lugar favorito do galpão: qualquer um que me deixe de costas pra TV. Bom apetite, para todos nós.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29965161-3987596414533075338?l=oquenaointeressa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oquenaointeressa.blogspot.com/feeds/3987596414533075338/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29965161&amp;postID=3987596414533075338&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29965161/posts/default/3987596414533075338'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29965161/posts/default/3987596414533075338'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oquenaointeressa.blogspot.com/2009/08/e-sangue-mesmo-nao-e-mertiolate.html' title='“É sangue mesmo, não é mertiolate”'/><author><name>Antonio Rimaci</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00779165038438976605</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29965161.post-1720636590433064668</id><published>2009-08-15T20:09:00.001-03:00</published><updated>2009-08-15T20:11:53.270-03:00</updated><title type='text'>Ah, o amor...</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Uma amiga minha chegou aqui em casa há alguns meses chorando. Acho que todo mundo já passou por isso – se apaixonar por uma pessoa que, por mais que tente, não consegue se apaixonar por você. Naquele dia ela tinha ouvido a desistência do seu objeto de desejo. “Não é você. Sou eu”. Eu fiquei com pena, mesmo, porque há pouco tempo ela tinha ouvido de outro cara que ele não queria namorar ninguém naquele momento, que não estava pronto para isso, mas que se tivesse que namorar alguém seria ela. Menos de um mês depois ele começou a namorar... outra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então, bêbada e completamente imunda, sentada na minha varanda, ela chorava tanto que dava dó, e continuava repetindo a mesma coisa: por que eu? Por que é que as pessoas não se apaixonam por mim? Olhando de fora parece ridículo, tão ridículo quanto as bobagens que a gente pensava quando tinha quinze anos. Eu mesma já acreditei que nunca mais iria me apaixonar por ninguém, e na última vez eu já tinha bem mais do que quinze anos. Mas olhando para ela ali naquele momento, eu não sabia o que dizer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha irmã tinha um livro que eu adorava e que até hoje eu não sei como foi parar nas mãos dela, que nunca gostou muito de ler. Era uma versão de bolso de Dias e Noites de Amor e de Guerra, de Eduardo Galeano, o mesmo autor de As Veias Abertas da América Latina, que eu nunca tive saco de ler. É um livro de memórias, e eu acho que li umas mil vezes. Um dos trechos que me marcou foi um em que ele conta sobre o dia em que a filha pequena chegou da escola chorando e ele foi perguntar o que tinha acontecido. Ela e a melhor amiguinha tinham “terminado”, e a única reação que ele teve foi colocá-la no colo e chorar junto com ela. Era isso o que eu queria ter feito por minha amiga. Eu sabia que tudo o que ela dizia era bobagem, mas ainda assim eu sabia exatamente como ela se sentia. Quem nunca se sentiu assim? Como se não fosse merecedor de nenhum amor e sem saber o por que?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu sei que quando alguém diz algo do tipo “Não é você. Sou eu”, no sentido de “não é você que não é boa o bastante, sou eu que não estou pronto”, diz com a melhor das intenções. Mas acho que às vezes as inverdades que a gente conta para não magoar um inocente acabam magoando mais do que se tivéssemos dito a verdade nua e crua. Afinal, se apaixonar não é bem algo que a gente escolha, é algo que acontece. Sim, céticos e sociólogos, não estou dizendo que amor seja algo metafísico ou que nosso horizonte de escolha não seja determinado por uma série de variantes, mas, ainda assim, em geral, o amor é algo que simplesmente acontece.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acho que teria sido mais fácil para minha amiga ter ouvido algo do tipo “eu tentei, mas não consegui me apaixonar por você”. Teria doído mais na hora, mas não teria magoado tanto quanto saber, um mês depois, que a questão não era o fato de ele não estar pronto para um compromisso, mas sim de que ela não era boa o bastante para ele querer um compromisso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha irmã sempre me diz que tem verdades, ou melhor, formas de dizer a verdade, que eu sou a única pessoa do mundo que quer ouvir. E mais. Ela diz que eu deveria perdoar as pessoas por mentirem para mim, afinal, elas só estão me dizendo o que elas pensam que eu espero escutar. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Eu me lembro que uma vez eu acusei um dos meus “amantes” de ter percebido que eu estava apaixonada por ele e que, mesmo sabendo disso e sabendo que não queria nada sério comigo, não me disse nada. Foi simplesmente levando a coisa para ver onde ia dar, sabendo exatamente onde ia dar – em merda (eu simplesmente não tenho outra palavra). E me lembro bem da resposta dele: “Mas você queria que eu fizesse o que? Se eu tivesse te dito que eu não queria nada sério sem antes você ter me dito que queria, seria muita presunção da minha parte”. Bem, ele partiu meu coração para não parecer convencido. É a defesa mais idiota que eu já tive oportunidade de ouvir. Não que eu mesma já não tenha feito pior.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que me faz lembrar mais um episódio das minhas férias: quando meu primeiro grande amor veio me pedir desculpas por todo o mal que me causou quando tínhamos dezesseis anos. Ele anda sofrendo por amor ultimamente, e está convencido de que é tudo por causa do carma – todo o sofrimento que ele causou está voltando para ele. Imagino se o mesmo já não aconteceu comigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha prima, que, apesar de ser filha de um dos piores divórcios que eu já presenciei, acredita genuinamente no amor romântico e em príncipes encantados (acho que é porque ela já encontrou dois), defende a teoria de que todo sacana já foi sacaneado um dia, e que sua vítima, inevitavelmente, se tornará um futuro sacana. Ela acredita tanto nisso que ela não tem medo de ser sacaneada – ela tem medo de se tornar uma sacana. Segundo ela, esse círculo vicioso se repete eternamente e estamos todos (menos ela) fadados a nos foder (faltam-me palavras melhores de novo) no amor. Nossa única chance é encontrar alguém que ainda não tenha sido sacaneado, e isso antes de nos tornarmos sacanas. Acho que só os menores de dez anos tem salvação então.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bem, se eu terminar mais esse post dizendo que, apesar de tudo isso, eu ainda acredito no amor, alguém vai me bater, não tenho dúvidas. Mas é verdade, o que é que eu posso fazer? Eu já cansei de ver o passado transbordando no presente, e sei bem que um coração partido dificilmente se abre para o novo, e que só de se fechar ele já parte outros corações. Mas desde que não adotemos uma filosofia Cazuza de amar, acho que todos temos salvação. Afinal, o amor não deixa de ser amor só porque acabou. É como aquela história do casal que se divorcia depois de 30 anos de casamento e alguém diz: que pena que não deu certo. Mas deu certo! Deu certo por 30 anos. Tudo bem que hoje em dia nada dura 30 anos, mas e daí? Vale pelo que durar. E assim manteremos nossos corações partidos funcionando e seremos todos felizes para sempre.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29965161-1720636590433064668?l=oquenaointeressa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oquenaointeressa.blogspot.com/feeds/1720636590433064668/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29965161&amp;postID=1720636590433064668&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29965161/posts/default/1720636590433064668'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29965161/posts/default/1720636590433064668'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oquenaointeressa.blogspot.com/2009/08/ah-o-amor.html' title='Ah, o amor...'/><author><name>Fernanda Furtado</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16841006450551753535</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_gdoeL9QSwoc/SnZNW-4veCI/AAAAAAAAAA4/EKERxqaERr0/S220/29062009063.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29965161.post-8380514334205682743</id><published>2009-08-11T18:57:00.002-03:00</published><updated>2009-08-11T19:04:38.647-03:00</updated><title type='text'>Sobre Visitas ou “Déjà vu”</title><content type='html'>(Não vou explicar o título, vou direto a história. Pelo menos uma vez na vida deste blog, não vou começar o texto me explicando. Dizem que os posts que começam com parênteses são sempre legais. Vamos nessa.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Saímos para abrir os caminhos do fim de semana. Sem rumo definido, o jeito correto de se encontrar coisas interessantes. Guiados por uma série de conexões derivadas do sistema caótico que gere as mentes das pessoas numa sexta à noite, fomos parar naquele lugar. Um lugar que remontava um passado complexo, construído através de visitas a um lugar que, na verdade, eu deveria habitar. Explico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passei cincos belos anos de minha vida em São Lázaro¹. Durante esse tempo fiz grandes amigos, muitas besteiras, aprendi a ler e a escrever e fui relativamente feliz durante uma parte considerável dos dias. Contudo, eu nunca pertenci a São Lázaro. Sim, porque aquele lugar é habitado por seres que praticam a arte de se conectar completamente ao ambiente, criando raízes que sugam energia (e os prendem, ao mesmo tempo) daquelas terras. Conseguem criar uma sinergia tão grande com o local que param no tempo, alimentando uma saudade imensa dos tempos em que era permitido sonhar com um mundo diferente, de uma forma mais geral, aquele mundo pelo qual clamaram tropicalistas e Woodstockianos, onde seria “proibido proibir”. E, melancólicos, se abraçam e se beijam lamentando profundamente não terem sido abençoados o bastante para o terem presenciado. Juntos, pessoas e ambiente, formam um complexo sistema que, resistindo, por seu conjunto de forças e por uma certa indiferença do resto da sociedade, tornou-se uma sobrevivência, uma ilha estacionada temporal e espacialmente, na quina da federação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu não me encaixo nesse perfil, como parece fácil supor. Não lamento não ter usado as roupas de gosto duvidoso lançadas por Caetano, muito menos já tive vontade de habitar uma barraca daquelas com homens brancos que não tomavam banho em Woodstock. Cinco anos e algumas crises existenciais depois, aprendi a conviver, compreender e até mesmo gostar disso. É estranho perceber que vivi coisas legais NO lugar, mas nunca fui DO lugar. Não contribui para que a ilha São Lázaro continue viva, mas prefiro acreditar que sai de lá tirando o melhor que poderia: um diploma e alguns bons amigos. Eu realmente prefiro acreditar nisso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contextualização realizada, voltemos a sexta a noite. Ao entrar, vi pessoas sentadas no chão, trajes são lazarinos típicos, tatuagens e cigarros acesos. Os mesmos abraços e beijos melancólicos... Tive vontade de voltar e pedir meus 10 reais de volta. Nos 30 segundos que seguiram após a minha recusa ao ambiente, resolvi deixar de ser tão chato e bobo e tentar me divertir. Eu tinha resistido tão bem aos cinco anos na ilha, por que não tentar pro mais três ou quatros horas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não foi nada desagradável. Sabe, eu sempre admirei a forma como aquelas pessoas se mostravam felizes, ignorando parcialmente o mundo que lhes rodeia (sim, o exagero faz parte do estilo do blog). E existe forma mais eficaz de ser feliz do que a ignorância proposital? Eu acho que não. Eu revi alguns rostos, tomei algumas cervejas, curti muito o som, e me diverti um bocado. Há muito de belo e mágico naquelas pessoas, naquele ambiente. Talvez isso fique mais claro numa festa, mas o conjunto do som, da cerveja gelada e dos rostos conhecidos me fez ter certa saudade de São Lázaro. E nessa hora eu percebi o quanto aquela ilha se faz necessária, num mundo tão parecido com o resto do mundo, em que as pessoas querem sempre as mesmas coisas, e o “sistema” se encarrega de (re)produzir cada vez  mais e em maiores detalhes, a fórmula de felicidade que, penso eu, não deveria parecer tão perfeita assim para tanta gente. Pensar em São Lázaro me faz ter ainda mais certeza de que há algo de muito errado nesse mundo em que vivemos, e que a ilha, ainda que minúscula em relação ao resto do mundo, se mostra como um contraponto a essa realidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aquele momento me fez entender o que representa a minha passagem (e a de tantos outros amigos) por São Lázaro. Somos (ou éramos) visitantes. Nunca fiz parte daquilo completamente, mas sempre interagi de forma satisfatória em relação a retirar o melhor que poderia, dentro dos meus objetivos.  Não quero dizer que não há relevância naquelas pessoas, ou que meus objetivos são maiores ou melhores que os deles. São apenas diferentes. E vivendo essas diferenças, visitando aquele ambiente por cinco anos, aprendi que precisamos de mais diferenças, de mais convivência com o diverso. Que São Lázaro continue viva, para que eu possa visitá-la. Foi meu último pensamento antes de dormir, as 04h30min da madrugada de sábado...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1. São Lázaro, como é comumente conhecida a Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas da UFBA.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29965161-8380514334205682743?l=oquenaointeressa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oquenaointeressa.blogspot.com/feeds/8380514334205682743/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29965161&amp;postID=8380514334205682743&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29965161/posts/default/8380514334205682743'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29965161/posts/default/8380514334205682743'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oquenaointeressa.blogspot.com/2009/08/sobre-visitas-ou-deja-vu.html' title='Sobre Visitas ou “Déjà vu”'/><author><name>Antonio Rimaci</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00779165038438976605</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29965161.post-7994159085866661123</id><published>2009-08-01T23:24:00.003-03:00</published><updated>2009-08-01T23:49:16.944-03:00</updated><title type='text'>I don't blame you</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Há um mês atrás eu paguei 700 reais por paz de espírito. Tive de me equilibrar em cima de uma berinjela e me vi perdida quando me perguntaram o que é que de fato eu queria da minha vida. No meu encontro com Iemanjá eu só chorei. Não consegui responder à pergunta: o que é que você quer? Então pedi o clichê: saúde, sucesso, felicidade, paz e amor – tudo escrito em uma fita branca amarrada a uma rosa, e atirada ao mar em um momento que só eu conseguiria escolher tão bem: a cheia da maré. É claro que a rosa não ia embora e eu pensava que Iemanjá realmente não ia com a minha cara. Tive que me molhar até a cintura, só para ver a mesma rosa se arrastando pela areia três minutos depois. No dia seguinte embarquei para o Rio. E não, eu não me perguntei nenhuma vez: a que ponto chegamos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No Rio eu descobri o resto da história de John Lennon, dormi as melhores horas de sono deste ano, assisti ao nascer do sol do alto de uma montanha, sentada em uma moto, cochilando e babando no ombro do meu primeiro grande amor, e descobri que, no fundo, eu não mudei tanto de lá para cá. O avião não caiu, como vocês já sabem (detalhes no post anterior), e eu voltei a Salvador. Passei então uma semana bolando um plano para mudar minha vida. Enquanto fazia isso, descobri &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=XvyMG0z0FZY"&gt;Carla Bruni &lt;/a&gt;e &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=lnSjtKFcW1Y"&gt;Cat Power&lt;/a&gt;. E descobri como é bom chorar minhas pitangas na cozinha de um amigo enquanto como pão árabe com geléia – um amigo que não se cansa de mim, e do qual eu nunca me canso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E então eu fiz uma coisa que realmente mudou minha perspectiva: entrei em um avião para Florianópolis. Foi, definitivamente, a pior viagem que já fiz em toda a minha vida. Hospedei-me na sede da putaria e das piadas infames, comandada por um grupo de baianos trintões e divorciados em Santa Catarina, e, se aquilo fosse um Big Brother, meus companheiros de viagem teriam me mandado para o paredão na primeira oportunidade. Ou eu teria pedido para sair.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na primeira noite acordei assustada e surpreendi um homem na minha cama. O pobre rapaz estava inocentemente com frio, e todo mundo sabe que uma boa forma de se aquecer nas noites frias é dormir de conchinha com estranhos. Infelizmente eu não tive a oportunidade de expulsá-lo. Antes disso ele foi abduzido por outras duas criaturas interessadas em mantê-lo aquecido. Mas acho que no caminho para o outro quarto ele deve ter se decidido que duas eram demais, porque eu ouvi uma delas choramingando no corredor a noite toda porque foi deixada de fora. Depois disso achei que era mais seguro trancar minha porta antes de dormir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É claro que muita coisa foi divertida. Uma das festas terminou em neve. A casa amanheceu coberta de bolinhas de isopor saídas do interior de um puf do tamanho de um sofá de dois lugares &lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_gdoeL9QSwoc/SnT774LwIqI/AAAAAAAAAAo/0c80_bwjyrM/s1600-h/Neve+em+Floripa+Julho+2009.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5365190062217634466" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 200px; CURSOR: hand; HEIGHT: 150px" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_gdoeL9QSwoc/SnT774LwIqI/AAAAAAAAAAo/0c80_bwjyrM/s200/Neve+em+Floripa+Julho+2009.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;que conseguimos estourar (não me pergunte como). Nessa noite eu acolhi um pobre bêbado no meu quarto. Ele estava com a calça do lado avesso quando chegou e desmaiou em cima da cama. Durante a noite, toda a cachaça de uva que eu havia tomado resolveu que era hora de procurar um ambiente mais agradável que meu estômago e eu acabei abraçada ao vaso e chorando por mamãe. Foi então que meu hóspede veio me socorrer – nu. Eu nem me importei. Só queria um dramin. E foi mesmo a nudez mais inocente que eu já presenciei em um homem com mais de 18 anos (eu pensei em escrever 12 anos, mas acho que podia assustar alguém).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A coisa ficou ruim quando me jogaram no paredão. Aparentemente, as mulheres em Florianópolis não tem o direito de se achar boas demais para alguém, e eu estava sendo chata e quebrando essa regra. Talvez eu estivesse sendo chata mesmo, mas isso só para quem nunca leu a sorte do dia no orkut: “Egoísmo não é viver a vida à sua própria maneira; é querer impor sua maneira aos outros”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu sou a favor do amor livre. Acho que todo mundo é livre para amar o quanto, como e onde quiser. Uma suruba não me assusta. O que me assusta é ver as pessoas, neste caso as mulheres, sendo tratadas sem nenhum respeito. Não consigo entender como uma mulher pode ser boa o bastante para uma transa mas não para merecer uma cama para dormir ou uma carona de volta para casa. Algumas coisas para mim são como bom dia e obrigado – obrigatórias. Tratar as pessoas como se elas fossem descartáveis não é uma expressão de liberdade. É uma puta falta de respeito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ver essas coisas me fez mal. Mil perdões às atingidas, mas se algum dia vocês quiserem passar férias em um lugar onde as mulheres podem ser tratadas como piranhas, porque até as prostitutas são mais bem tratadas, sigam para Florianópolis. E todos os homens que encontrei por lá me disseram que a situação se estende por toda Santa Catarina e pelo Paraná.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então, eu estava sendo chata e puritana. E era a única pessoa chata da casa. E a cereja do sundae foi ficar doente. Imagine então uma pessoa chata, com náuseas e diarréia. Da última parada da minhas férias, Curitiba, só conheci o Jardim Botânico e o hospital. Perdi três quilos e fiquei verde, mas ganhei mais três dias de folga do trabalho por ordens médicas. E, em algum lugar durante essa viagem, o monstrinho da angústia que me atormentava desde sempre me deixou. Eu me lembro da última vez em que ele subiu pelo meu peito, apertou meu coração e fechou minha garganta. Foi quando eu entrei em uma lan house em Florianópolis para ler os meus emails e tomei uma decisão. Chega de tentar decifrar as nuances dos outros. Ou melhor, chega de tentar procurar entrelinhas onde elas não existem. As coisas acontecem, quer eu queira ou não. Tomei a decisão e fui comer um brownie de chocolate com sorvete.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A vida é simples. Existe gente boa de verdade neste mundo (apesar de ter um bocado de gente se esforçando para me provar o contrário). Não dá para gostar de todo mundo, e nem todo mundo vai gostar de você. Eu fui a chata da casa em Florianópolis, mas meu amigo do pão com geléia me recebe na sua cozinha mesmo assim. Algumas pessoas são incrivelmente fúteis e tão profundas quanto um prato, outras, como meu único amigo no trabalho, estão emocionadas porque conseguiram adotar uma criança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A putaria da qual eu gosto é a que Kenneth Tynan conta em seus &lt;a href="http://www.revistapiaui.com.br/edicao_13/artigo_375/A_insensata_peregrinacao_da_carne.aspx"&gt;diários&lt;/a&gt; (é preciso se cadastrar no site da Revista Piauí para ler, mas vale a pena). Para mim, ver um homem de 30 anos, bêbado, gritar para uma suposta amiga em uma mesa de restaurante para ela baixar as calças e ficar de quatro porque ele quer meter não é engraçado. É vulgar e grosseiro. E eu posso ser ingênua, mas eu realmente acredito que nem todos os meus amigos homens pensam em me comer (pelo menos não o tempo todo). E eu acredito no amor, de todos os tipos, inclusive o tipo piegas e clichê. Eu acredito que nós somos livres para escolher dentre as muitas coisas que existem em nosso horizonte: escolher quem nós queremos ser e que tipo de amor nós queremos cultuar. O tipo de amor que eu cultuo, entre amantes e entre amigos, inclui conversas que duram até o sol nascer. E eu estou em paz com isso, obrigada.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29965161-7994159085866661123?l=oquenaointeressa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='related' href='http://www.youtube.com/watch?v=VRcl_TefEak' title='I don&apos;t blame you'/><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oquenaointeressa.blogspot.com/feeds/7994159085866661123/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29965161&amp;postID=7994159085866661123&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29965161/posts/default/7994159085866661123'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29965161/posts/default/7994159085866661123'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oquenaointeressa.blogspot.com/2009/08/i-dont-blame-you.html' title='I don&apos;t blame you'/><author><name>Fernanda Furtado</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16841006450551753535</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_gdoeL9QSwoc/SnZNW-4veCI/AAAAAAAAAA4/EKERxqaERr0/S220/29062009063.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_gdoeL9QSwoc/SnT774LwIqI/AAAAAAAAAAo/0c80_bwjyrM/s72-c/Neve+em+Floripa+Julho+2009.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29965161.post-2737623632041858259</id><published>2009-07-08T12:58:00.012-03:00</published><updated>2009-07-08T13:57:05.793-03:00</updated><title type='text'>Guided tour to nowhere</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;&lt;em&gt;Life is what happens to you while you’re busy making other plans&lt;br /&gt;(John Lennon)&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Eu fui ao aeroporto com um motorista especial. A idéia de uma viagem, para mim, é sempre a de sair do meu contexto, e meu motorista era o contexto que eu estava mais urgentemente querendo e não querendo abandonar. Não resisti a uma típica (entre nós) conversa nonsense. Já pensou se meu avião cai e essa é a última vez que nos vemos? Quando te entrevistarem você vai se lembrar disso e vai citar minhas palavras. Ele riu. É claro que seu avião não vai cair. Seu avião só cairia se você me abraçasse como nunca me abraçou e dissesse que me amava. É sempre assim nas entrevistas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não foi assim nossa despedida. O celular me interrompeu, e eu estava atrasada e talvez magoada com as ironias que ele fez questão de colocar entre nós, embora eu tenha rido de todas elas. Eu o abracei, forte e rápido, virei as costas e não olhei para trás. Mas acho que passei quase 20 minutos pensando no que eu teria visto se tivesse olhado para trás – as costas do meu motorista ou seu olhar de despedida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A possível queda do avião acabou sendo meu consolo, afinal, se o avião caísse mesmo, eu nunca mais ocuparia meu tempo tentando decifrar as nuances do meu motorista, ou as minhas próprias. (In)felizmente, o avião não caiu. Pousou no Rio de Janeiro, onde eu passei os próximos quatro dias e, apesar de um chuveiro vacilante, consegui me divertir mais do que eu esperava. Aliás, eu não esperava. Assumi o compromisso de não fazer absolutamente nenhum planejamento e simplesmente fiz o que eu tive vontade. E foi muito libertador. Nada como sair do seu contexto. Lembro dessa incrível sensação quando morei nos Estados Unidos e eu e meu melhor amigo brincávamos que tínhamos licença de estrangeiro para fazer o que quiséssemos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os pontos altos desse passeio, para mim, foram:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Conhecer o Maracanã. E eu nem gosto de futebol. Mas era tão maior do que eu esperava, e eu tive essa incrível sorte de o sol estar se pondo bem atrás do estádio no momento em que eu entrei. Eu sei que é clichê, e todo mundo sabe que meu maior medo é ser clichê, mas foi tão bonito que eu quase perdi o fôlego. Era um FlaxFlu que terminou ironicamente em zero a zero, mas a empolgação da torcida fez valer a pena. Eu não tinha idéia do que era assistir ao jogo em meio a uma torcida organizada, como fizemos. Sentamos na parte destinada à Raça, do Flamengo, e eu finalmente descobri como são organizados os mosaicos. Eu sei que parece uma bobagem, mas para mim foi todo um universo alienígena que se revelou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- A Confeitaria Colombo do Centro, que eu sempre quis conhecer. Senti como se tivesse sido transportada diretamente para os anos 20 com suas melindrosas. A ilusão de espaço que aqueles espelhos criam é absolutamente mágica. Aliás, o lugar todo é mágico. E eu não pude resistir aos trocentos tipos de doces, que não só são maravilhosamente lindos como divinamente deliciosos. Enfim, é imperdível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Andar dentro de uma nuvem. Fomos fazer o passeio clichê de subir até o Cristo e quando chegamos lá saímos do trem direto para dentro de uma nuvem. Para quem queria ver o Cristo ou a paisagem foi um grande azar, mas eu fiquei tão extasiada com aquela umidade e o fato de mal poder abrir os olhos ou respirar que considerei tudo uma sorte. Parecia um mundo encantado, mágico, as brumas de Avalon, e tudo o que eu estava buscando era mágica. O tempo acabou abrindo enquanto estávamos lá e a eterna observadora que há dentro de mim teve o prazer de ver dois turistas se jogando no chão para poder captar melhor a imagem da estátua. Não pude resistir a fotografá-los.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Andar por Copacabana, que não tem nada das qualidades de limpeza, organização e beleza arquitetônica que me fizeram eleger Chicago meu lugar predileto no mundo todo, mas que me lembra minha infância de uma maneira como mais nada é capaz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O restante dos dias foi gasto no interior do estado com meus parentes, ouvindo seus desabafos e tendo conversas estranhas até o sol nascer. Eu acho engraçado o quanto eu fico irreconhecível quando estou lá. Aquelas pessoas do meu passado ainda preservam essa imagem que quase todo mundo tem de mim, a de que eu sou uma pessoa despreocupada, inconseqüente, com gostos exóticos e uma maneira peculiar de ver o mundo. Em suma, uma típica ovelha negra, ou, como diria meu primo ao tentar me definir, “toca pro foda-se e vamo vê no que é que dá”. Engraçado porque ninguém é tão crítica, neurótica ou se preocupa tanto com o futuro quanto eu – embora eu me ache mesmo peculiar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No quarto da minha prima, em seu mural de fotos, encontrei um postal que escrevi para ela quando estava em Boston. Eu fui à exposição itinerante das obras de Edward Hopper, que normalmente estariam em NY, e fiquei completamente fascinada por aquele universo que parecia ter saído diretamente de O Grande Gatsby. Aliás, esse é um livro que eu nunca consegui entender de forma fácil, e acho que é por isso que o aprecio tanto, para não falar da minha fascinação prévia com os anos 20, uma época estranha durante a qual tudo e nada pareciam estar acontecendo ao mesmo tempo. Enfim, o postal em questão reproduz &lt;a href="http://www.moma.org/collection/browse_results.php?criteria=O%3AAD%3AE%3A2726&amp;amp;page_number=5&amp;amp;template_id=1&amp;amp;sort_order=1"&gt;New York Movie&lt;/a&gt;, de 1939. Fiquei olhando para a lanterninha no quadro como se olhasse uma foto antiga de mim mesma, mas na qual eu ainda me reconhecesse completamente, e foi estranho ler em seu verso as palavras que eu tinha escrito e das quais eu não me lembrava mais: “(...) eu me identifico tanto com a mulher do quadro, e acho que você vai entender o por quê”. &lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;a href="http://www.ibiblio.org/wm/paint/auth/hopper/interior/hopper.ny-movie.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 578px; CURSOR: hand; HEIGHT: 513px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://www.ibiblio.org/wm/paint/auth/hopper/interior/hopper.ny-movie.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;                                                                                                              &lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;Hopper - New York Movie&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;Meu fascínio com as paisagens urbanas de Hooper é tão grande que a reprodução de &lt;a href="http://www.seattleartmuseum.org/exhibit/interactives/hoppersWomen/hop.asp"&gt;Chop Suey&lt;/a&gt;, de 1929, é meu marcador de livros oficial desde então. É meu primeiro marcador de livros feito de papel que sobrevive por tanto tempo (dois anos). É ele por sinal que está marcando as páginas da biografia de John Lennon, escrita por Philip Norman, que me acompanhou durante toda a viagem, amassada dentro da minha bolsa. Esse último livro chegou às minhas mãos por ninguém menos do que o motorista, assim como O Mago, que conta a história de Paulo Coelho, e está conseguindo causar uma impressão mais forte sobre mim do que esse último (ver post sobre &lt;a href="http://vivendocotidianamente.blogspot.com/2008/12/paulo-coelho-msicos-socilogos-espies.html"&gt;Paulo Coelho&lt;/a&gt;). Aliás, Penny Lane foi a trilha sonora eleita por minha mente rebelde durante a viagem (apesar de ser uma música de Paul, mas que não poderia retratar melhor a infância de Lennon).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por fim, os dois últimos acontecimentos que reforçaram minha impressão de que meu mundo, subitamente e felizmente, tornou-se encantado por um feitiço pop que eu não quero jamais quebrar. Primeiro, a sorte me agraciou com a conjunção de dois dos meus grandes objetos de amor: Veronika decide morrer, o primeiro (e talvez único) livro de Paulo Coelho que eu realmente achei interessante, foi transportado para as telas com Buffy, a caça-vampiros, minha heroína de adolescência, no papel principal. Segundo, por um completo acaso do destino, eu acabo de assistir a um mini-documentário sobre Carla Bruni no GNT. E eu descobri que as músicas dela, que até então eu ignorava completamente, são lindas, e que ela tem uma calma e um charme absolutamente irresistíveis – e eu adoro descobrir coisas e pessoas lindas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A calma de Carla Bruni tem um ar de consolo tão grande para mim, tanto quanto a queda do avião. Eu tenho ouvido freqüentemente comentários de mulheres mais velhas sobre como elas estavam ansiosas por um destino e um amor grandiosos aos 20 anos, e como se descobriram ao longo do caminho e mudaram seus conceitos. Ouvir Carla Bruni falando sobre sua própria vida me dá a certeza de que eu não vou encontrar nada pelo o que minhas ânsias anseiam, mas que eu vou encontrar o amor e meu destino de uma forma muito mais simples, diversificada, flexível, e acima de tudo não definitiva. Aliás, vendo as coisas assim, eu já encontrei.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29965161-2737623632041858259?l=oquenaointeressa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oquenaointeressa.blogspot.com/feeds/2737623632041858259/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29965161&amp;postID=2737623632041858259&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29965161/posts/default/2737623632041858259'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29965161/posts/default/2737623632041858259'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oquenaointeressa.blogspot.com/2009/07/guided-tour-to-nowhere.html' title='Guided tour to nowhere'/><author><name>Fernanda Furtado</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16841006450551753535</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_gdoeL9QSwoc/SnZNW-4veCI/AAAAAAAAAA4/EKERxqaERr0/S220/29062009063.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29965161.post-8638889350410605243</id><published>2009-06-21T23:29:00.003-03:00</published><updated>2009-06-25T18:55:33.927-03:00</updated><title type='text'>Eu me arrependo</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Sabe, eu sou um cara feliz. Isso é quase impossível de negar, apesar de continuar tendo leve inclinação pelo sofrimento. Gosto do lado sombrio da vida e acredito que do sofrimento nascem as melhores obras de arte, mas, contudo, não consigo negar que sou, de fato, feliz, o que de certa forma inibe meus talentos artísticos...&lt;br /&gt;Considerações íntimas à parte, dizer que sou feliz não significa, em nenhuma hipótese, que eu não me arrependo de coisas que fiz no passado. Não sei de onde veio esse clichê de que pra ser feliz não se pode ter arrependimentos. Penso que dos arrependimentos nascem as oportunidades de não repetir certos erros. É disso que eu quero falar.&lt;br /&gt;Uma vez tive uma namorada. Faz tempo, tínhamos pouca idade. Ela foi a primeira mulher a me dizer que me amava, no sentindo romântico da expressão. Eu também a amava, eu acho. O beijo era bom, ela era divertida e eu a achava particularmente linda, com os cabelos cacheados e um sorriso largo, sincero. Era meio gordinha, mas eu gostava desse detalhe, também.&lt;br /&gt;Ela se perdeu. Eu a perdi, aliás. Um dia ela disse que iria se mudar. Eu fiquei triste, chorei. Mas ela mudou de bairro, coisa de pegar um ônibus. Eu nunca fui visitá-la, nunca telefonei nem mandei uma carta. Ela me procurou algumas vezes, e eu nunca dei a importância que deveria dar a uma pessoa que, de fato, era a única que me fazia tremer de ansiedade. Eu pensava que aquilo era normal, e aconteceria com a próxima. Não aconteceu, e levou muito tempo pra voltar a acontecer.Ela cresceu, sumiu, e reapareceu, em um reencontro já descrito de &lt;a href="http://oquenaointeressa.blogspot.com/2006/11/divagaes-respeito-da-manipulao-da.html"&gt;forma melancólica neste mesmo blog&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;Não teria dado certo. Ela virou modelo, ficou ainda mais linda e foi morar em outro país. Eu não teria acompanhado nem apoiado nenhuma dessas etapas da vida dela, e certamente o namoro terminaria. Mas e o caminho? Não é isso que importa? E todas as coisas bonitas que teríamos vivido? No reencontro, vivido há mais de dois anos, percebi que havia me tornado um estranho pra ela, e a recíproca era muito verdadeira. Como teria sido o final, se eu chegasse a deixar aquele sentimento superar as vergonhas e crises de um adolescente comum? Como eu poderia ter mudado a história dela?&lt;br /&gt;Essas considerações pueris e probabilísticas (é correto dizer isso?) não chegam ao ponto que eu quero. Não posso dizer que vivi algo nesse tempo que preencheu a relação que poderia ter vivido. Quando você deixa de viver algo assim, nada ocupa o lugar. O vazio permanece, é uma possibilidade jogada fora que nenhuma das outras a que eu tenha escolhido podem suprir. A questão não é o que a relação mudaria em nossas histórias, e sim o que ela acrescentaria a mim, como pessoa. Certamente coisas que nenhuma outra relação adicionou. Uma coluna que fica vazia, e continuará vazia por impossibilidade de recriar as condições capazes de ressuscitar aqueles momentos vividos dentro de um dado contexto...&lt;br /&gt;Eu acho que aprendi. Aprendi bem até demais. Jogo-me em tudo. Vivo tudo. Quero tudo. Talvez mais coisas do que deveria. Possivelmente coisas que tiram mais de mim do que me devolvem. Mas eu vivo. É o que preenche as colunas. É o que me faz ter o que contar. É assim que vai ser, até que um novo arrependimento me prove o contrário.&lt;br /&gt;Aqui fica a homenagem à minha querida primeira namorada. Reitero a esperança de que, de alguma forma, eu a tenha feito descobrir uma coisa tão importante pra vida dela quanto a que ela me possibilitou descobrir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;p.s.: Esse blog agora vive uma nova fase. Casei, meus caros, ainda que apenas bloguisticamente. Façam bom uso dos textos de Nanda, que eu já adorava e agora vou poder ver com mais freqüência e proximidade.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29965161-8638889350410605243?l=oquenaointeressa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oquenaointeressa.blogspot.com/feeds/8638889350410605243/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29965161&amp;postID=8638889350410605243&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29965161/posts/default/8638889350410605243'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29965161/posts/default/8638889350410605243'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oquenaointeressa.blogspot.com/2009/06/eu-me-arrependo.html' title='Eu me arrependo'/><author><name>Antonio Rimaci</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00779165038438976605</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29965161.post-7257721513735868163</id><published>2009-06-21T22:13:00.002-03:00</published><updated>2009-06-21T22:22:40.267-03:00</updated><title type='text'>Fotografia</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Eu tenho pensado muito sobre o tempo. Acho que é normal. As pessoas estão se formando, se mudando, se casando, e logo eu vou fazer 25 anos. Um quarto de século, não deixa de ser um marco. E quando eu olho para trás, tem tanta coisa! Nem parece que são só 25 anos. E na maior parte do tempo a gente tem a impressão de que o tempo não está passando, ou de que não está acontecendo nada, o que é completamente irônico. Eu me lembro da época do colégio, quando eu e minhas amigas chorávamos de rir, literalmente, pelas coisas mais banais. E me lembro de como eu acreditava sinceramente que aquilo ia durar para sempre. Hoje eu não tenho mais notícias da maior parte delas, e nem me lembro de qual foi a última vez em que eu me dobrei de rir daquele jeito.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Com o tempo a gente ganha essa consciência de que as coisas não duram para sempre – desde as mais importantes até as mais triviais – e então duas coisas totalmente opostas podem acontecer. Ou você começa a aproveitar muito mais o que você tem ou você se apavora tanto com medo de perder o que você tem que acaba não aproveitando o tanto quanto poderia. E infelizmente eu devo confessar que é nesse último caso que eu me enquadro.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Acho que eu consegui estragar uma centena de experiências e situações que poderiam ter sido (mais) maravilhosas por conta desse medo. E o pior é que eu tinha consciência disso, mas não conseguia entender como era possível que as pessoas soubessem que as coisas eram efêmeras e viver em paz com isso. Eu ficava tentando imaginar uma forma de eternizar as coisas, de fazer o tempo parar e preservar para sempre aquilo que me era precioso, como em uma fotografia. Eu não entendia que às vezes a gente nem sabe realmente se algo é bom ou ruim até perdê-lo, e que não há mal nenhum nisso. As coisas acontecem, boas ou ruins, se prolongam ou não, e uma hora acabam, necessariamente. E isso é tão simples e não é nenhuma novidade. A novidade é que isso não me parece mais a coisa mais triste do mundo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Eu me lembro que, há não muito tempo atrás, eu estava andando em um estacionamento vazio, de mãos dadas com uma pessoa por quem eu estava sinceramente apaixonada, quando, sob um céu sem estrelas e numa noite absolutamente comum, ele me puxou para dançar. Me girou em torno de mim mesma, olhou nos meus olhos e me fez rir. E riu junto comigo. E eu fui embora sem pensar no fato de que aquele momento bobo e mágico não aconteceria nunca mais. Aquele exato momento não se repetiria mais, mesmo que passássemos toda a nossa vida juntos, mesmo que parássemos de envelhecer, que o mar não estivesse subindo e que as estrelas se escondessem para sempre. E a ironia está no fato de que eu era incapaz de compreender que a beleza de todas as coisas está exatamente aí, no fato de que elas são únicas e que não se repetem mais.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Acho que o mal era que eu sempre achava que coisas mágicas e maravilhosas não iriam acontecer mais para mim, como se eu já tivesse gastado a minha cota de felicidade e não merecesse mais um pouquinho. E é incrível como eu conseguia pensar uma idiotice tão grande! Na verdade, eu estou abismada até agora com isso, com o fato de que as coisas são tão simples e estão na minha cara e eu insisto em não querer vê-las. E eu estou feliz. Estou me achando uma grande idiota e estou feliz. Estou olhando para trás e vendo o tanto de infelicidade que eu me causei e a outras pessoas e estou profundamente feliz. O meu velho inimigo, o tempo, me deu mais uma chance de perceber que é uma bobagem correr contra ele e de que não há nenhum mal ou bem definitivo. Nada melhor do que um dia após o outro.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29965161-7257721513735868163?l=oquenaointeressa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oquenaointeressa.blogspot.com/feeds/7257721513735868163/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29965161&amp;postID=7257721513735868163&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29965161/posts/default/7257721513735868163'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29965161/posts/default/7257721513735868163'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oquenaointeressa.blogspot.com/2009/06/fotografia.html' title='Fotografia'/><author><name>Fernanda Furtado</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16841006450551753535</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_gdoeL9QSwoc/SnZNW-4veCI/AAAAAAAAAA4/EKERxqaERr0/S220/29062009063.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29965161.post-4150756631556359379</id><published>2009-03-26T20:45:00.004-03:00</published><updated>2009-03-26T20:50:03.140-03:00</updated><title type='text'>Duas coisas</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Escrevo porque fui incomodado. O&lt;a href="http://vivendocotidianamente.blogspot.com/2008/12/paulo-coelho-msicos-socilogos-espies.html"&gt; texto anterior&lt;/a&gt;, apesar de não ser lá muito surpreendente para quem já teve oportunidade de dividir anseios com a autora (rs), me fez pensar numa série de coisas sobre minha própria vida, minhas metas e meus sonhos.&lt;br /&gt;Não sei quantos de vocês concordam, mas eu tenho uma teoria: por mais que definamos os rumos a seguir, tracemos planos e implantemos em nossas vidas planejamentos estratégicos voltados para o fim de ter dois filhos lindos e uma casa na praia, o que define em que beco vamos parar é o bendito acaso. Sim, aquele fato isolado que acontece porque você deixou de planejar uma ínfima parte de seu dia, esse pequenino fato definirá as mudanças nos seus planos, que por sua vez o levarão a um novo momento casual que mudará sua vida.&lt;br /&gt;Eu poderia citar inúmeros exemplos, mas como seriam de minha própria vida - e sendo ela levemente confusa - a teoria não estaria fundamentada. Vamos lá: quantos de vocês conheceram um grande amor numa festa que não queria ir? quantos foram parar num dado lugar por conta da insistência de um amigo e lá descobriram uma oportunidade que mudou sua vida? Quantos optaram pela sociologia (ou pela química orgânica) por terem assistido a uma aula, uma única aula, que deu sentido a todo o conjunto de informações que você ja assimilara durante a trajetória? Todas essas coisas aconteceram comigo e, alimentado pela curiosidade inquietante que incomoda quase todos aqueles que tiveram um contato mais ou menos demorado com as ciências sociais, procurei investigar as vidas alheias. Fiquei surpreso ao saber que meu chefe se tornou engenheiro porque cancelou uma viagem à europa na véspera do embarque, e que meu tio conheceu sua mulher por causa de um pneu furado... para ficar nos exemplos mais emblemáticos.&lt;br /&gt;Isso me faz discordar de Fernanda. Não acho que a pretensão seja suficiente para vencer o poder do acaso. Por exemplo: eu não gosto dos livros de Paulo Coelho. Se o cara que leu o primeiro ensaio de Paulo Coelho e abriu caminho para o lançamento do seu primeiro livro pensasse como eu, nada disso teria acontecido, ele poderia encher o saco ou arrumar um emprego, ou ainda ser aprovado num vestibular para física e descobrir que os estudos sobre a relatividade eram sua verdadeira "vocação". É só para provocar um ponto, posso desenvolver melhor minha linha de raciocínio depois, mas agora quero falar de mais uma coisa. &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;*** &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;É incrível como a mediocridade tem vencido a genialidade nos tempos atuais. É certo que os gênios, quase sempre, têm sua genialidade reconhecida muito tempo depois de descerem os sete palmos de chão. Porém, como vivo neste tempo, e por isso temo sentir tudo incrivelmente mais absurdo nesse tempo, por ser o único em que viverei, defendo que a vitória da mediocridade têm sido ainda mais contundente.&lt;br /&gt;Eu sou a favor da completa adoração dos gênios. Isto porque eu não sou um gênio, eu reconheço que não o sou, e por isso admito, com relutância, que só é possível levar a vida mais ou menos confortável que tenho hoje porque existiriam e continuam a nascer gênios, grupo do qual não faço parte, o que me leva a pensar que minha existência é um favor. Um favor concedido pelos gênios.&lt;br /&gt;Por pensar assim, me irrita profundamente que pessoas mediocres sejam capazes de destruir a reputação e a obra de gênios. Fico furioso quando vejo, por exemplo, Caetano Velloso tendo de se defender de críticas de um fofoqueiro qualquer que escreve anonimamente numa coluna de jornal. Ou quando vaiam João Gilberto. Até mesmo quando condenam Ronaldo por ter dormido com três travestis.&lt;br /&gt;Deixo aqui meu repúdio à repressão a genialidade. Uma sociedade onde se ridiculariza os gênios, tende ao fim. Existimos graças a benevolência dos gênios, seus infiéis!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;p.s.: Texto originalmente escrito para matar o tempo de um domingo qualquer. Publicado no respectivo blog que aparece no link do texto.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29965161-4150756631556359379?l=oquenaointeressa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oquenaointeressa.blogspot.com/feeds/4150756631556359379/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29965161&amp;postID=4150756631556359379&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29965161/posts/default/4150756631556359379'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29965161/posts/default/4150756631556359379'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oquenaointeressa.blogspot.com/2009/03/duas-coisas.html' title='Duas coisas'/><author><name>Antonio Rimaci</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00779165038438976605</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29965161.post-2351197285957886898</id><published>2009-03-24T21:48:00.009-03:00</published><updated>2009-04-19T21:01:07.183-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Conversa de Boteco'/><title type='text'>Decifrando o mal do mundo</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Há tempos atrás, eu disse que escreveria sobre como acabar com a fome do mundo. Pois é, acho que é chegado o momento - em meio a essa enorme crise - de socializar meu pensamento a respeito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Começo com o âmago do argumento: o mal do mundo é o desperdício. Sim, eu sei, parece meio óbvio, assim de cara. Mas me permitam explicar melhor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Num passeio despretencioso por nossa cidade (seja qual for ela), podemos perceber exemplos absurdos de desperdício. Mas a coisa que mais me impressionou, na minha última reflexão propiciada por uma longa viagem num coletivo, foi o desperdício de gente. É, seres humanos sendo desperdiçados!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quantas reportagens foram feitas, nos ultimos 10 anos, acusando falta de agentes de fiscalização do IBAMA, CREA, Polícia Federal, entre tantos outros, para impedir e coibir diversos crimes como os ambientais ou o contrabando? Eu contei, desde que comecei a assistir televisão, foram exatamente 4.568 reportagens (quem duvidar, conteste com provas). Pois bem, considero que um individuo médio, relativamente ambicioso e apto para o trabalho, pode realizar essa atividade de fiscalização, concordam? Mas a gente perde toda essa mão de obra com atividades inúteis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na Estação Iguatemi, frenético ponto de embarque e desembarque de passageiros (ainda mais frenéticos) da cidade de Salvador, há um exemplo emblemático disto que vos falo. Profissionais (concursados!), que tem como principal função sinalizar para os ônibus que eles devem ir para frente. Diabos, será que algum motorista de ônibus não sabe que ele deve ir para o ponto livre mais adiante da plataforma de embarque, parar, esperar embarque e desembarque, e seguir em frente, o mais rápido possível? Será que o gesto, com a mão erguida no sentido de fora para dentro do corpo, com a palma da mão estendida, indicando pressa, faz alguma diferença no trabalho dos motoristas? Eu acredito firmemente que não.&lt;br /&gt;Existem outros exemplos... Quem já viu a manchete: "segurança de banco age com rapidez e impede assalto de grandes proporções" ? Aposto que nenhum de vocês. Segurança de banco é um desperdício de gente. Na verdade a única atividade produtiva deles é irritar pessoas que têm pressa, ao travar aquela maldita porta giratória. Qualquer assaltante que se preze rende facilmente os seguranças dos bancos.&lt;br /&gt;Há um exemplo de desperdício ainda mais notório: quem já viu alguma utilidade em comentarista de futebol? O cara chega lá, assim o jogo de graça e pior, recebe um salário razoável para dizer o óbvio: o time que ataca mais tá melhor, o que ataca menos tá próximo de tomar um gol. É muita inutilidade.&lt;br /&gt;Poderia citar milhares de outros exemplos... mas prefiro deixar que vocês mesmos pensem neles. A solução para todos os problemas do mundo está em identificar todos os focos de disperdício, arrebatar essa gente, recrutar para as funções e certas e lhes colocar nessas vagas, abolindo de uma vez todas as funções inúteis da face da terra, como a do locutor de supermercado. Teriamos um mundo mais justo, funcionalmente mais dinâmico, mais rico, mais eficiente, e mais feliz. E quem duvidar da grandeza do meu argumento que tente me convencer.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29965161-2351197285957886898?l=oquenaointeressa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oquenaointeressa.blogspot.com/feeds/2351197285957886898/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29965161&amp;postID=2351197285957886898&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29965161/posts/default/2351197285957886898'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29965161/posts/default/2351197285957886898'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oquenaointeressa.blogspot.com/2009/03/decifrando-o-mal-do-mundo.html' title='Decifrando o mal do mundo'/><author><name>Antonio Rimaci</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00779165038438976605</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29965161.post-8447636557046778163</id><published>2008-11-11T20:00:00.006-03:00</published><updated>2008-11-11T22:14:07.752-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Conversa de Boteco'/><title type='text'>Bond e o (auto)elogio</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Só uma coisa me deixa mais chateado que um domingo a noite: o autoelogio, essa praga da sociedade competitiva capitalista. É fácil supor que, se você é realmente muito bom em alguma coisa, não vai precisar sair dizendo que o é para conseguir reconhecimento das pessoas que o cercam. Na teoria, todo mundo sabe disso, mas na prática... &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Tudo bem, ter autoconfiança e orgulho próprio é importante; também é importante saber reconhecer suas qualidades, vá lá, todo psicólogo diz isso e reconheço que deve realmente ter alguma influência positiva nas nossas vidas, isso de pensar positivo a respeito de nós mesmos. O problema é quando isso sai da esfera do pensar e chega ao nível do abrir a boca, em meio a uma conversa sobre um tema qualquer e dizer: "pô, nisso ai eu sou muito bom, não há quem supere", ou algo que o valha.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O autoelogio é, via de regra, constrangedor. Para quem ouve, lógico. Porque quem o faz tem a certeza de estar fazendo (e falando) algo de positivo pra si mesmo e pra quem o ouve ( não me pergunte em que argumento estes se baseiam). Imagine as duas situações: de fato a pessoa é muito boa naquilo; ou não, nem de longe, ela é aquela coca-cola toda. Em ambos os casos, a resposta do interlocutor será sempre, sem excessões, um sorriso amarelo, que tem entretanto causas diferentes: se ele de fato é bom, o melhor de todos, é complicado pra qualquer pessoa que tem o mínimo de estima por si mesma admitir que há alguém que é muito melhor do que ela, no que quer que seja; Se ele é péssimo, não é assim tão bonito, nem sabe cozinhar tão bem, um certo nível de intimidade é um requisito para que a resposta vire um deboche, e se essa relação próxima não existe, é batata, sorriso amarelo acompanhado de uma mudança de assunto providencial.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Sabe, eu acho que deveria haver uma lei permitindo o autoelogio apenas para sujeitos que fossem o James Bond, ou o Chuck Norris, mas eu prefiro o Bond. Sempre fui fã de Bond, o que me parecia uma contradição, já que filmes de tiro nunca me fizeram pagar 4,50 numa sessão de cinema. Agora percebo que sou fã de Bond porque ele é a única personagem que conheço que tem legitimidade para usar o autoelogio. Vejamos. Bond ouve de uma certa Bondgirl: "Sabe, ainda que acabassem com você e te deixassem apenas a cabeça e um dedo, serias mais homem que todos que conheci." Ao que Bond responde, espetacularmente, "é porque você sabe o que eu sou capaz de fazer com meu dedinho". Ela retruca: "mas eu não sei do que seu dedinho é capaz", e ele, genial, "mas está doidinha pra saber". &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;É isso crianças. Se vocês não reúnem as três condições de James bond, a saber:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;1. Ser foda;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;2. Saber que o é, e falar disso abertamente para todos;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;3. Parecer ainda mais foda ao falar a todos que é foda.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Resistam à tentação do autoelogio, e contribuam para uma sociedade com menos momentos constrangedores. Obrigado.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;p.s.1: Não me perguntem como é possível saber se reúne essas condições. Eu não conheço ninguém que as tenha.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;p.s.2: Em breve explicarei detalhadamente a crise econômica, apresentando a única saída viável para que o mundo retome o crescimento e o Brasil vire uma potência. Por enquanto, deixa eu continuar falando besteira, tá?&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29965161-8447636557046778163?l=oquenaointeressa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oquenaointeressa.blogspot.com/feeds/8447636557046778163/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29965161&amp;postID=8447636557046778163&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29965161/posts/default/8447636557046778163'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29965161/posts/default/8447636557046778163'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oquenaointeressa.blogspot.com/2008/11/bond-e-o-autoelogio.html' title='Bond e o (auto)elogio'/><author><name>Antonio Rimaci</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00779165038438976605</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29965161.post-6481581034329342854</id><published>2008-10-04T19:58:00.008-03:00</published><updated>2008-10-08T22:09:32.776-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='falando sério'/><title type='text'>Sobre Hilton's e o fim da liga da justiça</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Aviso aos navegantes: esse texto só poderá ser completamente compreendido por soteropolitanos (mas você não precisa deixar de ler por isso). Venho falar aos senhores sobre as eleições municipais na cidade de São Salvador da Bahia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu não sou, em nenhum sentido, uma pessoa otimista. Mas tenho visto coisas boas nesse processo eleitoral. Depois de anos e anos de eleições muito parecidas, as atuais trouxeram algumas novidades interessantes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não, eu não estou falando da musiquinha insuportavelmente pegajosa de Hiiilton 50. Muito menos da briga de foice para definir quem tem de fato o supervalorizado apoio de lula. Os candidatos-humoristas do programa dos vereadores são ainda mais costumeiros. O que me intriga e me anima nessa primeira eleição após a morte do "coronel" ACM é coisa mais profunda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Trocando em miúdos, falo do desmanche da "liga da justiça" que perdurou por tanto tempo na Bahia. Todos contra ACM, mesmo que essa união de partes não tão homogêneas levasse a estratégias políticas vacilantes e consequentes atuações conturbadas da oposição. A "liga" conseguia reunir a esquerda mais radical a partidários do PSDB, a direita camuflada de social-democrata, em tempos onde o disfarce psdebista era bem fajuto. Quando ganhou eleições, fez governos conturbados, pouco produtivos e facilmente manipulados pelo grupo carlista, que sempre conseguiu retornar ao poder de forma triunfal. O próprio declínio carlista demorou a ser absorvido pela "liga". A ultima eleição para prefeito foi um bom exemplo, já que o governo de João Henrique reuniu praticamente todos os partidos que não estavam na coligação do 25. O resultado foi essa bagunça na cidade do metrô-voador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltando ao foco, o que se pode notar de relativamente novo é a transformação da antiga "liga da justiça" nem degradê muito bem delineado de posicionamentos políticos desde a centro-direita até a esquerda, que no entanto apenas tangencia o extremo. O fim do inimigo comum, encarnado na figura do senador cabeça branca, trouxe ao cenário político baiano uma pluralidade política que oferece ao eleitor mais de duas alternativas e projetos para a cidade - entre elas os oriundos da sobrevivência do carlismo pós-carlista. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Isso não quer dizer que os grupos formados ao redor de grandes lideranças tradicionais tenham deixado de existir. Os grupos de Geddel, Paulo Souto e do próprio Neto não permitem dar essa tão agradável notícia. O avanço democrático não parece estar no fim desses grupos (como se isso fosse possível!), e sim na desmistificação da disputa política, na passagem de um processo eleitoral visto como a luta do bem contra o mal - pelos dois lados - a um embate entre concepções e projetos diferenciados para a cidade e o estado. Creio que essa eleição atual já nos oferece diferenças pontuais entre os projetos dos candidatos que de fato tinham um. A "liga da justiça" se vê agora decomposta em frações menores, todas adversárias na disputa por posições políticas de destaque.&lt;br /&gt;Vejamos como será o primeiro segundo turno (ó, ó... o gesto dos dedos balançando pra deixar claro que fiz um trocadilho) sem a presença do "mal" DEMoníaco depois de tantos anos. Aposto que será, no mínimo, divertido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não se estressem com Leocret, meus caros. Estamos, enfim, avançando.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29965161-6481581034329342854?l=oquenaointeressa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oquenaointeressa.blogspot.com/feeds/6481581034329342854/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29965161&amp;postID=6481581034329342854&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29965161/posts/default/6481581034329342854'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29965161/posts/default/6481581034329342854'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oquenaointeressa.blogspot.com/2008/10/sobre-hiltons-e-o-fim-da-liga-da-justia.html' title='Sobre Hilton&apos;s e o fim da liga da justiça'/><author><name>Antonio Rimaci</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00779165038438976605</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29965161.post-8202648122170834475</id><published>2008-07-10T16:43:00.006-03:00</published><updated>2008-09-01T23:17:41.383-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='silêncio reflexivo'/><title type='text'>Eu, a dengue e a razão da morte</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Tá bom, eu confesso que prometi a mim mesmo - e a alguns amigos - que não começaria novamente um texto fazendo uma confissão íntima e boba. Mas ao começar a refletir sobre o assunto que me leva a escrever tal texto após quase 3 meses de ausência, não consegui deixar de pensar nisso: eu morro de medo de morrer de dengue. Imagine que você nasceu numa familia feliz. Seus pais lhe criaram com todo cuidado e atenção que podiam, você foi bem alimentado e educado, cresceu e se tornou um "jovem de futuro". E de repente você morre virando mais um número na estatística do Jornal Nacional. É mais do que trágico. É um fim ridículo. A morte deve ser pelo menos impactante, emblemática, inesquecível. Mais inexpressivo que morrer numa epidemia, só morrendo engasgado. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Quando fui obrigado a pensar na morte - por condições que me foram impostas ao longo desse ano - me senti impotente, como seria óbvio supor. Mais que isso: senti que estou (estamos, todos nós) perdendo tempo. Pra que correr tanto, estudar tanto, seguir com tanta fidelidade regras e convenções se um mosquito insginificante pode fazer com que todo esse conjunto de coisas que resumem a sua existência se transformem em mais um número na estatística da dengue, ou da febre amarela? O mais correto seria levar "la vida loca", sem rumo, sem lenço e sem documento. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;O argumento se desmancha, se tranforma em frangalhos, e se reconstrói, quando se usa (por força das circunstâncias) o artifício de voltar a escrever um texto incompleto após alguns dias. Voltando agora a pensar no que escrevi acima, vejo a questão por outro ângulo: por que diabos as pessoas não levam "la vida loca" se sabem que vão morrer? Eu mesmo respondo: Porque se levarem (todas) a vida adoidada não terão a garantia de que essa mesma vida poderá durar o máximo de tempo possível. A garantia de que viveremos o máximo de tempo possível, desde que uma fatalidade como um mosquito ou um pedaço de pão não nos leve a óbito, é a fuga do caos. Vejam a conclusão magnífica que acaba de cair no meu colo: a vida social, burocrática e estável, só existe porque o homem morre. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Se Deus existe, sua invenção mais admirável foi a morte. Imaginem uma sociedade em que os homens sabem ou desconfiam que não vão morrer. Eles estudariam? Talvez, pra sustentar o orgulho. Eles produziriam? Talvez, para melhorar a qualidade do que se veste e se come. O detalhe está na condição do "talvez": isso significa que um quinhão assustador dos homens usaria a prerrogativa desse "talvez" pra não fazer coisa alguma, esperando que outros o fizessem. O mundo seria um grande brega. A vida seria mais ou menos confortável, mas seria até sempre.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Nós, sabedores que somos de nosso fim, resolvemos, em algum ponto da história, deixar de lado o potencial "não fazer", para perder grande parte do tempo que temos para curtir a vida adoidado construindo uma base sólida em que se possa apoiar a sobrevivência até o fim inevitável: buuum! surgiu a sociedade. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Perceber essa contradição é intrigante. Temos um comportamento aparentemente contraditório ao que deveríamos ter - correndo o tempo todo e na maior parte do tempo fazendo coisas que não nos dão a medida esperada de prazer - já que todos iremos parar a sete palmos do chão. No entanto, o que nos leva a agir assim é justamente essa certeza da morte. Deus foi o mais racional dos seres, desde o início. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Me lembrei de Hobbes: os homens se juntam por medo. Digo mais, Deus é hobbesiano, ou Hobbes entendeu Deus antes de todo mundo. Aproveito pra confessar que eu também sou hobessiano! Agora vamos todos voltar a realidade. Alimentem o Leviatã. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29965161-8202648122170834475?l=oquenaointeressa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oquenaointeressa.blogspot.com/feeds/8202648122170834475/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29965161&amp;postID=8202648122170834475&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29965161/posts/default/8202648122170834475'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29965161/posts/default/8202648122170834475'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oquenaointeressa.blogspot.com/2008/07/eu-dengue-e-razo-da-morte.html' title='Eu, a dengue e a razão da morte'/><author><name>Antonio Rimaci</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00779165038438976605</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29965161.post-5489752942810379972</id><published>2008-05-13T11:01:00.003-03:00</published><updated>2008-07-10T20:17:34.582-03:00</updated><title type='text'>João Qualquer</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Seu nome era João. A mãe sempre lhe falou que a sua maior decepção seria ter um filho João Ninguém. A fim de não decepcionar sua querida progenitora, João dedicou grande parte de sua existência à meta de ser João Alguém. No mínimo, João Qualquer, que não fosse Ninguém.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;João Qualquer era, contudo, um cara tranquilo. Nunca arrumava briga, pois não sabia lutar. Ofender, ele até sabia.. sabia tocar nas feridas, tirar as pessoas do sério. Mas sempre voltava atrás quando sentia que a disputa poderia cair em danos físicos ou morais acima dos que ele suportaria. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Qualquer estudou até onde foi necessário para arrumar um emprego mediano. Não, o esforço para ele era burrice quando transcendia o estritamente necessário. Coragem para ele também era burrice, em qualquer circunstância. Ser rico demandaria as duas coisas, portanto, como ele não era burro, não seria rico.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não tinha amigo. No máximo, pessoas mais próximas das quais ele tirava vantagens de vez em quando. Era muito dificil fazer Qualquer de bobo. Ele, todavia, sabia ser carinhoso e solícito o bastante pra enganar a quem fosse útil.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Qualquer um dia se apaixonou de verdade. E ai ele resolveu casar. Durou 3 anos. Quando ela quis ter um filho, Qualquer achou que já seria responsabilidade demais. Entre ter um filho e descasar, descasou-se.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Qualquer mentia a idade. Ele achava que dizer ser mais novo valorizava um pouco sua posição mediana. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;De vez em quando, Qualquer bebia. Quando bebia, ele gostava de se sentir atraente. Qualquer gastava 35% de seu salário com prostitutas. As vezes ele não consumava o ato: pedia apenas para a referida profissional do sexo o assediar, para que ele pudesse recusá-la.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Qualquer não era feliz. Mas ele não se importava, pois sabia que quem é feliz quase sempre só o percebe depois que a felicidade se esvai.&lt;/div&gt;Qualquer morreu de tédio. Ou de câncer. Ninguém quis ter certeza...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29965161-5489752942810379972?l=oquenaointeressa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oquenaointeressa.blogspot.com/feeds/5489752942810379972/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29965161&amp;postID=5489752942810379972&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29965161/posts/default/5489752942810379972'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29965161/posts/default/5489752942810379972'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oquenaointeressa.blogspot.com/2008/05/joo-qualquer.html' title='João Qualquer'/><author><name>Antonio Rimaci</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00779165038438976605</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29965161.post-5878463330321135446</id><published>2008-03-15T14:26:00.006-03:00</published><updated>2008-04-06T12:35:58.533-03:00</updated><title type='text'>Eu, proletário</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;"Impressionante, como é que eu posso não saber assobiar? Eu faço tudo corretamente. Coloco a língua em "U", sopro com força e... nada. Um ruidozinho ridículo. Eu ainda vou ter sérios problemas com isso, pois as vezes só se consegue chamar alguém com um assobio. Enfim..."&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Esse tipo de pensamento é o que toma a mente de quem fica viajando quase duas horas de casa pro trabalho. Sim, meus caros, eu me proletariarizei (essa palavra existe?). Agora eu faço parte de um quadro de funcionários, com o cargo de Estagiário, ou seja, quase-humano. Mas isso não está em questão. O que importa é que eu levo quase duas horas no sistema de transporte das empresas do CIA, diariamente. Fico impressionado como é difícil pensar em algo mais profundo do que minha incapacidade de assobiar, durante esse tempo. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;O que me leva a escrever este texto é um pensamento que me tomou justamente na hora em que eu refletia sobre a metafisica do assobio: o comportamento dos funcionários do CIA é um fenômeno sociológico dos mais ricos. E eu vou explicar porque nas linhas seguintes. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Sabe, uma coisa que eu não admito é o preconceito alimentado dentro dos cursos de humanas mais "intelectualizados" em relação ao curso e aos alunos de Administração. Eles não distorcem fatos nem criam um "céu de brigadeiro" por lá. Nada disso. O que se ensina por lá é exatamente o mesmo que vemos em ciências sociais e história: o mercado de trabalho é extremamente competitivo, exige um profissional flexível, dinâmico, disposto a deixar de lado certos direitos trabalhistas para manter suas chances de crescimento dentro da empresa. Um profissional que precisa ser empreendedor, e saber trabalhar em equipe, de um lado, e guardar certa dose de técnica, do outro. Aquele trabalhador que passava 25 anos numa mesma empresa está morto e enterrado, etc, etc, etc. A grande diferença é que eles acham isso uma maravilha, a melhor coisa que se pode descobrir no mundo pós-moderno e tratam de entrar no clima, enquanto os intelectuais "de verdade" vão se lamentar nas mesas de bar. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Essa breve introdução acima serve apenas para ser negada. Sim, o objetivo desse texto é compartilhar com você, leitor, a minha descoberta de que o proletariado descrito por Marx existe e, indo além, numa condição incrivelmente parecida com a de 120 anos atrás. Nada, nada daquilo que se diz sobre as novas exigências do mercado, o novo perfil profissional, ou, sendo mais são lazarino, a hegemonia do capital financeiro, pode ser vislumbrado quando se observa a fila de trabalhadores esperando a condução para ir pra casa, no sistema de transporte do CIA. São operários. Todo iguais, sacolinha na mão, bocejos prolongados. São todos proletários... &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não sei acontece com você também, caro leitor, mas quando eu ouço a palavra "proletário" sempre me vem à mente a imagem de uma fila de operários esperando o pagamento diário, na porta de uma fábrica qualquer do inicio do século passado, com aquelas roupas de novela de época, tudo isso acompanhado da constatação de que aquilo é uma imagem "de museu"... Tirando os aspectos visuais da fábrica e das roupas antigas, posso dizer que vi e continuo vendo a mesma cena todos os dias, por lá.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Quando se leva um susto desses, logo vêem à mente as explicações possíveis. As duas que encontrei são as mais óbvias: ou era tudo mentira, a coisa continua muito escrota como sempre foi, o capital "violentando" (prática politicamente correta, suprimir o termo "fudendo" para não parecer escroto demais, apesar de considerá-lo mais apropriado) a todos, e uma máscara ideológica nas leis de mercado nos faz pensar que a coisa está mudando; ou, de fato, aquilo ali é uma sobrevivência, algo que resistiu e resiste aos fortes impulsos de mudança vindos dos grandes centros de desenvolvimento capitalista. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não sei no que acreditar. O ônibus balança muito, de forma que é mais confortável tentar dormir pensando em como vou fazer para aprender a assobiar. Assim fica mais fácil ser um proletário feliz. Se vocês quiserem me ajudar a entender o fenômeno, por favor, a caixa de comentários está logo aqui, abaixo, e é livre.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29965161-5878463330321135446?l=oquenaointeressa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oquenaointeressa.blogspot.com/feeds/5878463330321135446/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29965161&amp;postID=5878463330321135446&amp;isPopup=true' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29965161/posts/default/5878463330321135446'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29965161/posts/default/5878463330321135446'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oquenaointeressa.blogspot.com/2008/03/eu-proletrio.html' title='Eu, proletário'/><author><name>Antonio Rimaci</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00779165038438976605</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29965161.post-5025988174955110749</id><published>2008-02-28T13:58:00.004-03:00</published><updated>2008-02-28T14:11:21.675-03:00</updated><title type='text'>Choros e Lamentos...</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Eu considero que as pessoas se dividem em três grupos quanto as lamentações e frustrações. Existem aquelas que guardam tudo pra si e sofrem caladas; aquelas que gritam e choram e desabafam até com o porteiro do prédio; e aquelas que escrevem. Eu tenho uma forte tendência a gostar de forma absurdamente mais intensa do último grupo. Não que eu me considere integrante dele. Me vejo como uma forma híbrida (e bizarra), que flutua entre os três tipos ideais. Mas é porque as lamentações, quando escritas de forma sincera, se eternizam e ficam até bonitas, dependendo da boa vontade de quem lê.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Quando alguém se lamenta de você, de suas atitudes e posições, normalmente o que se sente não é bom. Ao ler o relato que lhes mostrarei a seguir, me senti ao mesmo tempo impotente e incompreendido. Mas após passarem vários meses, vejo que ele retrata de forma absolutamente fiel minha personalidade... Isso não é bonito? Vejam:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;"Em algum momento, em vários deles ou definitivamente, as pessoas sempre vão embora. Talvez essa seja a pior coisa do mundo. Da primeira vez ele foi embora porque estava bêbado demais, foi embora a segunda porque ficou tarde, foi embora na terceira porque teve medo de ficar pra sempre, foi embora pra sempre porque todo o resto do mundo precisava dele e eu era apenas uma das demandas, mas pra sempre pode durar duas horas, dois anos, duas encarnações. A gente sempre se despede sem despedidas, fica Chico no ar "o amor não tem pressa, ele pode esperar em silêncio". Acho que ele sempre ia embora à espera de que existisse algo melhor do q eu, mas não ia definitivamente, porque não é todo dia que aparece alguém melhor do que eu. Um dia apareceu, ela até que é bonita e tal, não parece tão confusa e intensa e talvez seja tudo que alguém precise para ser feliz. Eu só queria que ele se perdesse um pouco, rasgasse a  agenda, lançasse o celular no mar, desligasse todos os toques, luzes e sinais de que há todo o resto. Esquecesse do sono, do livro, da planta, das lembranças. Só queria que ele descansasse um pouco de ser ele o tempo todo, sempre com a mesma cara de tédio e de busca pelo resto que não se repete ou não se prolonga. Mas ele sempre vai embora antes da gente ser alguma coisa juntos. Todo mundo chega à sua vida. Em algum momento, em vários deles ou definitivamente, as pessoas sempre chegam. Talvez essa seja a melhor coisa do mundo."&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Talvez não faça nenhum sentido eu publicar isso. Talvez eu esteja fazendo apenas por que quero atualizar o blog e não encontro inspiração. E talvez eu esteja colocando isso aqui porque considero uma questão inquietante e causadora de insônia o fato dos casos de amor não se encaixarem como deveriam, nesse nosso mundo frenético. É interessante perceber como é possivel construir toda uma sequência lógica e coerente de argumentos sobre seu comportamento, ainda que esta não tenha nenhuma relação com a impressão que você tinha a intenção de transmitir quando agia de tal ou qual forma. Fica aqui, eternizada, essa lamentação. Tanto a dela, quanto a minha. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29965161-5025988174955110749?l=oquenaointeressa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oquenaointeressa.blogspot.com/feeds/5025988174955110749/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29965161&amp;postID=5025988174955110749&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29965161/posts/default/5025988174955110749'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29965161/posts/default/5025988174955110749'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oquenaointeressa.blogspot.com/2008/02/choros-e-lamentos.html' title='Choros e Lamentos...'/><author><name>Antonio Rimaci</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00779165038438976605</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29965161.post-8572709822156263527</id><published>2008-01-22T14:42:00.000-03:00</published><updated>2008-01-22T15:54:09.044-03:00</updated><title type='text'>Eu e Ela</title><content type='html'>Ela: E ai, como vai o blog?&lt;br /&gt;Eu: Parado. O mundo tá girando muito rápido. As idéias vêm, mas antes que eu possa sentar e escrever vem outra idéia, e esqueço da anterior...&lt;br /&gt;Ela: Seu blog até que é legal. Você só não sabe escrever bem sobre casos de amor.&lt;br /&gt;Eu: Deve ser porque eu não sei amar...&lt;br /&gt;Ela: É. Só pode ser porque você não sabe amar. (risos)&lt;br /&gt;Eu: É engraçado como muita informação vira informação nenhuma. Estamos sempre perdendo cada vez mais detalhes das coisas...Sempre nos sobra só uma parte.&lt;br /&gt;Ela: Nossa, que elaborado. Com certeza essa idéia não é sua. Onde você viu?&lt;br /&gt;Eu: Eu li no livro de Friedman que vc me indicou. Você deveria saber que estou falando dele, "O mundo é Plano".&lt;br /&gt;Ela: Eu indiquei mas não li. Só vi uma resenha a respeito. Quem disse que eu tenho q ja ter lido os livros que indico?&lt;br /&gt;Eu: É racional supor que sim...&lt;br /&gt;Ela: Odeio a racionalidade, principalmente quando ela se volta contra minhas práticas cotidianas...(risos) Mas eu sei que o livro diz que os indianos vão dominar o mundo. Eles fazem qualquer coisa. Você deveria terceirizar seu blog, e entregá-lo a um contador lá na Índia...Você tem a idéia e ele escreve. Se livre do trabalho duro e repetitivo e fique com a  criatividade da coisa. O que acha?&lt;br /&gt;Eu: Você já teve idéias melhores...&lt;br /&gt;Ela: Posso ser sincera? Eu não gosto de Radiohead. Pára de ficar me mandando ouvir musicas deles.&lt;br /&gt;Eu: Uma pessoa que não gosta de Radiohead tem sérios problemas. Você já fez análise?&lt;br /&gt;Ela: Minha mãe faz análises nas pessoas. Não sei se devo confiar em analistas, tendo esse exemplo como base.&lt;br /&gt;Eu: se você lesse meu blog, saberia que eu também não gosto de análise. Isso é mais um ponto em comum. Será que é você a tampa de minha panela?&lt;br /&gt;Ela: Eu poderia ser, se você perdesse essa mania de querer fazer tudo certo. Se permita não ser correto algumas vezes, e a gente conversa.&lt;br /&gt;Eu: Mas eu já estou fazendo isso. Olha eu aqui, conversando com você? (risos)&lt;br /&gt;Ela: Você tem bom papo,  só precisa melhorar nas cantadas.&lt;br /&gt;Eu: E você deveria voltar logo. Uma mulher pode sonhar com mil aventuras, deve realizar umas cem e precisa casar antes dos 30. Você já está muito perto da idade de tirar a mochila das costas.&lt;br /&gt;Ela: Isso também é racional? Desista, baby. Felicidade não é racional. O mundo mudou e as mulheres que choram após passarem dos 30 -porque não arrumaram maridos- são as que pararam no tempo. Ser feliz pode e deve não incluir marido e filhos. Meu conceito de felicidade não os inclui, por enquanto.&lt;br /&gt;Eu: Eu também penso assim, mas a estatística prova que todas vocês mudam de opinião depois dos 30. São números...&lt;br /&gt;Ela: Se você tivesse escolhido a antropologia, relativizaria mais esses números. É por isso que acho esse pessoal de Política meio perigoso...&lt;br /&gt;Eu: Aff.. Lá vem você com essa conversa de relativização de novo... Vamos voltar a falar de amor?&lt;br /&gt;Ela: Primeiro você precisa aprender a amar.&lt;br /&gt;Eu: Me ensina?&lt;br /&gt;Ela: Clichê. Seja mais criativo.&lt;br /&gt;Eu: Desisto. Estamos conversando em ciclos.&lt;br /&gt;Ela: Você e sua obcessão pela linearidade das coisas... Eu gosto muito mais da idéia de ciclos. A história, por exemplo. São ciclos, isso é muito claro.&lt;br /&gt;Eu: Marx discorda. Você não é marxista?&lt;br /&gt;Ela: Marx errou em muitas coisas. Mas eu não interpreto a idéia de história dele como linear.&lt;br /&gt;Eu: Você leu só o manifesto comunista, é isso.&lt;br /&gt;Ela: É surreal imaginar que estou as duas da manhã no telefone ouvindo um cientista social que trabalha em laboratório de química me explicar  o conceito de história em Marx e criticar meu nível de leitura...&lt;br /&gt;Eu: Tá, já saquei que isso foi um "boa noite, até logo". Então, boa noite, até logo!&lt;br /&gt;Ela: Ser surreal não sinifica ser ruim... Fica mais um pouco?&lt;br /&gt;Eu: Não dá baby. Vamos esperar o próximo ciclo, ok? Um beijo.&lt;br /&gt;Ela: Tá, eu te espero no fim da reta da história. Um beijo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29965161-8572709822156263527?l=oquenaointeressa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oquenaointeressa.blogspot.com/feeds/8572709822156263527/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29965161&amp;postID=8572709822156263527&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29965161/posts/default/8572709822156263527'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29965161/posts/default/8572709822156263527'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oquenaointeressa.blogspot.com/2008/01/eu-e-ela.html' title='Eu e Ela'/><author><name>Antonio Rimaci</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00779165038438976605</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29965161.post-8911492798532060075</id><published>2008-01-03T16:26:00.000-03:00</published><updated>2008-01-03T16:44:15.186-03:00</updated><title type='text'>Introdução ao "Primeiro Tratado Sobre o Mundo"</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Eu estou disposto, desde o início de minhas parcas férias, a escrever algo neste blog. Fiquei ainda mais disposto ao saber que outros amigos estão se aventurando nesse brinquedo de blogar, e o estão fazendo de forma brilhante. Li um texto malemolente aqui... Um outro bastante ácido ali... E resolvi que eu tinha que escrever algo, pra me sentir vivo. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Nesse meio tempo, vivi pelo menos meia dúzia de coisas que, acontecidas na época em que eu levava este blog a sério, dariam pelo menos um texto cada uma. Eu li um livro bastante interessante, "O Mundo é Plano", de Thomas L. Friedman; Conheci pessoas e lugares (boates! rsrs)  novos; me apaixonei perdidamente e desisti da paixão na manhã seguinte; e pra completar de forma trágica, o meu avô, o lendário Seu Arlindo, resolveu ir conhecer o céu. Só em citar os fatos, fico pensando em introduções e piadinhas discretas para cada um dos textos de cada um dos fatos. Mas eu resolvi economizar. Hoje eu decidi que vou escrever um texto só, abordando, além de tudo isso, o fim do ano, o novo ano, o natal, e o problema da fome no mundo. Basta agora decidir como fazê-lo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Por isso, informo que preciso de mais um tempo. Nas próximas horas, sairá um "Tratado Sobre o Mundo", quentinho. Aguardem e perdoem a demora.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29965161-8911492798532060075?l=oquenaointeressa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oquenaointeressa.blogspot.com/feeds/8911492798532060075/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29965161&amp;postID=8911492798532060075&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29965161/posts/default/8911492798532060075'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29965161/posts/default/8911492798532060075'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oquenaointeressa.blogspot.com/2008/01/introduo-ao-primeiro-tratado-sobre-o.html' title='Introdução ao &quot;Primeiro Tratado Sobre o Mundo&quot;'/><author><name>Antonio Rimaci</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00779165038438976605</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29965161.post-9221054251338039462</id><published>2007-11-07T11:45:00.000-03:00</published><updated>2007-11-08T23:24:08.725-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Conversa de Boteco'/><title type='text'>Entre o mercado e a crítica</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Serei acusado de plágio. Mas a situação pede que eu o faça, da forma mais descarada possível. O título acima foi ouvido por este que vos escreve pela primeira vez na última quinta. Na segunda,ajudou-me a compreender o maior fenômeno sociológico do meu dia.&lt;br /&gt;Todas as segundas e quartas tenho passado por um curso intensivo de doutrinação marxista rasteira. Nada mais natural que isso seja obrigatório, condição &lt;em&gt;sine equa non&lt;/em&gt; para que eu consiga minha suada licenciatura, e possa garantir, pelo menos, o salario de fome de um professor. "marximo rasteiro" e "obrigatório" ficam bem juntos, não acham? Eu também.&lt;br /&gt;Na sessão tortura desta segunda, fui surpeendido por uma bronca. Nossa professora-lider revolucionária, indignada, disse-nos em alto e bom som que éramos todos uns alienados por não estarmos por dentro do "protesto", não sermos contra o Reuni, não ocuparmos a reitoria e não estarmos dispostos a pegar em fuzis e mudar o mundo...&lt;br /&gt;Muito previsível, posto que é comum que os líderes da "revolução" expliquem o posicionamento diferenciado - qualquer que seja ele - como alienação, simples assim.O que me incomodou a ponto de me fazer superar a preguiça numa segunda-feira, pegar caderno e caneta e começar a escrever esse texto durante o próprio fenômeno foi a reação minha e de meus colegas.&lt;br /&gt;Nossa líder exaltava o movimento estudantil de sua época, a ditadura, Che, Zapata, Rita Lee, entre outros, e absolutamente ninguém se empolgava. Ela, oradora experiente, partiu pro ataque: constrangeu cada individuo a dizer porque diabos não estava "na luta". As respostas? absolutamente homogêneas, do tipo: "acho importante, mas não quero, não posso, não acredito no movimento estudantil organizado em prol da revolução". Claro que quase nenhuma foi assim tão elaborada. Resolvi sair do meu marasmo e explicar o que sentia à minha desiludida interlocutora: "er... assim...eu acho que o Reuni tem coisas boas e ruins... Mas os estudantes não aceitam mais que decidam por eles se as coisas são boas ou ruins, há uma mudança de concepção, e isso gera acomodação...". Fui interrompido. Absurdo, completo absurdo. Ela concordava. A sociedade individualista impedia as ações coletivas. Ah, que monstro esse capitalismo...&lt;br /&gt;Eu sei que você, leitor, entendeu que o que eu quis dizer não foi nada disso. E digo até que ela também entendeu. Mas a "crítica", nesta forma míope, sobrevive por reproduzir seu discurso contra o mercado, e pelo apoio que este mesmo lhe dá, numa contradição interessante. Explico. Segundo a monografia de um amigo meu, os jovens de hoje estão entre o mercado e a "crítica". Talvez eu esteja sendo infiel à formulação original ao entender a "crítica" como as velhas formas de manifestação coletiva, apoiadas no paradigma das classes sociais, característica do século passado, entre  elas o movimento estudantil. Como esta "crítica" não contempla mais esse universo de demandas múltiplas, os jovens se afundam no mercado, e deixam para heróis voluntariosos e, digamos, limitados intelectualmente, eternizarem os símbolos revolucionários e ocuparem reitorias. Assim o jovem se livra do peso de criticar, e os heróis podem criticar o mercado e o FMI sem serem indagados (e ouvidos).Como eu cheguei a essa conclusão? Explico, também.&lt;br /&gt;Após notar que a professora transformara completamente a minha fala, eu me indignei. Quis mostrar que o mundo mudou; que os jovens de hoje não se sentem representados pelas organizações estudantis; que a política institucional tem sido objeto de piadas, e somente delas, para os jovens; que eles resiginificam seus interesses em outros meios e canais, dentre os bilhares que surgiram desde o tempo dela, enfim, eu tinha um mundo pra falar. Mas tinha um joguinho legal no meu celular, tão colorido, divertido, empolgante, que eu deixei ela falando lá e fui jogar. Sim, eu fiquei com o mercado. Mas não sou contra a crítica não. Sigam criticando que eu apoio daqui, da frente do meu PC...&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29965161-9221054251338039462?l=oquenaointeressa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oquenaointeressa.blogspot.com/feeds/9221054251338039462/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29965161&amp;postID=9221054251338039462&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29965161/posts/default/9221054251338039462'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29965161/posts/default/9221054251338039462'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oquenaointeressa.blogspot.com/2007/11/entre-o-mercado-e-crtica.html' title='Entre o mercado e a crítica'/><author><name>Antonio Rimaci</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00779165038438976605</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29965161.post-7399068517611010645</id><published>2007-09-20T11:20:00.000-03:00</published><updated>2007-09-20T11:49:58.199-03:00</updated><title type='text'>O louco, Foucault e os corpos dóceis</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Ontem eu vi um louco. Pobre, miserável, completamente esfarrapado, sujo e ferido. Restavam-lhe poucos dentes. No entanto, ele sorria, vigorosamente. Sorria de forma tão absurda, que eu poderia afirmar que este era louco apenas porque sorria... Nesse momento, me perguntei se as outras pessoas no ponto de ônibus teriam a enorme capacidade de percepção e compreensão da realidade objetiva que eu, praticamente o filósofo idealizado pro Platão, tinha. Grande foi a surpresa quando vi um garoto, que passava de mãos dadas com a mãe, dizer: "olha mamãe, o maluco!". A lógica me levou a duas opções: ou toda a sociedade pós-moderna ocidental é formada de filósofos, ou qualquer individuo levemente socializado saca, de cara, quando alguém é "maluco". Mas, oh dúvida cruel, como isso é possível?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Os psicólogos e psiquiátras são os individuos autorizados, pelo contrato social, a definir quem é doido e, sobretudo, a explicar a loucura. Mas assim como não temos seis bilhões de filósofos, também não somos uma sociedade formada de psicólogos, o que me leva a crer que a fórmula para identificar um louco está nas convenções sociais, ou no seu cumprimento. Portanto, se você quer entender a loucura, estude Sociologia.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A lógica do raciocínio que me leva a tal afirmação é altamente questionável, mas isso não me importa aqui. Eu quero é falar de uma certa coisa e já se vai uma página inteira, então, serei mais objetivo.Foucault, teórico surpreendentemente novo pra mim, resolveu a questão há quase 50 anos, e eu só vim descobrir agora.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O comportamento desviante e o significado que lhe damos podem ser entendidos sob a perspectiva da docilização dos corpos, o que não significa, de maneira alguma, que estou me referindo aos corpos caramelados do sol de verão. Foucault descreve de maneira brilhante como as sociedades humanas (essencialmente a ocidental) passaram por um processo de disciplinarização dos individuos, pela imposição de um poder ( que não emana de um centro ou classe específica) sob os corpos e as almas. Primeiro, aos militares, para otimizar a guerra; depois, aos operários, para produzir melhor; e por último, aos estudantes, para "educa-los" melhor. Transformaram-se, assim, os corpos em entes dóceis, disciplinados, limitados por esse poder "microfísico", que restringe significativamente o campo de ações e comportamentos possíveis. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Nos dias de hoje, onde sentimos com a máxima intensidade as consequências da modernidade, vive-se o ápice da biologização do comportamento, ou o poder do saber sobre os corpos. Tudo que foge dos comportamentos indicados pela "ciência" cai na ridicularização. Seguimos os padrões: corte gorduras trans, não fume, não beba, dê vinte voltas no dique, e você será uma pessoa mais feliz... E o mais cruel disso tudo é que a vigilância é de cada individuo, no dia a dia. O poder microfísico tem em cada individuo um soldado. É aquele cara que te chama de burro, imbecil, porque você odeia salada...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O desviante é livre. Suporta o peso da ridicularização, mas não se adequa ao comportamento dócil. Os loucos, e portanto indóceis, são as únicas pessoas livres de nossa sociedade. deve ser por isso que eles riem de nossas caras...&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29965161-7399068517611010645?l=oquenaointeressa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oquenaointeressa.blogspot.com/feeds/7399068517611010645/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29965161&amp;postID=7399068517611010645&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29965161/posts/default/7399068517611010645'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29965161/posts/default/7399068517611010645'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oquenaointeressa.blogspot.com/2007/09/o-louco-foucault-e-os-corpos-dceis.html' title='O louco, Foucault e os corpos dóceis'/><author><name>Antonio Rimaci</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00779165038438976605</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29965161.post-725698738294157287</id><published>2007-09-08T01:21:00.000-03:00</published><updated>2007-09-08T02:14:08.346-03:00</updated><title type='text'>O Extraordinário</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Ele acordou. A cabeça rodava... ficara até as primeira horas da manhã lendo contos, e bebendo vinho. De um salto, levantou-se da cama segurando a jaqueta com a mão direita, e na esquerda o guarda-chuva. Tinha algo urgente a resolver, algo que não poderia esperar nem mais um segundo. Agora, depois de todo esse tempo pensando a respeito da natureza humana, só enxergava insetos andando pelas ruas. Não, ele não era como eles. Ele era maior, melhor. Ele era, de fato, extraordinário. E era isso que deveria provar imediatamente. &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Dirigiu-se apressado até o supermercado. Uma chuva pesada, dura, castivaga seu pobre guarda-chuva como se quisesse avisá-lo do erro que cometeria. "Erros são coisas de insetos. Desses insetos!", ele pensava. Um idéia fixa lhe tomava toda a atenção. Não se pode humilhar seres extraodinários como aquele gerentezinho de supermercado havia feito anteontem. E ele demorara dois dias pra se decidir, talvez por ser mais piedoso do que deveriam ser os homens de sua classe. Mas agora, tudo estava tão claro quanto o céu em dia de sol. "Chego, mato ele e quem mais se meter e depois, a Glória! Ah, a Glória!" Dizia a si mesmo num tom de voz elevadíssimo, fato que ele não percebeu.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Chegou ao supermercado, e avistou de imediato o ser causador de sua fúria. Dirigiu-se a ele, em êxtase. Sustentava um sorriso maldoso nos lábios, quando esse o interpelou: "que queres novamente aqui? Não já lhe disse que da próxima vez chamaria a polícia?" Ele engoliu seco. Em seguida, após gaguejar por alguns segundos, respondeu: "eh, vim... Eu vim lhe pedir desculpas. Não deveria ter lhe dito tanto insultos, afinal, a culpa foi toda minha." O gerente lhe sorriu, como quem considera estar a frente de um completo imbecil. Em seguida, o celular desse tocou, fato ao qual respondeu dando as costas ao inimigo. Ele percebeu que este era o momento exato para seu feito histórico. Tirou do bolso a faca, levantou o braço o mais alto que pode e, no momento em que iria desferir o golpe, sentiu a cabeça  rodar novamente e perdeu os sentidos, caindo instantâneamente ao chão.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Despertou na sala do gerente, sentado em uma cadeira muito desconfortável. Esse fitava-o sorridente, como quem acabara de ouvir uma piada muito boa. Ao notar seu despertar, iniciou: "Acha que conseguiria vingar-se desta forma? Está na cara que não tens estrutura para empreender o roubo que tentou anteontem... Imagina um assassinato? O que és, um lunático? hahaha!". Ele saiu correndo da sala do gerente. Ao chegar a rua, porém, acalmou o passo. Veio andando lentamente, em meio a chuva, rindo feito um louco. Ria por ter sustentado, por tanto tempo, a idéia de que era um ser extraordinário. Ria, como forma de punir a si mesmo, e ao mesmo tempo em que ria se dilacerava por dentro. Sentiu toda a força que lhe restava esvair-se. Sentou na calçada, à porta de casa. Mexeu com uma senhora acompanhada,propositalmente, e levou inúmeros socos e pontapés do marido ofendido. A dor física conferia maior intensidade a auto-punição. Ao notar que estava plenamente satisfeita a necessidade de punir-se, sentiu, então, um último prazer.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Entrou em sua casa e fechou a porta. Nunca mais se teve noticias dele.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;p.s.: Qualquer traço de literatura russa, não é mera coincidência.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29965161-725698738294157287?l=oquenaointeressa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oquenaointeressa.blogspot.com/feeds/725698738294157287/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29965161&amp;postID=725698738294157287&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29965161/posts/default/725698738294157287'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29965161/posts/default/725698738294157287'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oquenaointeressa.blogspot.com/2007/09/o-extraordinrio.html' title='O Extraordinário'/><author><name>Antonio Rimaci</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00779165038438976605</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29965161.post-4985642306655519281</id><published>2007-05-24T23:21:00.000-03:00</published><updated>2007-05-24T23:56:16.398-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='silêncio reflexivo'/><title type='text'>Sim e Não</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Fechou os olhos como se buscasse o sonho recém-interrompido. Abriu-os novamente, verdes e vermelhos de rotina e labor.Olhou-me e não sorriu, mas bocejou de forma excepcionalmente receptiva. "Sim, são três letrinhas...", dizia a canção ao meu ouvido,no momento exato em que eu passei a acreditar no fato de que o Sim era muito mais que três letrinhas.O Sim era aqueles olhos verdes e vermelhos, envoltos nos cabelos rebeldes, negros em cor e origem. Era aquele não sorriso, iluminado pelo sol das sete. O sim é belo, e é meu por toda eternidade.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O Não vem com o barulho do telefone.E não mais que de repente esconde os verdes olhos com óculos escuros, cobre o corpo nú com um jeans surrado, levanta da cama a magia que fora e continuará sendo minha em eternas lembranças, e leva o Sim, o meu Sim, embora. O Não é seco, rápido, frio e racional. O Não é o real.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29965161-4985642306655519281?l=oquenaointeressa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oquenaointeressa.blogspot.com/feeds/4985642306655519281/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29965161&amp;postID=4985642306655519281&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29965161/posts/default/4985642306655519281'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29965161/posts/default/4985642306655519281'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oquenaointeressa.blogspot.com/2007/05/sim-e-no.html' title='Sim e Não'/><author><name>Antonio Rimaci</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00779165038438976605</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29965161.post-954935940583350728</id><published>2007-05-16T10:24:00.000-03:00</published><updated>2007-05-16T11:04:02.318-03:00</updated><title type='text'>Dois pesos e duas medidas</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Tenho uma teoria: A vida se torna mais pesada e dificil na medida em que mais se procura entendê-la, o que não deve ser nenhuma novidade para vocês. Mas aqui quero ressaltar o aspecto mais particular dessa minha teoria: quem vê o mundo sob o ponto de vista sociológico sofre muito mais que a maioria das pessoas.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;É uma doença terrivel, essa de colocar uma lupa de aumento diante dos olhos e olhar para o mundo...E a causa é óbvia,pois é fácil concluir que quanto mais se aumenta um problema, mais grave ele lhe parece. Vejam por exemplo, o caso das moças que passam a ser feministas depois de conhecer o mundo de teorias pautadas na causa do feminismo. O aumento do campo intelectual é diretamente proporcional a drástica diminuição do campo de potenciais casos de amor. Isto porquê qualquer pedido, qualquer ato que denote algum sentimento de submissão(ainda que relativa) feminina, ou até mesmo uma demonstração de cavalheirísmo, se torna o mais absurdo dos atos contra o histórico do movimento feminista, da causa da libertação das mulheres em todas camadas e redutos históricos de poder masculino na sociedade capitalista. O cara se torna a última sobrevivência do machismo mundial. Deve ser condenado à forca e posterior esquartejamento e exposição das partes em praças públicas. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Antes que me apedrejem, não digo que os atos não sejam,comumente, machistas. Nem, muito menos, que a militância esteja equivocada. Não, nada disso. Meu foco aqui é outro: será que essa moça se satisfaz a cada relacionamento desfeito por conta de um ato machista? Não, de forma alguma. A vida pesa muito mais para ela, nesse sentido, do que para a outra que simplesmente dá um tapa no braço do amante e diz, entre sorrisos largos:"deixa de ser machista, pô!".&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Para dar maior validade a essa teoria, trago um exemplo que é mais meu.  Tem coisa mais chata do que perceber que as pessoas não gostam de ver tv com você? Sim, porquê você é aquele cara chato que vê problema até em comercial de sabonete. Não é tão mais simples sentar em frente a tv no domingo a noite e rir das video-cassetadas? É. Não é mais leve assistir ao jornal nacional e acreditar em tudo que lhe dizem lá? É, também. O mundo de hoje é um contraponto ao pensamento crítico. E é isso que faz com que nós ( incluo também aqui o leitor crítico, politizado e altamente qualificado desse blog) sintamos a vida tão mais pesada do que sentem as pessoas que nos cercam.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Baseado nesses fatos foi que, ontem, chutei o balde. Ao ver um video em que uma pobre senhora tenta repetir desgraçadamente a simples expressão &lt;a href="http://www.youtube.com"&gt;www.youtube.com&lt;/a&gt;, eu me livrei da idéia de que aquilo é a representação do apreço que a nossa elite tem pelo nosso povo, do fato de que é naquele nível de miséria intelectual que a maioria dos brasileiros estão, de que o fato de ser uma mulher negra não seria de forma nenhuma irrelevante nesse caso, de que esse quadro estará sempre a anos-luz de mudança enquanto exemplos como esse forem apenas piadas, entre outras tantas reflexões sociológicas, políticas, antropológicas, filosóficas que poderiam perpassar minha compreensão do fenômeno, parar rir até perder o fôlego.Ora, é engraçado por ser, e ponto final. Assim, fica tudo mais fácil, a vida pesa menos, e somos todos mais felizes. Concorda? O pior é que eu também não...&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29965161-954935940583350728?l=oquenaointeressa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oquenaointeressa.blogspot.com/feeds/954935940583350728/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29965161&amp;postID=954935940583350728&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29965161/posts/default/954935940583350728'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29965161/posts/default/954935940583350728'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oquenaointeressa.blogspot.com/2007/05/dois-pesos-e-duas-medidas.html' title='Dois pesos e duas medidas'/><author><name>Antonio Rimaci</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00779165038438976605</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29965161.post-748900457374307017</id><published>2007-04-20T23:45:00.000-03:00</published><updated>2007-04-20T23:48:35.258-03:00</updated><title type='text'>Como é possivel ser impossível: mais uma triste história de amor</title><content type='html'>Era cedo. Ele se locomovia como quem não teme o perigo iminente, rumo ao ônibus completamente lotado. Aquelas manhãs de terça não costumavam variar a ponto de surpreendê-lo. Era sempre o sol fraquinho na direção dos olhos, o ônibus lotado cheirando a gente, os pisões no pé sem cerimônia, a felicidade de encontrar um lugar vago, ainda que fosse há apenas dois pontos do seu.  Assim acontecia, umas vezes mais, outras menos, todas  as terças.&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Porém, naquela terça, algo havia mudado. Chovia. Torrencialmente, como há muito ele não via chover. Talvez por isso, o ônibus lhe parecia estranhamente vazio. Considerou-se ridículo por sentir uma espécie de falta do resto da gente que pisava em seus pés todas as terças. E era nisso que ele pensava, entre bocejos demorados, na sua confortável posição em frente ao cobrador, encostado na roleta, quando ela surgiu. Surgir... Esse tem de ser o verbo. Era linda, mas não dessas lindas unânimes. Ele não gostava da beleza unânime, considerava abominável a apreciação indiscriminada  dos tipos que se vê na tv. Sempre queria mais... E era aquele mais que ela tinha, e o tinha de forma completamente estonteante.&lt;br /&gt;- Licença. - Ela pediu. Ele, embriagado por aqueles olhos escuros,  pensou em alguns milhares de respostas possíveis, impressionantes, charmosas, intimidantes, contudo, não conseguiu fazer mais do que acenar positivamente com a cabeça. O sono lhe tirava completamente a agilidade. Todavia, o sorriso da moça alargou-se de forma espetacular considerando-se a simplicidade do gesto dele. Era o sinal de que sim, ela também sentia nele o “mais”. Ele segurou desesperadamente o urro de excitação. Era preciso agir com cautela, e agarrando-se nesse argumento, ele resolveu não fazer  absolutamente nada.&lt;br /&gt;Tornou-se rotina: sol nos olhos, ônibus cheio, parada na roleta, “surgimento”, “licença”, abano de cabeça, sorriso largo. Ele sentia-se revigorado. Apenas aquele sorriso,  aquele olhar carinhoso, tornava seu dia mais fácil, mais bonito, e toda terça durava apenas meio minuto... E todo o resto da semana se constituía numa espera por esse meio minuto. Ele, e somente ele, fazia sentido.&lt;br /&gt;Um belo dia – e todas as histórias de amor, mais cedo ou mais tarde,  chegam a esse belo dia -, justo naquele dia em que ele se decidira a, pelo menos, perguntar-lhe o nome, o mundo caiu sobre sua cabeça com um peso insuportável: surge a moça, linda, como sempre, porém envolvida nos braços de outro alguém. Não olhou, não sorriu e nem pediu licença, deixou seu homem pedir. E nem precisava. Ele apressou-se em passar ligeiro pela roleta, sair empurrando as pessoas mal humoradas de pé no ônibus, e descer, no ponto seguinte. A dor era insuportável. A chuva, aquela mesma chuva do primeiro encontro, lhe castigava as costas. Ele correu como nunca havia corrido na vida. Correu sem saber para onde e, ao parar em frente a um boteco de periferia, sentou, pediu uma dose de conhaque, se embebedou e cantou a plenos pulmões as canções de Radiohead que o dono do bar, de ressaca em plena terça-feira, deixara, distraidamente, repetirem-se no velho aparelho de som.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29965161-748900457374307017?l=oquenaointeressa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oquenaointeressa.blogspot.com/feeds/748900457374307017/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29965161&amp;postID=748900457374307017&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29965161/posts/default/748900457374307017'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29965161/posts/default/748900457374307017'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oquenaointeressa.blogspot.com/2007/04/omo-possivel-ser-impossvel-mais-uma.html' title='Como é possivel ser impossível: mais uma triste história de amor'/><author><name>Antonio Rimaci</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00779165038438976605</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29965161.post-2880262268380251322</id><published>2007-03-22T22:02:00.000-03:00</published><updated>2007-03-26T22:18:33.467-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Conversa de Boteco'/><title type='text'>Por que Usamos Perfumes?</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Poderia responder com uma frase: devido a ideologia da classe dominante. Mas como é  mais comum construir os argumentos, aqui vou. Essa discussão está envolvida numa outra, a saber, a da ideologização de discursos a respeito da nação brasileira, a idéia de nação forte,de país do futuro, onde o progresso é a tônica e o desenvolvimento pleno é questão de tempo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Há tempos, no nosso Brasil, ressalta-se a beleza natural de uma nação "criança", que marcha ininterruptamente para um futuro glorioso. A grandeza territorial e a riqueza natural são, intencionalmente, confudidas com grandeza econômica e política, construíndo a imagem de uma nação pujante, mas ao mesmo tempo mãe, acolhedora.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Ligando esse argumento ao de que é através do trabalho de cada individuo que o desenvolvimento virá - como se cada qual fosse uma engrenagem indispensável à máquina-nação - , difunde-se a idéia de que o país é de todos, e de que o progresso depende da entrega de cada um, leia-se, submissão total às medidas do Estado, esse instrumento burguês que define de fato os rumos da nação e da sociedade. Ignora-se o fato de que uma ínfima minoria tem acesso às esferas decisórias do Estado, e que a labuta do cidadão comum pouco modificará sua própria vida,e muito menos os rumos da nação. Pintando um quadro de cidadãos irmãos, filhos da terra querida,trabalhando todos em prol do crescimento do país, oculta-se as questões de classe. É como se, de fato, elas não existissem, e a pobreza da grande maioria se configurasse numa questão de pouca entrega ao labor.&lt;br /&gt;Em complemento, difunde-se também a idéia de que a riqueza material é dispensável para se obter uma vida harmoniosa e feliz. O trabalho "honesto", a "bondade", a "harmonia" entre pais e filhos, marido e mulher,  esse conjunto de "riquezas", é o que importa. Dificuldades financeiras são simples detalhes, como se fosse possivel  manter a harmonia e o bom humor passando fome.&lt;br /&gt;Esse estímulo a resignação, a subserviência, aliado à falsa idéia de que todos estão contribuindo igualmente para o progresso da nação, permeiam grande parte dos discursos na nossa mídia, nas escolas, nos lares. É uma praga que assola toda sociedade brasileira.&lt;br /&gt;Por outro lado, há também uma transformação do "mundo dos ricos" no mundo de todos. É como se acontecimentos, ações cotidianas e relações interpessoais comuns apenas aos mais abastados fossem de fato corriqueiras para todos os individuos.Transformar o chute no estômago que é a riqueza desmedida de alguns frente a miséria de milhões em algo inexistente, eliminar ideologicamente esse abismo, é também necessário à manutenção do &lt;/span&gt;status quo.&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;br /&gt;É nesse ponto que entra o perfume, como elemento ideológico e ideologizante. A idéia de que o perfume é útil e necessário aos mais pobres é mera ideologia. Trata-se apenas de mais um exemplo de transformação do universo semântico de quem é rico no universo semântico de todos. Primeiro, porque as fragâncias que realmente são apreciáveis são bastante caras. Aos pobres resta as imitações, de qualidade duvidosa, no mínimo. Além disso, quem pega um ônibus lotado as 6:30 da manhã, não precisa estar perfumado. Aliás, nem adianta que esteja, pois descerá do coletivo sem o tal aroma. Em suma, o pobre gasta dinheiro que poderia estar sendo investido em outras coisas para suprir uma necessidade ideologicamente forjada, e  mesmo assim a supre de forma insatisfatória, considerando-se que os ricos, que andam nos seus carros de luxo, climatizados, saem e chegam perfumados.&lt;br /&gt;Espero que essa parca contribuição tenha servido para alertar o povo, de que a ideologia pode te fazer jogar dinheiro fora... E pensar que chegará onde quer cheiroso como saiu. Ledo engano, meus caros. Juntem-se a luta! Abaixo ao perfume, já!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;Obs.: Apenas uma amostra da facilidade de se construir discursos...Essa história é uma obra de ficção. Qualquer semelhança com a realidade trata-se de mera coincidência.&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29965161-2880262268380251322?l=oquenaointeressa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oquenaointeressa.blogspot.com/feeds/2880262268380251322/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29965161&amp;postID=2880262268380251322&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29965161/posts/default/2880262268380251322'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29965161/posts/default/2880262268380251322'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oquenaointeressa.blogspot.com/2007/03/por-que-usamos-perfumes.html' title='Por que Usamos Perfumes?'/><author><name>Antonio Rimaci</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00779165038438976605</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29965161.post-9001522766014616567</id><published>2007-02-13T10:49:00.000-03:00</published><updated>2007-02-13T10:45:45.761-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='silêncio reflexivo'/><title type='text'>Esperando a Quarta-Feira de cinzas</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Pois bem, caros e raríssimos leitores, creio que é tempo de findar minha fase de posts confessionais nesse blog. Primeiro, porque eles são normalmente herméticos demais, evasivos demais, e de fato não interessam a ninguém, transformando um título outrora irónico numa verdade vergonhosa. Segundo, porque o mundo pós-moderno soteropolitano ferve de coisas interessantes para se analisar. Como, por exemplo, ignorar a "magia" e a "energia" que envolvem o carnaval de Salvador? Pois é. É desse enorme evento, que marca, de fato, a  virada de ano no nosso país, que venho falar-lhes.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Magia uma ova. É a primeira frase que me vêm a mente ao ver uma das 456 propragandas de blocos de carnaval na tv. Qualquer morador desta cidade  sofre nesse período do ano. Sim, no período inteiro, mais conhecido como verão, já que o carnaval aqui começa em Setembro. E porque sofremos? Há inúmeras formas e motivos para o sofrimento. Vou confessar (porra, confessar não!) duas das quais tenho mais proximidade.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Tem aquele cidadão que sofre porque odeia, de fato, festas do trio axé-pagode-forró. Esse cidadão está em maus lençóis.  A partir de setembro ele será bombardeado por ensaios, "fest's", feijoadas, festivais e outros tantos vocativos que os empresários arrumam, que acontecem toda semana, todos os dias da semana, em todos os pontos da cidade. Se ele anda de carro, vai pegar engarrafamento. Se  anda de ônibus, terá de aturar algumas conversas sobre as festas, e essas conversas costumam irritar bastante. Se ficar em casa, ouvirá, ao fundo, enquanto tenta dormir, o barulho irrtante dos tambores de algum ensaio que acontece na segunda-feira a noite, bem pertinho de sua casa. Sem falar que terá de suportar a poluição visual dos outdoors, a programação tendenciosa das rádios, e os milhares de estudantes em férias que chegam a praia, naquela quarta a tarde em que ele pensara em descansar sozinho numa barraca distante, com o som carro rolando um pagode em volume máximo. Coitado.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O outro tipo de sofrimento é diametralmente oposto: o cidadão que é totalmente fissurado pela "energia" do verão baiano. Bom, esse estará em leçóis ainda piores. Enquanto o outro sofre para fugir dessa avalanche de eventos diários, esse sofrerá horrores com a força magnética que lhe atrai para todos esses eventos, sem nenhuma exceção. Ele gastará todo o seu salário, e fará dívidas. De repente, se pegará acordando de ressaca numa terça, aquela mesma terça em que ele deveria apresentar um trabalho de fim de semestre na faculdade. Ele penará para ser aprovado nessa disciplina.Passará todo o dia reclamando dos exageros que cometera na noite anterior, mas, ao anoitecer, não ressistirá a mais um telefonema e cairá novamente na gandaia. Coitado, também, desse jovem, fruto da era do consumismo.&lt;br /&gt;Mas, o post deveria se destinar a outro tema. O carnaval... A relação do povo baiano com o carnaval é algo impressionante. Hoje, faltando extamente dois dias para o início da festa, a cidade já está diferente. Percebi isso ontem, a noite, quando voltava de um passeio que teria sido ótimo em qualquer outra época do ano, na qual não pegariamos a barra em povorosa daquela forma. Enfim, estavámos em meio a um engarrafamento quilométrico, que já durava muitos minutos. As pessoas de pé, no ónibus, suando feito cuscuz. E na barra, um dos focos da festa. Fora as pessoas que dormiam - sentadas e de pé - as conversas eram todas sobre a festa. Em que blocos iriam sair, em que lugar estratégico iriam se colocar como pipoca, em que praia iriam tomar aquele bronze antes de ir "pegar várias" na muvuca multicor. Ninguém movia os olhos para o verdadeiro caos causado pelos preparativos da festa. Ninguém, além de mim. E esse fato curioso (e também o fato de eu ter arrumado um lugarzinho para sentar) foi transformando minha irritação extrema em silêncio reflexivo... Afinal, o que leva o povo baiano a ignorar todos os pontos negativos dessa festa que marca nossa cidade?&lt;br /&gt;Alguns irão me condenar, mas eu percebo que, para além da estrutura classista do carnaval, da tomada das ruas pelos camarotes, da diferença absurda de preço entre os blocos que seleciona seus sócios, entre outros, o carnaval ainda é a festa mais democrática e popular que se tem notícia. Só não se diverte quem não quer. E a população baiana, que guarda no seu imáginário a idéia vendida pela mídia de que o carnaval é a festa do povo, acaba por transforma-lo nisso mesmo, dando sempre um jeitinho de marcar presença e exocizar todo o peso da coletividade, todo o peso da vida social, fazendo loucuras no mesmo asfalto em que, em outros tempos, se move sonolenta para o trabalho, dentro dos coletivos. E a festa que, apesar de não ser mais para o povo, continua sendo do povo, talvez por sobrevivência cultural; talvez por necessidade social. Quem vai saber? essa talvez seja a verdadeira magia do carnaval. As tentativas frustadas de tirar o povo da rua, por meio do "carnaval alternativo" nos bairros mais pobres, são provas cabais de que não está nas mãos da nossa elite tirar o carnaval do povo. E ele virá, mais uma vez, tomar as ruas. E que venha o povo! (rsrsrs)&lt;br /&gt;Vinicius de Moraes ja dizia que é preciso, mais que nunca,  cantar e alegrar a cidade. Catemos, alegremos, e esperemos, alegres, a quarta-feira de cinzas. Até a volta, amigos.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29965161-9001522766014616567?l=oquenaointeressa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oquenaointeressa.blogspot.com/feeds/9001522766014616567/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29965161&amp;postID=9001522766014616567&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29965161/posts/default/9001522766014616567'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29965161/posts/default/9001522766014616567'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oquenaointeressa.blogspot.com/2007/02/esperando-quarta-feira-de-cinzas.html' title='Esperando a Quarta-Feira de cinzas'/><author><name>Antonio Rimaci</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00779165038438976605</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29965161.post-117085678374389276</id><published>2007-02-07T10:48:00.000-03:00</published><updated>2007-02-07T11:02:35.960-03:00</updated><title type='text'>Quando alguém consegue dizer melhor que você mesmo o que você sente.. entendeu? II</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;em&gt;Das contradições... &lt;/em&gt;&lt;em&gt;&lt;br /&gt;Por que tenho que construir minha personalidade pautada na homogeneidade e no princípio de que a construção de minhas diversas faces tem que ser regida pelo princípio da não-contradição?&lt;br /&gt;Por que tenho que ter explicações para todos os meus atos e tenho que guiá-los pela idéia de que eles devem ter certos fins e que eu deveria ser capaz de saber quais serão esses fins?&lt;br /&gt;Ademais, por que tenho que saber onde meus atos desembocarão se não consigo nem saber quem eu sou hoje, se não sei quem fui ontem e muito menos quem serei amanhã? Aliás, amanhã eu serei alguém ou esse alguém será por mim?&lt;br /&gt;Por que devo me responsabilizar pelas vidas dos outros se não consigo me responsabilizar pela minha própria vivência? Seria uma fuga o fato de que tento diariamente me fazer acreditar que&lt;br /&gt;minha existência deve ser pautada no postulado de que é cotidianamente que se experencia o mundo?&lt;br /&gt;Se é verdade o que uma grande amiga que faz papel de um xamã para mim disse e eu vim ao mundo para me satisfazer, enquanto que os outros têm que satisfazer a si próprios, por que sou cotidianamente construído a pensar e a sentir o mundo todo em minhas costas?&lt;br /&gt;Por que quero me expressar e não saem mais palavras de minha mente, de minha boca, de meu corpo, apenas gestos que nunca verás, contorções, gritos internos, fluxos e refluxos de sentimentos, emoções, contradições, arrependimentos, dissociações?&lt;br /&gt;Por que sou obrigado a aceitar o racionalismo se todas as minhas experiências me ensinam a rechaçá-lo com todas as forças de um coração partido, sangrando ou ainda vibrando por sangrar ou sangrando por fazer outros sangrar???? Por que alguns corações sangram por outros corações?&lt;br /&gt;Por que??? Por que??? Por que??? Por que??? Por que??? Por que??? Por que??? Por que???&lt;br /&gt;Repressões morais a parte, por que não conseguimos deixar de tê-las e sentí-las como uma dor lancinante que torna-se mediação simbólica de todas as experiências que temos, enquanto não conseguimos construir novas categorias que organizem nossas experiências em nossas mentes e corpos? É possível construir essas novas categorias?&lt;br /&gt;Por que considero esse post tão ridículo e, ainda assim, teimo em publicá-lo???&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;Rafael Arantes&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;align="right"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;Ele so escreveu antes de mim porque chegou em casa primeiro. Quem nao partilha dessas duvidas? A fronteira entre satisfacao pessoal e responsabilidade moral ou social eh antiga, e causa uma angustia enorme nos pobres coracoes dos jovens. Porque voltar a um tema tao recorrente? Sabe aqueles dias em que alguns textos sao mais seus que de qualquer outra pessoa no universo? pois eh, hoje eh o dia. Espero encontrar auxilio de algum outro xama que esteja mais perto que o de Rafael. Onde estao vcs, xamas? &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;p.s.: perdoem a falta de sinais graficos. Hoje descobri que os pcs do CPD sao contra qualquer tipo de acentuacao. E nao me encham muito com isso. Escrevo no intervalo entre uma palestra muuuito interessante sobre alimentos e a minha matricula presencial, aquele evento tao tranquilo e relaxante que os alunos da ufba ja conhecem...&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29965161-117085678374389276?l=oquenaointeressa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oquenaointeressa.blogspot.com/feeds/117085678374389276/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29965161&amp;postID=117085678374389276&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29965161/posts/default/117085678374389276'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29965161/posts/default/117085678374389276'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oquenaointeressa.blogspot.com/2007/02/quando-algum-consegue-dizer-melhor-que.html' title='Quando alguém consegue dizer melhor que você mesmo o que você sente.. entendeu? II'/><author><name>Antonio Rimaci</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00779165038438976605</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29965161.post-116925149867174128</id><published>2007-01-19T20:22:00.000-03:00</published><updated>2007-01-20T22:29:12.473-03:00</updated><title type='text'>Contingências da Fortuna e o dom da Virtú: na política e no amor</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Maquiavel deveria ser lido por todas as almas vivas nesse planeta. Justamente porque Maquiavel, essencialmente em &lt;span style="font-style: italic;"&gt;O Príncipe&lt;/span&gt;, serve para explicar absolutamente tudo que possa acontecer em sua vida. Pois sim, se não servir para explicar tudo, servirá certamente para orientar algumas estratégias.&lt;br /&gt;No já citado O Príncipe, Maquiavel parte da premissa básica de que a moral política é diferenciada de outras espécies de moral, e portanto possui uma lógica própria.Sendo assim, o governante, ou príncipe, precisa jogar esse jogo, se deseja se manter no poder. Limitar-se pela moral social,ou religiosa, levará qualquer governante ao fracasso. O cara que governa deve, então, submeter-se à táticas que seriam moralmente condenáveis pela sociedade mas que, sob a ótica da moral política, são perfeitamente aplicáveis. A moral política baseia-se no sucesso: deu certo, é bom; deu errado, condene-a. Foi aqui, em Maquiavel, que os políticos aprenderam que dar ouvidos a protestos da sociedade civil é uma tática muito mais eficiente do que preocupar-se de fato com os motivos deles: a sociedade normalmente fica satisfeita em apenas ser ouvida. Sim, meus caros, foi em Maquiavel que a coisa começou a desandar...Mas esse não é o ponto aqui. Vamos então ao ponto. A correlação com fortuna e virtú é um aspecto interessante dessa teoria maquiaveliana. Virtú, a capacidade do político lidar com os intempérios das circunstâncias, é uma habilidade que certamente não é dispensável no caminho para o sucesso. Maquiavel a trata como algo inato. É como se fosse um dom. Nesse ponto, fica dificil não lembrar: como o nosso presidente tem virtú, não acham? A Fortuna, por sua vez, significa sorte mesmo. O político tem que ter sorte, ou seja, as circuntâncias têm que jogar a favor dele, por que se não, não há virtú que dê jeito...&lt;br /&gt;Bom, sem mais demoras nessa parte, posto que é fácil perder o foco nessa brincadeira de blogar. As estratégias que Maquiavel apresente em seu livro partem da premissa - igualmente básica - de que o príncipe quer, mais que ninguém, se manter no poder. Querendo isso mais que ninguém, ele vai aplicar corretamente sua virtú, fazendo a fortuna trabalhar ao seu favor.&lt;br /&gt;Imaginem agora um individuo, do sexo masculino, solteiro nessa terra quente chamada Salvador. Ele acorda todos os dias e se olha no espelho. Ao olhar-se, ele afirma: "que maravilha! tenho o dia livre, pois estou sol-tei-ro!" Tudo que ele quer é continuar solteiro, ele quer agarrar essa liberdade e não solta-la tão cedo. Ah, mas isso não é nada fácil. Diria que uma dose de virtú e uma ajudazinha da fortuna são fatores determinantes na vida desse pobre individuo. Agora vamos aos porquês...&lt;br /&gt;Primeiro, porque ele quer ser solteiro, mas nunca ficar sozinho. A necessidade de enamorar-se vez ou outra é bem humana, como já disse... quem disse isso mesmo? Enfim, ele quer, ele vai à luta. Ele (as feministas vão cair da cadeira) caçam. Sim, caçam. Ou alguém vai ter coragem de me dizer que festas como o Bonfim Light não são verdadeiras caçadas? As estratégias de caça não estão ao alcance de todos. Seria preciso ressucitar Maquiavel para que ele nos explicasse como aprender a lidar com esse tipo de situação.. Ah, ele nunca faria isso. Virtú não se ensina...&lt;br /&gt;Segundo, porque ele quer enamorar-se, mas jamais namorar! Ai, depois que ele se dá bem na caça, vem o problema: a moça gostou demais dele. Gostou mais do que ele queria. Como dizer a ela que ele não está interessado em se envolver, mas aceita a idéia de vê-la vez ou outra, para conversarem e, quem sabe...Ou seja, virtú, sempre virtú!&lt;br /&gt;Terceiro, e mais importante, a fortuna. Como fazer a fortuna  alinhar-se aos seus planos? Sim, pois, de fato, o inverso do último fator acontece. Não necessariamente o inverso, mas uma situação diferente: o individuo se envolve mais do que queria, também. Nesse caso, a fortuna trabalha contra suas intenções. Se envolver não faz parte da intencionalidade do  individuo, e sim da estrutura que o cerca. Quando a fortuna age contra, diria Maquiavel,é porque o príncipe não era merecedor do sucesso, pois só a junção da virtú com a fortuna  o garantiria. Desta forma, cai o príncipe, e cai o individuo solteiro. Esse último, imbecilizado pela envolvimento desafortunado, começa a achar que nunca quis ser solteiro. Imagine, toda aquela liberdade, toda aquele mundo a descobrir.. O imbecil começa a achar tudo inútil. Percebe que toda a série de estratégias que tentou aprender, toda a virtú para o sucesso na solteirice que ele pensou ser inata, tornam-se desgraçadamente inúteis quando o objetivo se esvai. Cai o príncipe, cai o solteiro. Diferente do primeiro, o segundo rí a toa ao notar que fora abandonado: por Maquiavel, pela fortuna e pela virtú...&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29965161-116925149867174128?l=oquenaointeressa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oquenaointeressa.blogspot.com/feeds/116925149867174128/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29965161&amp;postID=116925149867174128&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29965161/posts/default/116925149867174128'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29965161/posts/default/116925149867174128'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oquenaointeressa.blogspot.com/2007/01/contingncias-da-fortuna-e-o-dom-da.html' title='Contingências da Fortuna e o dom da Virtú: na política e no amor'/><author><name>Antonio Rimaci</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00779165038438976605</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29965161.post-116769976708228744</id><published>2007-01-01T21:14:00.000-03:00</published><updated>2007-01-02T14:15:02.296-03:00</updated><title type='text'>As 10 (significativas) conclusões que meu fim de ano proporcionou</title><content type='html'>1. O Natal têm de ser vivido em família. É ingênua e pueril a revolta adolescente-comunista contra o Natal, porque ela nada faz contra ele. Mas...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2. O Natal não deve ser vivido em família por ser uma festa com um sentido único e todo aquele blá blá blá religioso. Ele é, de fato, a única chance que a grande maioria de nós terá, durante todo o ano, para ver, dialogar, compartilhar histórias e rir com as pessoas que levam o nosso nome. Principalmente para rir de arrotos encaixados hiláriamente em momento nada propícios...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3. Passar o &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;reveillon&lt;/span&gt; com os amigos é uma experiência que deveria se tornar obrigatória através de um decreto-lei. Todo cidadão estaria obrigado a faze-lo, pelo menos uma vez na vida. E se ele não tivesse amigos, o governo seria obrigado a os fornecer, assim como faz com advogados de defesa para réus menos favorecidos economicamente. Sem dúvidas um mundo melhor surgiria dessa simples medida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;4. Uma viagem pode ser completamente diferente do planejado, e ainda assim ser inesquecível...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;5. É mais que um antigo clichê entre os sociólogos, a afirmação de que uma sociedade, para manter-se coesa, necessita de rarefeitos momentos de insanidade coletiva e &lt;span style="FONT-WEIGHT: bold"&gt;barbárie&lt;/span&gt;. Você só entende o quanto é importante, para os seres humanos, obter a condição de imbecil temporário quando vê isso, ao vivo e a cores. Muitas cores...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;6. O Pagode, esse estilo musical tão polêmico, apresenta relevantes sinais empíricos que apontam no sentido de defini-lo como a condição &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;sine equa non &lt;/span&gt;para a instalação do estado temporário de barbárie.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;7. Uma barbáriezinha de vez em quando não faz mal a ninguém. E é, como já foi dito, necessária, inclusive para sociólogos e pseudo-intelectuais, não necessariamente nessa mesma ordem nem muito menos excluindo um grupo do outro...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;8. O tipo pitoresco de relação amorosa empreendida nesses eventos é de grande utilidade pública. Serve, sobretudo, para que os amigos, expremidos numa casa deveras pequenina, possam rir um do outro enquanto deixam o resto da noite - que em sociedades primitivas servia para dormir - escapar do sol que surge, poderoso...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;9. Há sempre um jeitinho - não necessariamente brasileiro - para problemas muito grandes, como uma fila gigantesca. Basta estar com a pessoa certa, na hora certa, e que essa pessoa certa saiba muito bem fazer a coisa errada. "Ah, e a cidadania, meu caro?" Dirá o leitor. "E os direitos iguais dos outros que chegaram antes de você e foram lesados pela sua esperteza?" Vocês entenderão que discursos são sempre discursos. Eu entenderia se qualquer uma daquelas pessoas da fila tentassem me lesar também. Esse é um típico exemplo de como o estado de natureza - de Hobbes - é de fato o quadro da condição natural do homem, para o qual ele se volta sempre que se sente oprimido pelos direitos coletivos. Hobbes era o cara...Principalmente hoje, ele me pareceu muito importante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;10. O vivido não se perde. Os feriados acabam, o próximo dia de trabalho chega e se vai, as promessas de biz ficam mais ou menos fixadas nas memórias. Mas as experiências estarão sempre com aqueles que não as teme. Por isso, meus caros, &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;just push play&lt;/span&gt;, e deixa rolar. A dor de uma experiência negativa nunca será pior do que a frustração de não ter tentado, de não ter ficado, de não ter bebido, de não ter pulado, de não ter beijado...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;p.s.: As conclusões aqui apresentadas não são, de modo algum, questionáveis, para quem quer que seja. O dono desse blog sabe exatamente do que está falando, de modo que críticas serão sempre rasas e desnecessárias. Muito obrigado.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29965161-116769976708228744?l=oquenaointeressa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oquenaointeressa.blogspot.com/feeds/116769976708228744/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29965161&amp;postID=116769976708228744&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29965161/posts/default/116769976708228744'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29965161/posts/default/116769976708228744'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oquenaointeressa.blogspot.com/2007/01/as-10-significativas-concluses-que-meu.html' title='As 10 (significativas) conclusões que meu fim de ano proporcionou'/><author><name>Antonio Rimaci</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00779165038438976605</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29965161.post-116687938200893321</id><published>2006-12-23T09:39:00.000-03:00</published><updated>2006-12-23T10:09:42.023-03:00</updated><title type='text'>Férias, Pirro e Cinéias</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Plutarco conta que um dia Pirro estava fazendo projetos de conquista. "Vamos primeiro submeter a Grécia", dizia ele. "E depois?", disse Cinéias. "alcançaremos a África." - "Depois da África?" - "passaremos à Ásias, conquistaremos a Ásia Menor, a Árábia." - "E depois?" - "Iremos até as Índias." - "Depois das Índias?" - "Ah!" disse Pirro, "eu descansarei." - "porque", disse Cinéias, "não descansar imediatamente?"&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Cinéias parece sensato. Para que partir se é para voltar para casa? Para que começar se se deve parar? E no entanto, se não decido primeiramente parar, parece-me mais vão partir. "Não direi A", diz a criança com teimosia. "Mas por quê?" - "porque, depois disso, seria preciso dizer B."Ela sabe que se começar, jamasi terminará: depois do B, será o alfabeto inteiro, as sílabas, as palavras, os livros, os exames e a carreira; a cada minuto uma nova tarefa que a lançará à frente rumo a uma tarefa nova, sem descanso. Se isso não acaba nunca, para que começar? Até mesmo o arquiteto da torre de Babel pensava que o céu  era um teto e que um dia o tocariam. Se Pirro podia estender os limites de suas conquistas para além da terra, para além das estrelas e das mais longínquas nebulosas, até um infinito que escaparia incessantemente diante dele, seu empreendimento seria ainda mais insensato, seu esforço se dispersaria sem jamais se concentrar em nenhuma meta. Aos olhos da reflexão, portanto, todo projeto humano parece absurdo, pois ele só existe se atribui limites a si mesmo, e sempre podemos transpor esses limites, perguntando-nos com irrisão: "Por que até aqui? Por que não ir mais longe? Para quê?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;Simone de Beauvoir, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Pirro e Cinéias&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ah, férias. É nesse momento do ano que paro para refletir e analisar  do que me serviu todo o grande esforço feito durante os 365 dias passados. Simone de Beauvoir me trouxe algum conforto com essas palavras. Corremos, e corremos... e Para quê? Sempre há o que se alcançar. Estamos sempre definindo novas e novas metas, sem parar em canto nenhum... Mas haveria felicidade em parar? Também sabemos que não. Estamos condenados, enquanto seres humanos, a essa busca incessante pelo novo, por mais um degrau, sendo que o que realmente está em jogo nessa vida é o processo pelo qual chegamos a todos esses objetivos. Se não for divertido, se não for agradável, se não fizermos amigos, então nem a conquista da Ásia Menor nos será proveitosa.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas, na verdade, transcrevi o trecho por que estou no clima de Cinéias. Tenho uma semana de vagabundagem e, nela, pretendo pensar e agir como esse cidadão. É a única semana do ano em que posso fazer tudo exatamente como bem me parecer, e o farei sem exageros. Para começar, descansarei primeiro, antes de definir minhas novas metas...&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Feliz Natal para todos vocês. Não vou desejar paz nem saúde, e sim um alto poder de consumo. Sim, pois apenas quem consome é gente, nessa terra que nos faz suar desde as nove da manhã. Quem teve a chance de ir no Iguatemi, por esses dias, sabe do que estou falando...&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;Até o ano que vem, com novas metas e rumos. Não esqueçam, façam o caminho valer a pena...&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29965161-116687938200893321?l=oquenaointeressa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oquenaointeressa.blogspot.com/feeds/116687938200893321/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29965161&amp;postID=116687938200893321&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29965161/posts/default/116687938200893321'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29965161/posts/default/116687938200893321'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oquenaointeressa.blogspot.com/2006/12/frias-pirro-e-cinias.html' title='Férias, Pirro e Cinéias'/><author><name>Antonio Rimaci</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00779165038438976605</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29965161.post-116578944806094818</id><published>2006-12-10T18:51:00.000-03:00</published><updated>2006-12-10T19:24:08.093-03:00</updated><title type='text'>Porque eu só escrevo aos domingos</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Depois de um fim de semana de farra, sempre vem um domingo de maresia... Talvez, depois de um tempo,o ditado pegue tanto quanto água mole e pedra dura tanto bate até que fura. O fato é que meus domingos têm sido de profunda reflexão. O tema? Bem, o tema quase nunca é algo axiológico, filosófico, transcendental...É, na verdade, quase nunca a reflexão é importante. Hoje, por exemplo, passei alguns minutos tentando entender por que motivos os caras muito espertos da Globo deixam Fausto Silva criar quadros bizarros como o "chamando o passado" ou coisa que o valha. O quadro, para quem não teve a oportunidade única de conferir a estréia, trata-se de uma oportunidade gentilmente cedida à uma pessoa afetada emocionalmente, para que essa possa, em rede nacional, superar seu trauma voltando atrás numa decisão estúpida. É a superação midiática - espetacular da psicanálise. Sim, é Fausto Silva marcando seu nome na história.&lt;br /&gt;Bom, a estréia não poderia ser mais caquética: uma ex-aluna que, há 27 anos atrás, rejeitou um cumprimento do professor. Este queria lhe cumprimentar por uma nota A. Fausto se esforçou - de forma admirável - para convencer o público de que esse acontecimento marcou a vida da pobre mulher, de modo que ela não conseguiria sobreviver se não o superasse. Ele quase conseguiu me convencer... Foram então procurar o coitado do professor. Imaginem vocês, um professor de "estudos sociais"... Fiquei pensando como seria uma aula de estudos sociais, no ginásio, há 27 anos atrás. Com certeza essa nota A não deveria ser um motivo de orgulho para moça...&lt;br /&gt;"À historia, por favor!", pensa raivoso o leitor.. Pois sim, seja feita a sua vontade! Voltarei a ela.. A mulher do professor morre de medo da violência da cidade. Por isso, só faltou jogar água fervendo na pobre da repórter. Essa foi a primeira parte engraçada.&lt;br /&gt;A segunda, vejam vocês, foi o professor. Depois de contactado, informado do quadro, ter aceitado participar daquele joguinho ridículo de fingir que não pôde comparecer e aparecer depois quando a moça fazia um esforço deprimente para pedir desculpa perante as câmeras, o bom velhinho adimitiu que, na verdade, tinha "uma lembrança  beeeem vaga da história".&lt;br /&gt;O discurso "pela educação" que Fausto fez, logo em seguida, não conseguiu ofuscar a inutilidade intríseca do seu novo quadro. Sim, a televisão é quase sempre inútil. Contudo, ela não se torna, caro leitor, mais insuportavelmente inútil quando seus quadros não tem absolutamente nenhuma utilidade até mesmo para os protagonistas? O velhinho, simpático, não tinha nenhum motivo para estar ali. A moça, a não ser que tenha realmente ficado traumatizada pelo epsódio, também não. E eu, entorpecido pela maresia de domingo, tinha muito menos razões para ficar assistindo àquela palhaçada.&lt;br /&gt;Os defensores da televisão "popular" contra-argumentam dizendo que não adianta colocar na telinha uma programação que não expresse a vida do nosso povo, que não tem, de fato, acesso à cultura. Ele não tem, todo mundo sabe, mas ninguém tem a brilhante idéia de começar a mudar o quadro. Quem veio primeiro, o povo sem cultura ou a televisão idiota( mais uma sugestão de ditado que pode pegar. Lembra aquele do ovo e da galinha...)?&lt;br /&gt;Outra questão é: se a esse televisão é cara do nosso povo, quer dizer que somos todos fofoqueiros sádicos consumistas afetados psicologicamente? Quando formulei a questão, tinha a intenção de responde-la negativamente. Dei um salto da cadeira quando percebi que esse é, na verdade, um quadro perfeito dos cidadãos brasileiros do século XXI. Puta que pariu.. esse mundo não tem mais jeito mesmo!&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29965161-116578944806094818?l=oquenaointeressa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oquenaointeressa.blogspot.com/feeds/116578944806094818/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29965161&amp;postID=116578944806094818&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29965161/posts/default/116578944806094818'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29965161/posts/default/116578944806094818'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oquenaointeressa.blogspot.com/2006/12/porque-eu-s-escrevo-aos-domingos.html' title='Porque eu só escrevo aos domingos'/><author><name>Antonio Rimaci</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00779165038438976605</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29965161.post-116425327664978844</id><published>2006-11-23T00:31:00.000-03:00</published><updated>2006-11-23T00:43:04.346-03:00</updated><title type='text'>Quando alguém consegue dizer melhor que você mesmo o que você sente.. entendeu?</title><content type='html'>&lt;span style="font-style:italic;"&gt;" Guiou uma das mãos ao bolso&lt;br /&gt;  num desvelado esforço&lt;br /&gt;  de parecer invicto&lt;br /&gt;  &lt;br /&gt;  Carregou-a assim, temerosa por poucos mas defíceis passos&lt;br /&gt;                      de corredor&lt;br /&gt;  (dividia aleatoriamente&lt;br /&gt;  O pouco que lhe restava entre o descomunal esforço&lt;br /&gt;  De projetar-se adiante e o pulsar de idéias&lt;br /&gt;  cadavéricas que brotavam senhora em sua cabeça)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sorriu assim amarelo&lt;br /&gt;O seu sorriso mais potente&lt;br /&gt;Fez-se sólido, simpático&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  Ergueu a mesma mão&lt;br /&gt; (com dificuldade de livra-la)&lt;br /&gt;  Conseguiu olhar nos olhos &lt;br /&gt;  lentamente entregou as mais cordiais saudações de que se&lt;br /&gt;  lembrava&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; ouviu sem igual esforço as retribuições&lt;br /&gt; deu as costas e sucumbiu novamente&lt;br /&gt; ao colo mais próximo."&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                                         Marcelo Camelo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É isso gente! Isso é manipulação da impressão. Em poesia tudo fica mais belo, mais romântico e mais triste. Não conseguir ser um poeta é uma merda...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29965161-116425327664978844?l=oquenaointeressa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oquenaointeressa.blogspot.com/feeds/116425327664978844/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29965161&amp;postID=116425327664978844&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29965161/posts/default/116425327664978844'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29965161/posts/default/116425327664978844'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oquenaointeressa.blogspot.com/2006/11/quando-algum-consegue-dizer-melhor-que.html' title='Quando alguém consegue dizer melhor que você mesmo o que você sente.. entendeu?'/><author><name>Antonio Rimaci</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00779165038438976605</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29965161.post-116399480428763901</id><published>2006-11-19T23:02:00.000-03:00</published><updated>2006-11-20T00:53:24.620-03:00</updated><title type='text'>Divagações a respeito da manipulação da impressão do outro...</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não será bem um texto. Na verdade, é um pouco de desabafo... A questão é: como manipular eficientemente a impressão que as pessoas têm de você? Segundo os teóricos do interacionismo simbólico, estamos sempre procurando essa manipulação. Ela é, grosso modo, a razão de ser de muitos aspectos que envolvem as interações. Cabe aqui uma breve consideração a respeito dos papéis. O interacionismo está pautado, basicamente, na análise das interações  como se elas fossem uma grande encenação: estamos todos cumprindo diferentes papéis, em cada diálogo. Manipular a impressão é, também, convencer o outro de que você encarnou, de fato, aquele papel, e que o cumpre com total legitimidade.  É por isso que os médicos exibem seus diplomas nas paredes dos consultórios; é por isso que garotos "radicais" arriscam tolamente suas vidas para mostrar toda sua "radicalidade" a quem lhes interessar.&lt;br /&gt;Assunto recorrente desse e de outros tantos blogs, o vai e vem dos universos semânticos é um fenômeno do mundo moderno, que se acentua no mundo pós-moderno. As pessoas entram e  saem de sua vida, de uma forma tão brutal que você não consegue mais manter o mínimo de afetividade da relação, depois que ela foi superada. Tudo está mais rápido. Tudo muda mais rápido. Inclusive as pessoas. Me peguei, nesse fim de semana que melancolicamente se encerra daqui a 20 minutos, numa situação que envolvia as duas problemáticas: tinha que encaixar meu universo semântico num que há muito me era distante, o que sem dúvida envolvia uma incrível manipulação da impressão alheia.&lt;br /&gt;De fato, esse tipo de manipulação nunca me preocupou, ao menos conscientemente. Mas desta vez, estranhamente, senti uma necessidade de empreendé-la. Não há motivo racional que explique isso... Obviamente que falhei, redondamente. Falhei de um modo tão absurdo, que tive a sensação de não ter tido nem a chance de tentar... Parece que algo em mim determinou, a &lt;span style="font-style: italic;"&gt;priori&lt;/span&gt;, se eu estava ou não legitimado a interpretar o papel ao qual eu quis me ligar.&lt;br /&gt;Até que ponto se pode manipular, consciente ou inconscientemente, a impressão alheia? Qual limite entre a influência do que o ator apresenta em relação aos aspectos em que ele pode interferir, e as interpretações do interlocutor, seus conceitos e crenças, seu modo de ver o mundo, enfim, seu Eu? Questão intrigante... Claro que os aspectos visíveis, ou seja, aquilo que você apresenta antes da troca de palavras, são passíveis de interferência. Contudo, eles até explicariam um certo pé atrás do meu interlocutor, mas nunca uma opinião definitiva.. Sim, senti que uma opinião defitinitiva formou-se antes mesmo d'eu abrir a boca.&lt;br /&gt;Responder essa questão me traria o conforto da impotência perante às condições psciológicas do outro, penso. Contudo, poderia também me trazer a revolta por não ter feito o que deveria para manipular a impressão ao meu modo. Como respondê-la é impossivel, fico eu com o conforto. E no fim, concluo, friamente: " eu não queria mesmo...". Assim tudo fica mais fácil...E o sol virá amanhã. E daqui há dois dias, eu nem me lembrarei mais disso. Nem da pessoa, nem da impressão, nem do embaraço. Esquecer os embaraços o mais rapidamente possível é uma boa forma de manter o bom humor e o pensamento positivo. Viva ao pensamento positivo!&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29965161-116399480428763901?l=oquenaointeressa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oquenaointeressa.blogspot.com/feeds/116399480428763901/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29965161&amp;postID=116399480428763901&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29965161/posts/default/116399480428763901'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29965161/posts/default/116399480428763901'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oquenaointeressa.blogspot.com/2006/11/divagaes-respeito-da-manipulao-da.html' title='Divagações a respeito da manipulação da impressão do outro...'/><author><name>Antonio Rimaci</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00779165038438976605</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29965161.post-116352099003036314</id><published>2006-11-14T12:56:00.000-03:00</published><updated>2006-11-15T23:42:49.793-03:00</updated><title type='text'>"Onde está nosso Capital Social?" Ou "Porque tenho que aturar o Salvador Card"</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O título já traz o tom de minha revolta. Outro dia, no meio de uma fila quilométrica, com objetivo simplório de garantir nosso direito de ir e vir, eu e um amigo rato filosofávamos a respeito da canilhice e da acomodação do povo baiano frente a esse chute no saco chamado Salvador Card.O engraçado é que todos na fila reclamavam... Poucos ali - provavelmente nenhum - teria dado a cara à tapa de polícia como eu fizera. Reclamar é infinitamente mais fácil. Enfim...&lt;br /&gt;Revoltas-potencializadas-por-minhas-variações-hormonais à parte, é sobre essa acomodação que eu quero falar-lhes. É interessante como certas leituras podem fazer você mudar completamente de opinião sobre certos assuntos. De repente, tudo passa a fazer sentido - mesmo que seja um sentido deprimente. Quando tomei posse do livro "Capital Social", da Maria Celina D'Araújo, juro que não imaginava encontrar nele algum alento para meu sofrimento naquela fila. Mas até que essa relação é menos absurda que outras já promovidas por aqui. Essa, pelo menos, não causará rodopios no túmulo do citado ( ela provavelmente ainda está viva, espero).&lt;br /&gt;O Capital Social é a "argamassa" que une os tijolos de uma sociedade. É, grosso modo, a capacidade de manter um bom nível de confiança nas relações interpessoais, de um lado, e dessas pessoas com as instituições, de outro. Ou seja, o Capital Social, sob a segunda ótica, está diretamente ligado ao nível de civismo, ou cultura cívica da sociedade. Cabe aqui a crítica ao institucionalismo: apenas "boas" instituições não controem uma sociedade mais democrática. Sem Capital Social, as instituições viram bichos enormes, papões, dos quais não se chega perto. Siglas indecifráveis; normas incompreensíveis... Passei alguns anos de minha vida tentando entender o que significava INSS, BNDES ou UNESCO. Não se preocupem, já desisti da brincadeira...&lt;br /&gt;Portanto, falta-nos justamente o Capital Social. Quando não existe a consciência cívica, as instituições podem ser o que quiserem. Aliás, não apenas ser, mas fazer, também. Ai está o Salvador Card. Parar o trânsito incomoda; quebrar ônibus dá um certo prejuízo; diálogo entre sociedade civil organizada e instituições é a única chance de resolver, ou pelo menos amenizar as consequências que me parecem tão nefastas.&lt;br /&gt;Devo confessar, impulsionado pelo ódio discreto que alimento de mim mesmo, que o que me traz conforto em perceber a verdadeira causa da nossa inércia é, de fato, concluir que eu sozinho não posso fazer muita coisa pra mudar o quadro. A não ser, é claro, escrever e lamentar nas mesas dos bares. Mas que assim seja: se não podemos mudar miséria, que ela nos sirva, ao menos, para fazer arte...&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29965161-116352099003036314?l=oquenaointeressa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oquenaointeressa.blogspot.com/feeds/116352099003036314/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29965161&amp;postID=116352099003036314&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29965161/posts/default/116352099003036314'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29965161/posts/default/116352099003036314'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oquenaointeressa.blogspot.com/2006/11/onde-est-nosso-capital-social-ou.html' title='&quot;Onde está nosso Capital Social?&quot; Ou &quot;Porque tenho que aturar o Salvador Card&quot;'/><author><name>Antonio Rimaci</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00779165038438976605</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29965161.post-116283654760603637</id><published>2006-11-06T14:54:00.000-03:00</published><updated>2006-11-06T15:09:07.640-03:00</updated><title type='text'>Que façamos arte, pelo menos</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:130%;"&gt; Sinal Fechado&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Chico Buarque&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Composição: Paulinho da Viola&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;– Olá! Como vai?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;– Eu vou indo. E você, tudo bem?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;– Tudo bem! Eu vou indo, correndo pegar meu lugar no futuro... E&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;você?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;– Tudo bem! Eu vou indo, em busca de um sono tranqüilo...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Quem sabe?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;– Quanto tempo!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;– Pois é, quanto tempo!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;– Me perdoe a pressa - é a alma dos nossos negócios!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;– Qual, não tem de quê! Eu também só ando a cem!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;– Quando é que você telefona? Precisamos nos ver por aí!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;– Pra semana, prometo, talvez nos vejamos...Quem sabe?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;– Quanto tempo!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;– Pois é...quanto tempo!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;– Tanta coisa que eu tinha a dizer, mas eu sumi na poeira das&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;ruas...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;– Eu também tenho algo a dizer, mas me foge à lembrança!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;– Por favor, telefone - Eu preciso beber alguma coisa,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;rapidamente...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;– Pra semana...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;– O sinal...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;– Eu procuro você...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;– Vai abrir, vai abrir...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;– Eu prometo, não esqueço, não esqueço...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;– Por favor, não esqueça, não esqueça...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;– Adeus!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;– Adeus!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;– Adeus!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Engraçada essa nossa sociedade. O mundo virtual destruiu a necessidade da exposição pública como passo inevitável da conquista amorosa. Meu pai, quando queria paquerar, provavelmente tinha como única alternativa ir à praça no domingo espiar as moças bonitas, quem sabe até falar com elas, conversar banalidades... Um processo árduo, sem dúvida. Contudo, hoje ninguém precisa mais fazer isso. A internet resolve tudo para nós. Para os mais discretos, existem sites com milhões e milhões de perfis de mulheres e homens ideais para alguém. Basta escolher e clicar, como se estivessem disponíveis numa prateleira de supermercado. Para os mais pobres e menos inibidos, basta entrar no maravilhoso mundo do orkut, onde milhões e milhões de perfis, todos tipos ideais orkutianos ( adotei a expressão de alguém...) estão lá, à distância de um clique, e "de graça". As distâncias estão indubitavelmente mais curtas. &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Agora, o paradoxo: do que adianta toda essa facilidade tecnológica se as pessoas, a exemplo da música do Chico, não têm tempo para amar? Estamos todos correndo tanto que, até mesmo quem não está, se sente constragido em assumir... O amor se restringe a encontros de sábado a noite, cumprimentos ligeiros nos corredores, conversas no sinal fechado...O preço de se diminuir virtualmente as distâncias, é tornar as relações que provém dessa diminuição essencialmente virtuais, também.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;Se é triste? Sim, é. Mas confesso que, para mim, enquanto nos lamentarmos em forma de arte, como fizeram Chico e Paulinho, ainda valerá a pena tentar...&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29965161-116283654760603637?l=oquenaointeressa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oquenaointeressa.blogspot.com/feeds/116283654760603637/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29965161&amp;postID=116283654760603637&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29965161/posts/default/116283654760603637'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29965161/posts/default/116283654760603637'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oquenaointeressa.blogspot.com/2006/11/que-faamos-arte-pelo-menos.html' title='Que façamos arte, pelo menos'/><author><name>Antonio Rimaci</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00779165038438976605</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29965161.post-116146111558659309</id><published>2006-10-21T15:55:00.000-03:00</published><updated>2006-10-21T17:06:49.563-03:00</updated><title type='text'>Sobre a riqueza do pagode e os não-lugares</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ando as voltas com um certo conceito, o qual me foi apresentado por uns amigos ratos. O mais interessante das discussões pós-modernas, ao meu ver, é a possibilidade de enxergar os fenômenos descritos ali na esquina de sua rua, ou na frente de sua tv. Não que as outras teorias sociais não sejam empiricamente observáveis, muito menos que seja o empiricamente observável um critério de avaliação da qualidade de uma dada teoria,  mas confesso que tenho me divertido bastante ultimamente tentando ver como categorias pós-modernas são extremamente mais plausíveis para nossa sociedade que as categorias modernas. Enfim, vou encerrar essa parte chata, que é compreensível apenas para aqueles amigos ratos...&lt;br /&gt;O conceito ao qual me referi é o de não-lugar. Ele me incomodou tanto, que acabei usando de fundos indisponíveis(rs) para comprar o livro "Não-Lugares: Introdução a uma antropologia da supermodernidade", de Marc Augé. Bom, vamos à definição do próprio Augé:&lt;br /&gt;"Se um lugar pode se definir como identitário, relacional e histórico,um espaço que não pode se definir nem como identitário, nem como relacional, nem como histórico definirá um não-lugar." Ou, de forma poética:&lt;br /&gt;"Hoje, não é nos locais superpopulosos, onde se cruzam, ignorando-se, milhares de itinerários individuais, que subsiste algo do encanto vago dos terrenos baldios e dos canteiros de obras, das estações e das salas de espera, onde passos se perdem, de todos os lugares de acaso e de encontro, onde se pode sentir de maneira fugidia a possibilidade mantida de aventura, o sentido de que só tem que "deixar acontecer"?"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O não-lugar é aquele onde  o individuo supermoderno não precisa entender, conhecer ou relacionar. É o lugar efêmero, onde todos passam ao mesmo tempo,juntos e sozinhos, numa grande maré de individuos solitários. Você não precisa Ser no não lugar. Lá, você será apenas mais um na multidão, um que passa, que consome ou não, e que vai embora, sem interessar a ninguém de onde veio, e para onde vai. Nesse sentido, o não-lugar é, sobretudo, um enorme desafio à análise antropológica. Mas isso é assunto para um novo post. Eu queria dizer que, ontem, estava eu num desses não-lugares: a estação pirajá. Esse é o mais gritante não-lugar por onde tenho passado ultimamente. Lá eu chego, entro na fila, e pego meu ônibus. Poucas vezes olhei para o lado, por lá. Apenas lá me sinto tão só num lugar tão cheio de gente. Mas ontem, algo pertubou a ordem: um grupo de pagodeiros dançavam, cantavam e riam descontraidamente, na fila ao lado.&lt;br /&gt;O curioso é que, num momento em que o não-lugar deixa de o ser para um grupo específico, ele deixa simultaneamente de o ser para todo o resto. Brotaram ali sentimentos de afinidade e repulsa: senhoras evangélicas reuniram na fila, para comentarem umas com as outras que o mundo está realmente acabando; mulheres jovens da fila, cochicaram umas com as outras, analisando os bumbuns dos caras; Outros, como eu, apenas riram da situação. O que se viu foi a criação de um novo ambiente, onde um grupo sentia-se perfeitamente situado num espaço onde poderia colocar para fora suas formas de expressão cultural, e nesse dado instante todo o não-lugar se transformou em algo novo, e portanto, num lugar. Ainda que seja sob a ótica das senhoras evangélicas, aquele lugar ganhou o sentido de não ser o apropriado para aquela manifestação. A partir do momento em que se atribui um sentido ao não-lugar, que não o de servir de passagem de átomos isolados e, mais ainda, quando esse sentido é compartilhado por outros, o não-lugar é significado, e transforma-se num lugar.&lt;br /&gt;De certo, grande parte dessa transformação repentina pode ser atribuida ao fato de estarmos numa sociedade não totalmente pós-moderna, onde resquícios da pessoalidade provinciana permanecerá por um bom tempo. Contudo, creio firmemente que os não-lugares nunca o são completamente...A possibilidade de transformá-los em lugar está ao alcance, ainda que, como nesse caso, a coerção seja nada tácita. Quão menos fria, e menos triste, seria uma sociedade com cada vez menos não-lugares? me pus a pensar... Apesar de questionar profudamente a qualidade das rimas dos caras, e de entender muito pouco do que elas queriam dizer além das piadas sobre sexo, nunca me diverti tanto naquela estação, como ontem...&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29965161-116146111558659309?l=oquenaointeressa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oquenaointeressa.blogspot.com/feeds/116146111558659309/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29965161&amp;postID=116146111558659309&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29965161/posts/default/116146111558659309'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29965161/posts/default/116146111558659309'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oquenaointeressa.blogspot.com/2006/10/sobre-riqueza-do-pagode-e-os-no.html' title='Sobre a riqueza do pagode e os não-lugares'/><author><name>Antonio Rimaci</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00779165038438976605</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29965161.post-116018560297454961</id><published>2006-10-06T22:27:00.000-03:00</published><updated>2006-10-06T22:50:06.486-03:00</updated><title type='text'>Inocência juvenil...</title><content type='html'>&lt;em&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;"Morena, dos olhos puxados&lt;br /&gt;Riqueza de olhar...&lt;br /&gt;Negra cor dos cabelos, um brilho sem par&lt;br /&gt;As pernas cruzadas, linda, a pensar&lt;br /&gt;Em quê? não se sabe,não importa falar&lt;br /&gt;O que é dito é sentido&lt;br /&gt;contramão ao verbalizar&lt;br /&gt;Um sorriso perfeito, surge de lá&lt;br /&gt;O contraste é sublime&lt;br /&gt;O branco dos dentes, o açai dos lábios&lt;br /&gt;Um convite ao beijar&lt;br /&gt;Beijá-la não posso. Eu aqui, ela lá&lt;br /&gt;Contemplá-la, o que resta&lt;br /&gt;faze-lo-ei até cansar..."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Escrito por mim mesmo, há algum tempo. É incrível como somos extremamente bobocas na adolescência. E é uma prova ainda maior de imbecilidade termos saudades daquelas sensações. A morena nunca me deu bola. O sorriso nunca fora pra mim. E eu passava horas fantasiando...Gastando folhas de caderno com poemas infantis e perdendo aulas que provavelmente teriam uma importância muito maior que suspirar pelo monumento de cabelos negros. Mas era ali, sentindo que tinha um mundo a desvendar, que me sentia verdadeiramente vivo. Construi uma justificativa para explicar minha atual e repugnante vontade de sentir isso novamente. Sim, o prazer no sofrimento é completamente humano...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29965161-116018560297454961?l=oquenaointeressa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oquenaointeressa.blogspot.com/feeds/116018560297454961/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29965161&amp;postID=116018560297454961&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29965161/posts/default/116018560297454961'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29965161/posts/default/116018560297454961'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oquenaointeressa.blogspot.com/2006/10/inocncia-juvenil.html' title='Inocência juvenil...'/><author><name>Antonio Rimaci</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00779165038438976605</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29965161.post-115979213023245134</id><published>2006-10-02T09:08:00.000-03:00</published><updated>2006-10-02T12:17:54.803-03:00</updated><title type='text'>O que dizer das eleições?</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/6578/3204/1600/%7B7491AD5D-A711-4870-B0B5-24FBC57147B9%7D_jacques_wagner155x95.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/6578/3204/320/%7B7491AD5D-A711-4870-B0B5-24FBC57147B9%7D_jacques_wagner155x95.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;As eleições na Bahia apresentaram, certamente, a maior surpresa que poderia acontecer, em todo o país. Jacques Wagner, candidato ligado da dita "banda podre" do PT, a galera de Dirceu e Berzoinni, chega ao governo do Estado de forma heróica, derrotando um adversário que já dizia, por volta das cinco da tarde do domingo, que a eleição deveria se decidir no primeiro turno. Ele acertou, sim, mas errou tragicamente o vencedor...&lt;br /&gt;Impérios sempre caem. Dizem que quanto maior o tamanho, maior a queda. Contudo, a dinastia Carlista já apresentava, há algum tempo, sinais de estado terminal: perdeu inúmeras prefeituras no interior do estado; a eleição de Lula diminuiu seu poder de barganha frente ao governo federal; e o mais claro deles, perdeu a prefeitura da capital de forma humilhante. Ainda assim, perder o governo do Estado nessa eleição é uma derrota inédita, devido as circunstâncias, e que pode trazer prejuizos imensuráveis. Primeiro, porque o governo do estado era o último reduto de poder formal do carlismo. Segundo, porque Paulo Souto aparecia como possível sucessor do "cabeça branca", articulando os partidários em sua volta e tentando construir uma força política na base da submissão total dos aliados, nos moldes do seu "mestre". Agora a situação muda, e Paulo Souto terá de mostrar a mesma competência do seu "criador", quando esse se viu sem nenhum poder nas mãos, em meados dos anos 80. Sua volta foi triunfal.. Vejamos o que poderá articular Seu pretenso sucessor.&lt;br /&gt;No cenário nacional, a disputa acirra-se. Lula cometeu um erro fatal em não ir ao debate, e acabou levando a decisão para o segundo turno. Claro está que, apesar de não assitir aos debates, o povo choca-se em saber que Lula faltou. Pode-se dizer que o povo brasileiro não analisa as propostas nem procura saber da história política e orientações ideológicas dos candidatos, mas nunca passará batida a "covardia". O pensamento político do nosso povo é eminentemente moralista.&lt;br /&gt;Vejamos agora que tipo de governo fará Wágner. Esse já está um passo a frente do nosso atual prefeito, quando não construiu uma aliança gigantesca e obviamente inoperante.Terá que torcer para uma vitória do Lula no plano nacional e, sobretudo, para que não caia nenhum novo escândalo sobre a honra de seu partido, e consequentemente, sobre a sua honra.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29965161-115979213023245134?l=oquenaointeressa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oquenaointeressa.blogspot.com/feeds/115979213023245134/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29965161&amp;postID=115979213023245134&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29965161/posts/default/115979213023245134'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29965161/posts/default/115979213023245134'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oquenaointeressa.blogspot.com/2006/10/o-que-dizer-das-eleies.html' title='O que dizer das eleições?'/><author><name>Antonio Rimaci</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00779165038438976605</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29965161.post-115919723586890117</id><published>2006-09-25T11:59:00.000-03:00</published><updated>2006-09-25T17:14:37.456-03:00</updated><title type='text'>Para o amor, as minhas sem razões</title><content type='html'>&lt;strong&gt;As sem Razões do Amor&lt;/strong&gt; &lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;br /&gt;Eu te amo porque te amo.&lt;br /&gt;Não precisas ser amante,&lt;br /&gt;e nem sempre sabê-lo.&lt;br /&gt;Eu te amo porque te amo.&lt;br /&gt;Amor é estado de graça&lt;br /&gt;e com amor não se paga.&lt;br /&gt;Amor é dado de graça,&lt;br /&gt;é semeado no vento,&lt;br /&gt;na cachoeira, no elipse.&lt;br /&gt;Amor foge a dicionários &lt;br /&gt;e a regulamentos vários.&lt;br /&gt;Eu te amo porque não amo&lt;br /&gt;bastante ou demais a mim.&lt;br /&gt;Porque amor não se troca,&lt;br /&gt;não se conjuga nem se ama.&lt;br /&gt;Porque amor é amor a nada,&lt;br /&gt;feliz e forte em si mesmo.&lt;br /&gt;Amor é primo da morte,&lt;br /&gt;e da morte vencedor,&lt;br /&gt;por mais que o matem (e matam)&lt;br /&gt;a cada instante de amor.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                           Carlos Drumond de Andrade&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amor foge a dicionários...E foge, igualmente, das explicações racionais para sua presença, ou ausência repentina. É ainda mais amor, no sentido de Drumond, quando submete um quinhão seu a não-existência inexplicável, enquanto mantém viva uma parte, a qual faz sofrer imensamente o novo não-amante. E se cada instante o mata, porque então sofrer quando chega-se ao instante derradeiro? &lt;br /&gt;O amor é imponente e opressor, na medida em que aquele que duvida de sua eternidade  é obrigado a conviver com a dor do outro, que o cultua e o dá uma explicação metafísica que é, em si mesma, vazia. O amor é a instância derradeira do encantamento do mundo. Mas o fogo que arde sem se ver queima a carne, e faz o mais novo não-amante se sentir culpado por não mais sentir essa dor...E que a carne do outro pare de arder, torna-se seu mais novo objetivo. O amor é cruel, sádico, quando deixa a casa, mas não leva seu chapéu...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29965161-115919723586890117?l=oquenaointeressa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oquenaointeressa.blogspot.com/feeds/115919723586890117/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29965161&amp;postID=115919723586890117&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29965161/posts/default/115919723586890117'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29965161/posts/default/115919723586890117'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oquenaointeressa.blogspot.com/2006/09/para-o-amor-as-minhas-sem-razes.html' title='Para o amor, as minhas sem razões'/><author><name>Antonio Rimaci</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00779165038438976605</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29965161.post-115665293488242035</id><published>2006-08-27T00:37:00.000-03:00</published><updated>2006-08-27T01:28:54.956-03:00</updated><title type='text'>Psirico's Way of Life</title><content type='html'>Era uma quarta-feira. Manhã quente, ônibus cheio. Em minha cabeça passavam milhões de fragmentos de idéias, desde minhas obrigações diárias à questões da geopolitica global. Tudo junto, num arranjo que não pode ser expressado verbalmente. Estava eu a analisar a pouca segurança que me oferecia o disputado lugar frente a porta de embarque no ônibus, naquele reduto reservado aos famigerados "traseiristas", quando a cena surgiu e eu pude contemplá-la. &lt;br /&gt;Era um ponto de ônibus. As pessoas entediadas como sempre. Os vendedores nos seus lugares, talvez menos animados devido aos poucos minutos de sol vividos, já que era bem cedo. O peculiar da cena estava a uma simples virada de cabeça de distância dos meus olhos embaçados: lá estava ele, o pregador-mala-sem-alça da vez. &lt;br /&gt;Sim, é desses caras mesmo que estou falando. Daqueles que soltam berros apaixonados alertando sobre a urgência de entregar nossas vidas ao senhor Jesus. Não vou discutir aqui doutrina religiosa. Isso definitivamente não está em pauta. Trazendo o fenômeno pro plano da racionalidade, é discutível a idéia de que é possível se fazer ouvir quando os gritos causam um incômodo tão grande que fecham os ouvidos de quem os ouve para os sentidos das palavras expressadas. Enfim... Mas isso não tem nada de novo. A novidade é que o "Psirico's way of life" chegou e se encaixou definitivamente nas vidas dos nosso pregradores: O senhor de paletó segurava, tranquilamente, um megafone que exponenciava seus gritos, os quais já estavam longe de serem impotentes. "Mas será o impossível?" balbuciou meu companheiro de traseira. "Agora esses miserave levam umas bifa!", o outro, mais acima, respondeu.&lt;br /&gt;Fiquei pensando. É alarmante como o radicalismo religioso, de qualquer espécie, tende a desrespeitar categoricamente as mínimas regras de convivência social. Os evangélicos têm como principal tarefa pregar seu evangelho por todos os quatro cantos do mundo, ok. Mas precisam invadir com tamanha violência o silêncio matinal daqueles que terão um dia duro no trabalho, faculdades, etc.? Possivelmente, ninguém seja salvo nessas investidas. Talvez o objetivo não seja esse mesmo. Talvez seja tudo uma grande encenação, pra vê se Deus reconhece e salva o dito cujo. Aqui entre nós, não seria no mínimo pouco inteligente querer enganar logo Deus?&lt;br /&gt;E depois queremos demonizar os mulçumanos pelo terrorismo. Nos esquecemos que lá a causa é também doutrinária, e igualmente legítima: a manutenção da fé através do seguimento irrestrito da doutrina do Al Corão. Seguir a doutrina justifica os métodos empregados? Deveríamos cuidar do nosso próprio quintal, antes de dizer que a varanda do vizinho fede a cocô, né não? Mas ai tive que concluir o pensamento. Já estava na porta da sala, abrindo-a para entrar num outro universo. Deixei a resolução dos problemas do mundo pra outra hora...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29965161-115665293488242035?l=oquenaointeressa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oquenaointeressa.blogspot.com/feeds/115665293488242035/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29965161&amp;postID=115665293488242035&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29965161/posts/default/115665293488242035'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29965161/posts/default/115665293488242035'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oquenaointeressa.blogspot.com/2006/08/psiricos-way-of-life.html' title='Psirico&apos;s Way of Life'/><author><name>Antonio Rimaci</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00779165038438976605</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29965161.post-115627620180305813</id><published>2006-08-22T16:41:00.000-03:00</published><updated>2006-08-22T16:50:01.836-03:00</updated><title type='text'>Perderam a chance de ficar calado/a....</title><content type='html'>&lt;em&gt;O Papa confidenciou a uma multidão de 600 mil pessoas (...) &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;No Jornal Nacional, da TV Globo, em abril de 2006&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Veja a seguir: livre da prisão, Gil Rugai está solto (...) &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;No Jornal da Globo, em abril de 2006&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Estudar é bobagem.&lt;/em&gt; &lt;br /&gt;[João Uchôa Cavalcanti Netto, empresário, dono da faculdade Estácio de Sá. 2001]&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;em&gt;Não gostaria que minha filha namorasse um negro. Não quero ter de passar henê no cabelo do meu neto.&lt;/em&gt; &lt;br /&gt;[Cláudia Lúcia, dona de casa que participou do programa 'No Limite'. 2001] &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;"Não paro de crescer como cantora e compositora". &lt;/em&gt;[Tiazinha, sobre a própria 'carreira'. 2001] &lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;br /&gt;"Não precisa ter dez cherokees, nem dez casas, uma só basta, não precisa ter toda esta luxúria".&lt;/em&gt; [Núbia Olive, confundindo pecados capitais na 'Casa dos Artistas'. 2001] &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"&lt;em&gt;Não sou 'projetada': a coxa é minha, o abdome também. Até o peito é meu. Eu comprei ele".&lt;/em&gt; [Joana Prado, a Feiticeira, setembro de 2000] &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;"O governo devia melhorar as condições humanas do ser humano". &lt;/em&gt;[Alice Tamborindeguy, deputada estadual (RJ) enfática] &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;"O pessimista é aquele que quer te desencorajar porque ele também não tem coragem. Então, ao invés de adquirir coragem ele quer que você adquira covardia". &lt;/em&gt;[Olavo de Carvalho, em auto-referência] &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;"Político não pode ter a mesma freqüência sexual de uma pessoa normal. Temos de viver política 24 horas por dia". &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;[César Maia, em palestra para membros do PTB (1999)]&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E essas, caros leitores, são as minhas preferidas. Com vocês, George W. Bush:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Os países em desenvolvimento com imensas dívidas externas devem pagá-las com terra, com riquezas. Que vendam suas selvas tropicais.&lt;/em&gt; &lt;br /&gt;George W. Bush, candidato à presidência dos Estados Unidos, em debate com Al Gore, Washington, 2000&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Existe uma ligação entre a Al Caeda e Saddam Hussein. Vocês sabem por que? Porque eu estou dizendo para vocês. &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;George W. Bush, após a divulgação, em 2004, do resultado da Comissão Federal que investiga os atentados do 11 de Setembro, comprovando-se que não havia nenhuma ligação entre a Al Caeda e Saddam&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;É incrível que eu tenha vencido. Concorria contra a paz, prosperidade e boa administração! &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;George W. Bush, 14 de junho de 2001, em conversa com o primeiro-ministro da Suécia, Goran Perrson, sem saber que uma câmera de TV continuava gravando, ao vivo. Relato de Michael Moore no livro 'Stupid White Men', primeira página.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essas são só algumas. Para mais boas risadas, acessem: www.consciencia.net. Aliás, a ele dou os créditos dessa singela postagem.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29965161-115627620180305813?l=oquenaointeressa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oquenaointeressa.blogspot.com/feeds/115627620180305813/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29965161&amp;postID=115627620180305813&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29965161/posts/default/115627620180305813'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29965161/posts/default/115627620180305813'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oquenaointeressa.blogspot.com/2006/08/perderam-chance-de-ficar-caladoa.html' title='Perderam a chance de ficar calado/a....'/><author><name>Antonio Rimaci</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00779165038438976605</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29965161.post-115543686077597130</id><published>2006-08-12T23:19:00.000-03:00</published><updated>2006-08-12T23:41:00.846-03:00</updated><title type='text'>Mais Gregório, porque faz bem!</title><content type='html'>Observando a passagem de Regina Casé por nossa bela cidade, pude perceber reações as mais estranhas. É incrível que grande parte das pessoas que me cercam tenham ficado horrorizadas com o quadro de nossa terra pintado (de forma estranhamente interessante, vindo da Globo...) pelo programa "Central da Periferia". Interessante notar que a pequena burguesia baiana se sente "prejudicada" ao ver suas "vergonhas" exibidas, e em rede nacional. As "barbaridades" que nos ficam escondidas, por detrás dos morros, na cidade baixa - em quase todos os sentidos - não podem servir para ilustrar a nossa Bahia. Trata-se de deixar claro, para todo o país: "A Bahia não é isso não,pô!". &lt;br /&gt;Esse retrato pode ser ampliado, e esse comportamento mediocremente burguês visto como inerente à toda burguesia nacional,esta que vive com os olhos voltados para o norte. Nossa elite está sempre exaltando o que vem de fora. Sempre achando belo, bem feito, civilizado, o que está lá fora. Desta forma reproduzem o velho lema que data da época da colonização, uma típica herança ibérica: suga-se tudo que tem aqui, e assim aproveita-se uma vida digna num país já pronto, oras.Dá muito menos trabalho que consertar e arrumar este país aqui. Gregório de Matos não me deixa mentir. Aqui estão seus versos que, apesar de antigos, continuam bastante pertinentes:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Senhora Dona Bahia&lt;br /&gt;nobre e opulenta cidade,&lt;br /&gt;madrasta dos Naturais,&lt;br /&gt;e dos Estrageiros madre.&lt;br /&gt;Dizei-me por vida vossa,&lt;br /&gt;em que fundais o ditame&lt;br /&gt;de exaltar os que aí vêm,&lt;br /&gt;e abater os que ali nascem?&lt;br /&gt;SE o fazeis pelo interesse,&lt;br /&gt;de que os estranhos vos gabem,&lt;br /&gt;isso os Paisanos fariam&lt;br /&gt;com duplicadas vantagens.&lt;br /&gt;E suposto que os louvores&lt;br /&gt;em boca própria não cabem,&lt;br /&gt;se tem força esta sentença,&lt;br /&gt;mor força terá a verdade.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E assim vamos indo, achando absurda a musicalidade da Liberdade... Triste quadro.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29965161-115543686077597130?l=oquenaointeressa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oquenaointeressa.blogspot.com/feeds/115543686077597130/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29965161&amp;postID=115543686077597130&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29965161/posts/default/115543686077597130'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29965161/posts/default/115543686077597130'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oquenaointeressa.blogspot.com/2006/08/mais-gregrio-porque-faz-bem.html' title='Mais Gregório, porque faz bem!'/><author><name>Antonio Rimaci</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00779165038438976605</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29965161.post-115506579595857924</id><published>2006-08-08T15:52:00.000-03:00</published><updated>2006-08-08T20:37:56.906-03:00</updated><title type='text'>Só se vê na Bahia?</title><content type='html'>As eleições se aproximam. Nos vemos, mais uma vez, em frente a um mar de absurdos: candidatos, coligações, propostas, noticias, funcionamento do congresso. Todos absurdos, de fato, mas que já nos parecem incrivelmente comuns. Sim, comuns! Que de nós fica  espantado com um novo escândalo no congresso? quem se preocupa com o fato do principal rival do obscuro governo Lula ser um católico radical ligado à Opus Dei, e que mantém um discurso que beira o facismo no que tange à luta contra a violência, por exemplo? Pois é, a inércia e o ostracismo são as respostas mais confortáveis que os cidadãos do século XXI puderam encontrar. O não-espanto, a não-revolta, frente à uma conjuntura política que, logicamente, deveria levar a um comportamento oposto. Há ainda quem critique a campanha da MTV, a favor do voto nulo... Entendo que é mais válido defender alguma coisa - ainda que seja o discutível voto nulo - do que não defender absolutamente nada.&lt;br /&gt;Enfim, dentro do contexto do não-espanto, me debrucei sobre um vídeo que tem rolado na net, onde a "baianidade encarnada", o famigerado ACM, defende, sem nenhuma sombra de vergonha, que as forças armadas "atuem" e defendam a "soberia nacional". É uma coisa tão descarada que deve fazer os sobreviventes da nossa ditadura sentirem novamente aqueles calafrios ao lebrarem da tortura...Como é possível que esse tipo de discurso ainda sobreviva no nosso país? O que faz com que um ator político  toque num assunto aparentemente "inapropriado" e saia ileso, sem nem ao menos uma puxãozinho de orelha? Aqui na Bahia, onde ele construiu seu império, inclusive dominando a imprensa, nada disso tem importância: ACM é o rei, não importa o que ele diga. Se ele falou, é o melhor pra Bahia...Mas essa é apenas uma das causas.&lt;br /&gt;Primeiro, porque aqui nada mais espanta. Uns roubam, outros usam a máquina pública em beneficio pessoal, e outros defendem ditaduras, ué... Aqui vale tudo.&lt;br /&gt;Antes que se caia no lugar (e erro) comum de afimar que " o coronel sempre volta as suas origens", é mister entender que ACM nunca foi coronel. Antes disso, sempre foi um ator politico dos mais competentes, que soube absorver a conjuntura e agir de modo a fazer com que ela lhe favorecesse. Foi assim na ditadura, foi assim no nascimento do Brasil neoliberal. &lt;br /&gt;Mas o que explica o comportamento do nosso ancião, afinal? Talvez seja saudade dos tempos das rédeas curtas. Talvez seja um sintoma de sua desconexão com a atual conjuntura política, indicando que uma aposentadoria está próxima. A mim me parece, sem sombras de dúvidas, que ele falou por que acha que pode falar, que ninguém irá questiona-lo e que ainda poderá angariar algum prestígio frente à setores pouco críticos da burguesia nacional. É triste, mas tudo leva a concluir que, se o que o motivou foi o  último motivo, ele está cheio de razão...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29965161-115506579595857924?l=oquenaointeressa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oquenaointeressa.blogspot.com/feeds/115506579595857924/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29965161&amp;postID=115506579595857924&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29965161/posts/default/115506579595857924'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29965161/posts/default/115506579595857924'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oquenaointeressa.blogspot.com/2006/08/s-se-v-na-bahia.html' title='Só se vê na Bahia?'/><author><name>Antonio Rimaci</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00779165038438976605</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29965161.post-115393687920324711</id><published>2006-07-26T15:00:00.000-03:00</published><updated>2006-07-26T15:12:57.230-03:00</updated><title type='text'>Falando em humanidades....</title><content type='html'>É curioso como nós, seres humanos - esse bicho que não tem nenhuma instância do comportamento determinada geneticamente ( isso é comprovado, cientificamente. portanto, não questionem!)e precisa aprender praticamente a totalidade do seu comportamento social - podemos agir de maneiras diversas: da crueldade ao autruismo desinteressado; do amor fraterno à guerra irracional. Vejam que belos exemplos de comportamento naturalmente humano, mas socialmente condenável:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=r8yPeYdA_hQ&amp;search=Reginaldo%20Holifield"&gt;Aqui&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=FbFVBiGuQlU"&gt; E aqui.&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que sacanagem, esse ultimo, não?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29965161-115393687920324711?l=oquenaointeressa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oquenaointeressa.blogspot.com/feeds/115393687920324711/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29965161&amp;postID=115393687920324711&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29965161/posts/default/115393687920324711'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29965161/posts/default/115393687920324711'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oquenaointeressa.blogspot.com/2006/07/falando-em-humanidades.html' title='Falando em humanidades....'/><author><name>Antonio Rimaci</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00779165038438976605</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29965161.post-115392959831385893</id><published>2006-07-26T12:11:00.000-03:00</published><updated>2006-07-28T14:48:20.506-03:00</updated><title type='text'>a Era do Gelo e a Era do Aquecimento Global...</title><content type='html'>Pode parecer estranho, mas A Era do Gelo II é o melhor filme dentre os que assisti nessas ultimas semanas. Não pela história em si. Não pelo esquilozinho, coitado, que sofre horrores pra salvar sua comida. Mas sim pelo interessante conceito de personalidade que o filme ( intencionalmente ou não) traz.Não quero tirar a graça da surpresa daqueles que ainda pretendem ver a animação. Basta dizer que, na história, uma Mamute tem a convicção, a plena convicção, de que é um gambá.  Obvio que se trata de um detalhe que retoca o humor de historinha infantil, mas não é só isso. Não passa de um detalhe para quem não procura pêlo em ovo ou agulha no palheiro, como esse que vos fala. &lt;br /&gt;Em primeiro lugar, é um universo em que os animais raciocinam, dialogam, e refletem sobre sua condição de existência, e os amigos devem saber que no nosso "mundo real" apenas um animal carrega esse fardo: nós, esses bichos esquisitos, sem pêlos e garras, que não têm nenhum outro dom mais útil que o seu cérebro enorme. Animais que são psicologicamente humanos, possuem necessidades psiquícas humanas, é claro. Posso afirmar, com toda a certeza que uma pessoa pode ter, que Mamutes não alimentavam quaisquer dúvidas a respeito de sua "mamutilidade", como nenhum cachorro duvida que é cachorro. É muito mais fácil pra eles, porque seu &lt;em&gt;pool&lt;/em&gt; genético responde todas essas questões supérfulas possibilitando sua concentração na sobrevivência, pura e simples. A preocupação do nosso mamute confuso nada mais é que um reflexo do carater humano que as animações em geral tem que dar aos aminais e outros seres. Nós, humanos, &lt;strong&gt;necessitamos&lt;/strong&gt; responder, de imediato, algumas questões: o que estamos fazendo aqui? para onde vamos depois daqui? o que é certo fazer por aqui? e ainda, quem sou eu, o qual o meu papel aqui? Essa é a questão que o mamute responde no filme de um jeito, digamos, peculiar.&lt;br /&gt;Essas respostas foram sempre dadas ao longo da história, em cada tempo e em cada sociedade, de formas singulares. Hoje em dia, o conceito de "eu" está desenvolvido no seu máximo. Somos talvez a primeira sociedade na historia desse planeta que consegue defender a idéia ( pelo menos ideologicamente) de que cada individuo é único, tem valores e qualidades idiossincráticas, e, portanto, deve ser livre de amarras e limitações. "seja autêntico", " faça seu estilo", são coisas que se ouve frequentemente hoje em dia, talvez mais até que "bom dia" ou "obrigado". Trazem uma ideia de personalidade tão individualizada  quanto possível, e isso acaba tendo duas consequências "vantajosas": milhões e milhões de "estilos próprios" para o mercado de roupas, musicas, livros etc, preencherem; Uma despolitização e falta de percepção de um mundo social, da articulação dos interesses, que trava qualquer tipo de ação "subversiva", organizada e em massa, contra os absurdos do mundo capitalista. Para apoiar tão concepção, a desenvolvimento de "explicações" genéticas para as ações, estilos e prefências individuais servem como referência científica. É interessante como tudo isso, todas essas respostas, que são socialmente construidas e individualmente compreendidas, ganham um ar de naturalidade, quando o são, de fato, escolhas arbitrárias de um animal que precisa simbolizar para conseguir viver. A medida dessa arbitrariedade torna-se visível quando constata-se que essa liberdade ou singularidade do individuo é uma grande mentira. Estamos todos sujeitos as leis e normas sociais e, em certa medida, somos muito mais parecidos que diferentes. Apenas queremos acreditar que somos únicos, "eu mesmo", assim como o mamute quis crer que era um gambá.  Enxergar que tal processo é arbitrariamente humano, é o primeiro passo para diminuir sua fatalidade e interferir nessa inércia que se tornou a sociedade ocidental. É o primeiro passo para entendermos  que essa forma de significar a realidade ( não discuto se ela é boa ou ruim. Não é ela quem precisa mudar, e sim as consenquências que ela traz)não pode estar pautada numa áurea de naturalidade que nos impessa de agir de forma mais socialmente articulada.&lt;br /&gt;Agora eu pergunto, caro leitor, você está pronto para rever esses conceitos? não, claro que não. Ninguém está, nem mesmo eu, que escrevo essas bobagens. É por isso que esse mundo não tem mais jeito... Você acha que tem??&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29965161-115392959831385893?l=oquenaointeressa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oquenaointeressa.blogspot.com/feeds/115392959831385893/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29965161&amp;postID=115392959831385893&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29965161/posts/default/115392959831385893'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29965161/posts/default/115392959831385893'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oquenaointeressa.blogspot.com/2006/07/era-do-gelo-e-era-do-aquecimento.html' title='a Era do Gelo e a Era do Aquecimento Global...'/><author><name>Antonio Rimaci</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00779165038438976605</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29965161.post-115327057694019247</id><published>2006-07-18T21:54:00.000-03:00</published><updated>2006-07-18T21:56:16.946-03:00</updated><title type='text'>Falando por música II - O terror em São Paulo....</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Brixton, Bronx ou Baixada&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;O Rappa&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Composição: Marcelo Yuca, Nelson Meirelles, Xandão / Marcelo Falcão / Marcelo Lobato&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que as paredes pichadas têm prá me dizer&lt;br /&gt;O que os muros sociais têm prá me contar&lt;br /&gt;Porque aprendemos tão cedo a rezar&lt;br /&gt;Porque tantas seitas têm, aqui seu lugar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É só regar os lírios do gueto que o Beethoven&lt;br /&gt;Negro vêm prá se mostrar&lt;br /&gt;Mas o leite suado é tão ingrato que as gangues&lt;br /&gt;Vão ganhando cada dia mais espaço&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo, tudo, tudo igual&lt;br /&gt;Brixton, Bronx ou Baixada (refrão)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A poesia não se perde ela apenas se converte&lt;br /&gt;Pelas mãos no tambor&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que desabafam histórias ritmadas como único &lt;br /&gt;Socorro promissor&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cada qual com seu James Brown&lt;br /&gt;Salve o samba, hip-hop, reggae ou carnaval&lt;br /&gt;Cada qual com seu Jorge Bem&lt;br /&gt;Salve o jazz, baião, e os toques da macumba&lt;br /&gt;Também&lt;br /&gt;Da macumba também &lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29965161-115327057694019247?l=oquenaointeressa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oquenaointeressa.blogspot.com/feeds/115327057694019247/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29965161&amp;postID=115327057694019247&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29965161/posts/default/115327057694019247'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29965161/posts/default/115327057694019247'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oquenaointeressa.blogspot.com/2006/07/falando-por-msica-ii-o-terror-em-so.html' title='Falando por música II - O terror em São Paulo....'/><author><name>Antonio Rimaci</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00779165038438976605</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29965161.post-115311080192562283</id><published>2006-07-17T00:43:00.000-03:00</published><updated>2006-07-17T01:33:21.996-03:00</updated><title type='text'>Sobre amigos e universos semânticos...</title><content type='html'>Amigos são a família que escolhemos ter. A frase é um clichê antigo, mas válido. Contudo, cabe acrescentar que essa escolha é sempre limitada pelo nosso pequeno universo. Na nossa sociedade pós-moderna, onde os homens  correm a todo instante atrás de seus horários e atividades,invertendo a ordem minimamente inteligível das coisas,ninguém perde tempo com atividades fúteis como fazer amigos. Se podemos ao mesmo tempo estar na faculdade e faze-los, tudo bem. Se não, sobrevivemos sem eles. Desta forma, nosso universo de amizades torna-se bastante limitado. Os amigos da faculdade, os amigos do trabalho... O mundo capitalista das maravilhas consumíveis forma pessoas cada vez mais limitadas, pressas nos seus próprios mundinhos. &lt;br /&gt;Refletindo sobre isso, pensei nos amigos de infância. No quanto é embaraçoso encontrá-los. É estranho demais... Algumas pessoas chegam a evitar esse tipo de encontro. O motivo é simples: depois dos cumprimentos, a única pergunta que sobra é " e ai, como você tá?" . Depois disso, o papo que sobra é inversamente proporcional à quantidade de tempo que essa pessoa deixou de fazer parte de seu "mundo". Amigos deixam de serem amigos cada vez mais rápido, nos dias de hoje. E por que será?&lt;br /&gt;Sem querer afirmar, com todas as letras, que a Antropologia pode nos ajudar a refletir sobre inúmeras dessas questões intrigantes -  nem muito menos confessar que ela pode acabar fundindo de vez a cuca dos que se entregarem totalmente aos seus "objetivos" -, digo que a noção de universo semântico, usada como pano de fundo por Geertz em "A Interpretação das Culturas", é muito válida nesse sentido. Geertz, interessando em entender culturas diversas da sua, supõe que, havendo dois universos semânticos, ou campos de significação do real( ou ainda simplesmente culturas) diversos, a zona de interpenetração entre eles permitiria uma compreensão, por parte do antropólogo, de alguns aspectos da cultura alheia. Essa interpretação teria como consequência um aumento da área de interpenetração entre as culturas, fazendo com que fosse possivel, a cada novo aumento, entender mais e mais aspectos de uma cultura diversa. É bem mais fácil entender se os amigos pensarem naqueles esquemas que nossos ilustres professores de matemática usavam para representar conjuntos numéricos que possuem números em comum. É como se a intersecção crescesse a cada nova interpetração antropológica.&lt;br /&gt;Se ficou chato, não importa muito; o que queria era resgatar a idéia de universo semântico. É engraçado como na nossa atual sociedade os universos semânticos se subdividem e, por consequência, se mutiplicam a cada dia, a ponto de você não conseguir estabelecer um diálogo de mais de três minutos com alguém que fora seu bom amigo a pouquíssimo tempo. As pessoas estão cada vez mais enfiadas em suas atividades, nos seus horários, nos seus problemas, que acabam reduzindo ao limite extremo sua rede de amigos ( reais, orkut não vale...). É aquela história, antes tinhamos pessoas que sabiam quase nada de quase tudo; hoje, nos tempos do "especialista", temos pessoas que sabem quase tudo de quase nada. Um doutor em articulações dos dedos do pé... Me diga, caro leitor, o que você poderia conversar com um doutor em dedos dos pés?&lt;br /&gt;Soluções para tal mal do mundo pós-moderno não são assim tão fáceis. Talvez um pouco de atitude "antropológica", no sentido de estar sempre querendo avançar no universo semântico dos velhos amigos, exigiria muita disciplina, além de uma coragem enorme de se empenhar numa atividade que poderia deixar qualquer um maluco...Em que cabeça cabe, tudo junto, o universo semântico daquele doutor em dedos do pé e de um cobrador de ônibus, por exemplo? Ser antropólogo é dar um passo largo em direção à loucura... Tô fora!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29965161-115311080192562283?l=oquenaointeressa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oquenaointeressa.blogspot.com/feeds/115311080192562283/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29965161&amp;postID=115311080192562283&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29965161/posts/default/115311080192562283'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29965161/posts/default/115311080192562283'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oquenaointeressa.blogspot.com/2006/07/sobre-amigos-e-universos-semnticos.html' title='Sobre amigos e universos semânticos...'/><author><name>Antonio Rimaci</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00779165038438976605</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29965161.post-115255174323409888</id><published>2006-07-10T13:25:00.000-03:00</published><updated>2006-07-11T17:42:15.426-03:00</updated><title type='text'>Eficácia política X Eficácia simbólica</title><content type='html'>Os solterapolitanos já viram. Fomos brindados com algumas daquelas faixas que surgem em época de eleição: " Deputado não-sei-das-quantas deseja sorte para nossa seleção!". É engraçado como esse tipo de marketing funciona. Apesar de não saber exatamente como isso se dá lá fora, tenho uma inclinação pela idéia de que esse tipo de coisa só funciona aqui no Brasil, com nossa cultura politica personalista e até mesmo maniqueísta. Mas esse não é o ponto, nesse texto.&lt;br /&gt;O que achei interessante é um paralelo, um tanto quanto grosseiro, que pode ser feito entre esse tipo de simbolísmo político, se podemos chamar assim, e a simbologia das tribos indígenas e dos xamãs. Em " Antropologia Estrutural", Levi-Strauss mostra de forma bastante interessante como funciona o mecanismo de cura xamanística. Ela é, antes de tudo, uma reestruturação dos acontecimentos empíricos dentro de um sistema simbólico socialmente convencionado entre os índios. Uma doença, ou um parto difícil, trás ao seio social fatos extraordinários, ou seja, que não podem ser explicados nem colocados em ordem senão pela explicação sobrenatural, que se constitui num sistema de símbolos, da qual o xamã é principal guardião. Os mecanismos materiais da cura, que podem parecer aos nossos olhos ocidentais um charlatanismo vagabundo, são muito mais complexos que isso. Basta dizer que o xamã crê de fato que aqueles procedimentos estimulam os espíritos e outros fatores sobrenaturais, ocasionando na cura.  Contudo, a cura vem, na verdade, pelo ordenamento das acontecimentos, o qual o mito oferece ao doente. Entendo a sequência de acontecimentos previstos pelo mito, o corpo do individuo acaba trabalhando em prol da cura física, fisiológica, porque pode sentir que essa é a ordem natural das coisas, e não o fim dos tempos, uma desordem absoluta. Entraria aqui a explicação de uma noção de incosciente que deixaria o texto mais chato ainda. Basta dizer que a saída que o mito oferece frente ao caos - que é comuma nós ocidentais, na psicanálise - é a chave para a cura. A simbologia, ordenada, é eficiente, justificando o título desse pequeno devaneio.&lt;br /&gt;Na politica brasileira, numa analogia já sabidamente grosseira, ocorre algo semelhante, com algumas diferenças básicas. Os problemas,ou a desordem é também empírica: o individuo não tem emprego, a rua não tem asfalto, o poste não tem luz;o politico, muito bem assessorado, oferece o mito da salvação: o homem bom, honesto, trabalhador, patriota, que vai chegar no poder e resolver todos os problemas. O homem do povo, a voz do povo frente aos "poderosos". As pessoas, fascinadas pelo mito votam, e elegem. O grande problema é que, nesse caso, apenas o mito oferecido, e a solução que ele traz à confusão psiquica, não corresponde a realização da "cura" no plano físico. O mito não resolve. Ao contrário do xamã, que provoca na doente a reação à doença e a cura, a eleição dos "homens do povo", carregada de mitologia, não acarreta no ordenamento imediato das idéias da forma que poderia resolver de fato os problemas do povo. o mito acaba personificando a luta de toda uma classe, colocando na mão de uma figura a solução de suas vidas, quando o que, na humilde opinião desse que vos fala, o que resolveria a "doença social" seria a tomada de consciência, tornar a classe mais crítica, e fazê-la perceber que apenas com junção de esforços e com a luta organizada se pode travar os objetivos contrários aos seus, fazendo com que a desordem empírica suma. De fato, aqui a desordem no plano das idéias, que quando desfeita desfaz a desordem no plano físico, não pode ser sanada apenas pelo "homem do povo", pelo mito que ele traz. O político que, sabendo disso, usa o mito apenas parar fins pessoais, não merece de nós a mesma admiração que o xamã faz por merecer. A  eficácia simbólica do segundo, ainda que não lhe seja possivel compreende-la, cura. O politico é desonesto: oferece  um mito inútil, ou útil apenas para si próprio, na medida em que ele alcança objetivos pessoais, o que pode ser chamado( eu, pelo menos, acho que pode...) de "eficácia política". &lt;br /&gt;Até quando a "eficácia política" irá travar a luta pela "cura" para nosso povo? Até quando ela irá travar um processo que seja mais justamente comparado com a "eficácia simbólica"? Mais uma daquelas perguntas para qual não pretendo formular respostas....&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29965161-115255174323409888?l=oquenaointeressa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oquenaointeressa.blogspot.com/feeds/115255174323409888/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29965161&amp;postID=115255174323409888&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29965161/posts/default/115255174323409888'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29965161/posts/default/115255174323409888'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oquenaointeressa.blogspot.com/2006/07/eficcia-poltica-x-eficcia-simblica.html' title='Eficácia política X Eficácia simbólica'/><author><name>Antonio Rimaci</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00779165038438976605</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29965161.post-115228247940607615</id><published>2006-07-07T11:12:00.000-03:00</published><updated>2006-07-07T11:32:31.670-03:00</updated><title type='text'>Soneto</title><content type='html'>&lt;em&gt;&lt;br /&gt;Largo em sentir, em respirar sucinto&lt;br /&gt;Peno, e calo tão fino, e tão atento,&lt;br /&gt;Que fazendo disfarce do tormento&lt;br /&gt;Mostro, que o não padeço, e sei, que o sinto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mal, que fora encubro, ou que desminto,&lt;br /&gt;Dentro do coração é, que o sustento,&lt;br /&gt;Com que para penar é sentimento,&lt;br /&gt;Para não se entender é labirinto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ninguém sufoca a voz nos seus retiros;&lt;br /&gt;Da tempestade é o estrondo efeito:&lt;br /&gt;Lá tem ecos a terra, o mar suspiros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas oh do meu segredo alto conceito!&lt;br /&gt;Pois não me chegam a vir à boca os tiros&lt;br /&gt;Dos combates, que vão dentro do peito.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                              Gregório de Matos&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29965161-115228247940607615?l=oquenaointeressa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oquenaointeressa.blogspot.com/feeds/115228247940607615/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29965161&amp;postID=115228247940607615&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29965161/posts/default/115228247940607615'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29965161/posts/default/115228247940607615'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oquenaointeressa.blogspot.com/2006/07/soneto.html' title='Soneto'/><author><name>Antonio Rimaci</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00779165038438976605</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29965161.post-115194948912663601</id><published>2006-07-03T14:19:00.000-03:00</published><updated>2006-07-03T14:58:09.166-03:00</updated><title type='text'>Sobre mulheres e a economia mundial....</title><content type='html'>Tempos atrás ouvi alguém dizer: " sem as mulheres, o comércio mundial estaria acabado!". Não percebi a profundidade da frase logo de cara. Pensei ser mais uma daquela frases que se perpetuam apoiadas no rótulo de "sabedoria popular", mas que de sabedoria mesmo, tem muito pouco ou quase nada.&lt;br /&gt;Porém, outro dia, resolvi assumir a velha postura observadora enquanto passava por visita forçada ao seio do consumo soterapolitano,o shopping Iguatemi. O são joaão se aproximava,e o shopping fervia. Não precisa ser um bom observador para perceber a diferença entre a quantidade de mulheres e de homens naquele ambiente, e naquele período. No coração da ebulição, a C&amp;A, essa diferença era gritante. Foi ai que começou a ficar divertido. A sequência escolher, experimentar, pedir opinião, trocar, e por fim, comprar, sempre me pareceu penosa. Para todas as mulheres naquela loja, sem exceção, essa era a forma mais elementar e eficaz de diversão. Sim, as mulheres se divertem com a dúvida, com as milhares de opções para uma coisa tão simples como uma calcinha, enfim, adoram o mar de incentivos à beleza feminina e a possibilidade de paga-los em 8 parcelas "fixas". Elas amam comprar, mas não só por obter algo material. Amam o processo da compra! Essa é a particularidade. Homens também adoram obter coisas novas. Contudo, que esse processo seja o mais rápido e objetivo possivel, e meta de qualquer corpo carregado de testosterona. Tenho provas factuais para o que digo: a fila do provador feminimo tinha cinco a seis metros a mais que a do maculino; nelas havia mais funcionários trabalhando; me pareceu claro que esses funcionários eram instruidos a não dar NENHUM palpite. Acreditem, elas pediam palpite a qualquer um!&lt;br /&gt;Os comerciantes tem a noção exata disso. A loja da C&amp;A reserva o seu primeiro piso exclusivamente pros delírios femininos.Assim elas entram e vêem logo o seu objeto de desejo. Uma tática muito interessante. Além disso, vocês já viram revistas da Natura, Avon ou coisa que o valha? são quase que exclusivamente femininas. A parte masculina é essencialmente destinada a presentes. Porque as mulheres adoram escolher presentes, também.&lt;br /&gt; É engraçado como elas andam em bando. Desafio o leitor a encontrar homens em bando, nos shoppings, comprando... Há também toda uma linguagem própria que fica longe do alcance de qualquer ser humano do gênero masculino, inclusive desse que vos fala. Porque cargas d'agua, as mulheres referem-se a algum produto que acharam bonito com o verbo estar? " Essa calça tá linda..." Porque não dizer " essa calça é linda?" coisa que não me esforço muito pra entender.Reconheço minhas limitações.&lt;br /&gt;O que seria do comércio mundial sem essa aptidão feminina à compra? Elas, levadas por caracteristicas possivelmente genéticas, constróem verdadeiros impérios, como a C&amp;A. E os constrói de forma laboriosa: não basta apenas o gosto pelo processo da compra, tem de haver o convecimento de maridos e namorados, a lábia pra conseguir descontos, a insistência em querer tal cor, tal tamanho, a reclamação revoltada quando se sente lesada... Viva às mulheres, motores da economia mundial!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29965161-115194948912663601?l=oquenaointeressa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oquenaointeressa.blogspot.com/feeds/115194948912663601/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29965161&amp;postID=115194948912663601&amp;isPopup=true' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29965161/posts/default/115194948912663601'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29965161/posts/default/115194948912663601'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oquenaointeressa.blogspot.com/2006/07/sobre-mulheres-e-economia-mundial.html' title='Sobre mulheres e a economia mundial....'/><author><name>Antonio Rimaci</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00779165038438976605</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29965161.post-115167876286578955</id><published>2006-06-30T11:43:00.000-03:00</published><updated>2006-06-30T11:47:51.620-03:00</updated><title type='text'>Falando por música.</title><content type='html'>&lt;em&gt;&lt;strong&gt;No Surprises&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Radiohead&lt;br /&gt;Composição: Radiohead&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A heart that's full up like a landfill&lt;br /&gt;A job that slowly kills you&lt;br /&gt;Bruises that won't heal&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;You look so tired and unhappy&lt;br /&gt;Bring down the government&lt;br /&gt;They don't, they don't speak for us&lt;br /&gt;I'll take a quiet life&lt;br /&gt;A handshake of carbon monoxide&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No alarms and no surprises&lt;br /&gt;No alarms and no surprises&lt;br /&gt;No alarms and no surprises&lt;br /&gt;Silent, silent&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;This is my final fit, my final bellyache with&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No alarms and no surprises&lt;br /&gt;No alarms and no surprises&lt;br /&gt;No alarms and no surprises please&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Such a pretty house, such a pretty garden&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No alarms and no surprises (let me out of here)&lt;br /&gt;No alarms and no surprises (let me out of here)&lt;br /&gt;No alarms and no surprises please (let me out of here)&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29965161-115167876286578955?l=oquenaointeressa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oquenaointeressa.blogspot.com/feeds/115167876286578955/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29965161&amp;postID=115167876286578955&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29965161/posts/default/115167876286578955'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29965161/posts/default/115167876286578955'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oquenaointeressa.blogspot.com/2006/06/falando-por-msica.html' title='Falando por música.'/><author><name>Antonio Rimaci</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00779165038438976605</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29965161.post-115154047110032126</id><published>2006-06-28T21:01:00.000-03:00</published><updated>2006-06-28T21:21:11.143-03:00</updated><title type='text'>Imprensa livremente subordinada....</title><content type='html'>Fui surpreendido, numa das últimas edições do Jornal Nacional ( juro que não consigo lembrar que dia foi...), com um pedido de desculpas que seria ridículo. Sim, seria ridículo se não fosse feito pela toda poderosa Rede Globo. Coube à Fátima Bernardes, devidamente portegida contra o frio alemão, baixar a cabeça - com certo charme, mas baixar a cabeça!- frente a uma birrazinha do Parreira, que achou "invasivo" o quadro "leitura labial", apresentado no Fantástico.&lt;br /&gt;Eu fiquei realmente surpreso, porque  achei esse quadro a coisa mais interessante de TODO o programa. Bem feito, com um humor de bom gosto, e que além disso aproxima os torcedores de seus ídolos, na medida em que deixa claro que eles também ficam nervosos, também xingam, também se preocupam de verdade com seus problemas, enfim, que são gente como a gente.Quem já imaginou ver o sempre tão educadinho Parreira dizer:"tirar o Émerson vai ser f..."? Eu nunca tinha pensado na cena. Sensacional.&lt;br /&gt;Mas ai, o Parreira não gostou e a Globo, poderosa que só ela, baixa a cabeça? Ah, como é que pode? E a imprensa livre? e o fato de Parreira estar num evento público sujeito a todo tipo de observação? &lt;br /&gt;O pior é saber que toda essa subserviência é em troca daquelas entrevistas exclusivas insuportáveis, onde pergunta-se sempre as mesmas coisas, e ouve-se sempre as mesmas respostas, naquele mar de informações sem sentido que nos atormentou no período pré-copa: hoje, Ronaldinho espirrou; ontem, Roberto Carlos chutou mais bolas ao gol que anteontem... Será que vale a pena? É tão fácil ser tão insuportávelmente detalhista sem precisar submeter-se aos caprichos da CBF... Vejam a ESPN Brasil, que vem conseguindo manter um nível de transmissão parecido com o da Globo, mantendo um certo grau de "independência"! Sinceramente, acho  essa transmissão detalhadissima um saco; e quando conseguem fazer algo de bom, a liberdade da imprensa é posta de lado pela própria imprensa... Absurdo.&lt;br /&gt;Mas tomara que eu esteja completamente errado e que, no domingo, o Fantástico volte a exibir o quadro e, com isso, salve a minha noite.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29965161-115154047110032126?l=oquenaointeressa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oquenaointeressa.blogspot.com/feeds/115154047110032126/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29965161&amp;postID=115154047110032126&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29965161/posts/default/115154047110032126'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29965161/posts/default/115154047110032126'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oquenaointeressa.blogspot.com/2006/06/imprensa-livremente-subordinada.html' title='Imprensa livremente subordinada....'/><author><name>Antonio Rimaci</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00779165038438976605</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29965161.post-115120797309223359</id><published>2006-06-25T00:10:00.000-03:00</published><updated>2006-07-03T15:01:47.026-03:00</updated><title type='text'>Um fato, duas versões...</title><content type='html'>&lt;em&gt;" Um ônibus lotado num dia cinza. Pessoas caladas, cada qual pensando nos seus problemas, desejos, aspirações... Algumas falam, expondo a algum conhecido os mesmos sentimentos que os outros apenas pensam. É um dia normal. É só mais um dia.&lt;br /&gt;O ônibus pára. A porta dianteira se abre. Pedintes e baleiros, além de senhores de idade e deficientes usam-a todos os dias para entrar no coletivo. Até ai, tudo normal. Porém desta vez, grata surpresa, sobe uma figura diferente. Com seus quase cinquenta, humilde, um chapéu levemente inclinado na cabeça, roupas sujas e deveras desgastadas. Ele trazia uma pequena sanfona junto ao peito. Sentou-se, agradeceu ao motorista e começou a se preparar para a apresentação. O rosto sofrido trazia um leve sorriso, como quem anuncia o momento singular que estava por vir.Ajeitou a sanfona, e pode-se ouvir as primeiras notas.&lt;br /&gt;Concomitantemente, vieram as reações. As pessoas notam quando algo interfere no seu dia normal. Os que falavam, calaram-se. Alguns fizeram cara de reprovação. Outros - a grande maioria - esboçaram um sorriso. "laiê, laiê, laiê rerê rerê...", e os sorrisos aumentaram.  De repente, o dia cinza parecia ter ganhado mais cor, o céu mostrava um lindo azul, as árvores estavam mais verdes. A alegria da múscia contagiou a todos. Alguns insistiam em manter a cara de dia normal. Outros acompanhavam alegremente os versos " minha vida é andar por esse país...". O artista popular atingiu sua meta: trouxe alegria ao seu público. &lt;br /&gt;As moedas que pediu em troca nunca pdoeriam pagar a dose de ânimo e de energia trazidas por sua música. E mesmo assim, o velho pobre, com as marcas de sofrimento de uma vida muito dura, saiu sorridente, desejando um bom dia a todos. Elel saiu feliz, apesar de ganhar apenas o necessário para sobreviver. Saiu feliz como um velho nordestino que consegue ver que na vida o importante é querer viver com alegria.  E é ainda mais digno de admiração um velho que enxerga tudo isso sem os olhos. Sim, o nosso artista é cego, fisicamente cego. Creio que havia pessoas naquele coletivo muito mais cegas que ele, apesar de terem os olhos saudáveis...."&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu escrevi esse texto há algum tempo. Engraçado que a mesma situação me ocorreu, dia desses. E mais engraçado ainda é que a  minha percepção do fato foi muito diferente... primeiro, já não sou tão crítico assim de dias normais. Os dias que não são normais, normalmente trazem mais problemas que surpresas boas. E não são, de jeito nenhum, mais coloridos que os normais... Eu continuo achando que a música dele traz alegria, mas já consigo entender que muitas pessoas simplesmente não queiram ficar felizes, ora bolas. Também continuo acreditando que as moedas que ele pede em troca não podem de forma alguma pagar a um músico de tamanha qualidade, mas isso agora me revolta! E no sorriso dele, onde antes enxergava um exemplo, hoje enxergo muito mais conformismo. "Só a luta muda a vida", pensei. Quando será que fui mais justo? Desisti de pensar na questão antes mesmo de terminar de formulá-la...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29965161-115120797309223359?l=oquenaointeressa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oquenaointeressa.blogspot.com/feeds/115120797309223359/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29965161&amp;postID=115120797309223359&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29965161/posts/default/115120797309223359'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29965161/posts/default/115120797309223359'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oquenaointeressa.blogspot.com/2006/06/um-fato-duas-verses.html' title='Um fato, duas versões...'/><author><name>Antonio Rimaci</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00779165038438976605</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29965161.post-115100040048113253</id><published>2006-06-22T15:15:00.000-03:00</published><updated>2006-06-22T15:33:34.853-03:00</updated><title type='text'>Americanismo acrítico....</title><content type='html'>Aqui está a prova, irretorquível, da origem estrangeira e, ainda pior, americana, da mais nova coqueluche soterapolitana e da bahia em geral.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=7DYIDNMZ-uc&amp;mode=related&amp;search=arrocha&lt;br /&gt;"&gt;Aqui está.&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Até onde vai esse americanismo nosso, meu Deus do céu? Agora é que eu não arrocho meeesmo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E aqui mais uma prova: o Angra, que está logicamente antenado com as ondas americanas de forma muito mais concreta que nós da província chamada Salvador, entrando na onda arrocheira antes de Nara Costa´s e Silvano Salles´s da vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=tRNAsyALzdE&amp;mode=related&amp;search=arrocha&lt;br /&gt;"&gt;Aqui.&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lamentável...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29965161-115100040048113253?l=oquenaointeressa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oquenaointeressa.blogspot.com/feeds/115100040048113253/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29965161&amp;postID=115100040048113253&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29965161/posts/default/115100040048113253'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29965161/posts/default/115100040048113253'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oquenaointeressa.blogspot.com/2006/06/americanismo-acrtico.html' title='Americanismo acrítico....'/><author><name>Antonio Rimaci</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00779165038438976605</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29965161.post-115082714362792716</id><published>2006-06-20T14:35:00.000-03:00</published><updated>2006-06-23T00:46:36.293-03:00</updated><title type='text'>Copa do Mundo</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/6578/3204/1600/pel%3F%3F.png"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/6578/3204/320/pel%3F%3F.png" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É muito clichê. Clichê demais mesmo, admito. Mas fugir do assunto Copa do Mundo tornou-se tarefa árdua frente a invasão das transmissões 24 horas das tvs cheias de tecnologia. Longe de mim a intenção der querer ser o crítico das críticas,aquele que vê tudo de cima. Mas eu não concordo com quase nada do que se diz por ai enquanto estamos assistindo o tão grandioso evento futebolístico.&lt;br /&gt;Em primeiro lugar, classifico como vazia, rasa mesmo, a idéia defendida por muitos, de que o ufanismo caracteristico do período de Copas "aliena" os brasileiros, e os faz esquecer que o seu país é pobre, que tem gente passando fome, que os caras que nos representam dentro das quatro linhas ganham rios de dinheiro lá fora, enquanto o pau come por aqui, blá blá blá. É vazia por ser essa "alienação"  exterior, anterior e superior a qualquer evento esportivo. Afinal, em qual outro período do ano ou da década o povo brasileiro não foi acomodado, desmobilizado e "alienado"? Então, não me venham com churumelas.  A culpa da nossa inércia política está longe, bem longe mesmo, de poder ser atribuida ao futebol.Eu diria, do alto dos meus vinte anos e pautado no grande acúmulo de conhecimento que tenho sobre o problema(rs), que há uma junção de inúmeras causas nessa inércia. Mas isso é assunto pra outra hora....Vale dizer que torcer contra a seleção, apoiado nos argumentos descritos acima, longe de ser uma postura "politizada", é só, e somente só, coisa de gente muito da chata. Jogo duro contra a Croácia, Brasil levando pressão, e vem um panaca de lá e diz: Vamo Croáaaacia! Ah, vai pra....&lt;br /&gt;Bom, agora o outro lado da moeda. A campanha da Rede Globo nesse período, ressaltando os "símbolos nacionais", o orgulho do povo e coisas do gênero, também é de dar nos nervos. Tudo bem, muito provavelmente a audiência absurda que a Globo tem nesse período é conseguida tanto pela tradicional liderança de audiência como, diga-se de passagem, pela campanha tecnicamente bem feita. Se dá certo, devemos parabenizar, porque é isso que importa, diria Maquiavel(ressalvando-se a idéia original de Maquiavel, que identificava a eficácia das ações como medida de sua qualidade no campo político. Perdoem a analogia forçada, mas o blog é meu, então eu posso!). Mas analisando menos (ou mais) friamente a questão, não bem assim não, pô. Futebol é um jogo, os caras ganham muito bem pra jogá-lo, e não tem nada de patriótico naquilo. É um jogo. Usamos o critério de torcer para aqueles que nasceram no mesmo país que nós. Muitas vezes lá longe, onde nunca fomos. É um dos critérios, mas não precisa ser transformado em obrigação patriótica. A Globo faz, exagera e enche o saco.&lt;br /&gt;Eu, particularmente, torço pro Brasil porque considero que é um time excepcional. Sem dúvidas o jogador brasileiro é diferenciado, criativo, ousado. Dá gosto de ver. Mas transformar isso numa querra nacionalista desarmada, é demais pra minha cabecinha. &lt;br /&gt;Dito isso tudo, resta torcer. Pra frente Brasil, salve a seleção!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29965161-115082714362792716?l=oquenaointeressa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oquenaointeressa.blogspot.com/feeds/115082714362792716/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29965161&amp;postID=115082714362792716&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29965161/posts/default/115082714362792716'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29965161/posts/default/115082714362792716'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oquenaointeressa.blogspot.com/2006/06/copa-do-mundo.html' title='Copa do Mundo'/><author><name>Antonio Rimaci</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00779165038438976605</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29965161.post-115077204347750019</id><published>2006-06-19T23:52:00.000-03:00</published><updated>2006-06-19T23:57:11.026-03:00</updated><title type='text'>Uma do Cartola, pra começar bem...</title><content type='html'>&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;O Mundo é Um Moinho&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Cartola&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Ainda é cedo amor&lt;br /&gt;Mal começaste a conhecer a vida&lt;br /&gt;Já anuncias a hora da partida&lt;br /&gt;Sem saber mesmo o rumo que iras tomar&lt;br /&gt;Preste atenção querida&lt;br /&gt;Embora eu saiba que estás resolvida&lt;br /&gt;em cada esquina cai um pouco tua vida&lt;br /&gt;Em pouco tempo não serás mais o que és&lt;br /&gt;Ouça-me bem amor&lt;br /&gt;Preste atenção o mundo é um moinho&lt;br /&gt;Vai triturar teus sonhos tão mesquinhos&lt;br /&gt;Vai reduzir as ilusões à pó&lt;br /&gt;Preste atenção querida&lt;br /&gt;Em cada amor tu herdarás só o cinismo&lt;br /&gt;Quando notares estás à beira do abismo&lt;br /&gt;Abismo que cavastes com teus pés&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29965161-115077204347750019?l=oquenaointeressa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oquenaointeressa.blogspot.com/feeds/115077204347750019/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29965161&amp;postID=115077204347750019&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29965161/posts/default/115077204347750019'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29965161/posts/default/115077204347750019'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oquenaointeressa.blogspot.com/2006/06/uma-do-cartola-pra-comear-bem.html' title='Uma do Cartola, pra começar bem...'/><author><name>Antonio Rimaci</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00779165038438976605</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-29965161.post-115077095470076095</id><published>2006-06-19T22:41:00.000-03:00</published><updated>2006-06-23T01:02:29.843-03:00</updated><title type='text'>Quando nem o meu Horror é meu só...</title><content type='html'>Eu odeio hospitais. A explicação para tal sentimento pode tomar vários caminhos. Gosto, particularmente, de dois. Um seria considerar uma inclinação natural: as pessoas vão a um hospital quando não estão bem, logo, o instinto de preservação manda fugir deles, enquanto é possivel. Mas essa explicação é por demais genérica e acaba me remetendo a um sentimento de não-exclusividade em relação aos que me cercam, e isso em uma sociedade capitalista dos "seres individuais", e do "estilo próprio", pode me levar a um suicídio. O outro é mais subjetivo ( e, felizmente, me parece mais "individual"): tenho horror a climas tensos, de qualquer espécie. Não é medo da morte, não mesmo. Isso seria natural demais, também. Eu não suporto o limite entre o sofrimento e o alívio, intríseco a qualquer ambiente de tensão. Prefiro sofrer logo, ou aliviar-me logo. Alguém poderia dizer que a tensão já é uma maneira de sofrer, e que todo mundo sofre com a tensão, mas eu não consigo sofrer enquanto estou tenso, e me apego nesse mínimo detalhe que eu mesmo forjei pra assegurar minha individualidade. Sim, eu sou humano. Mas só naturalmente humano.&lt;br /&gt;Bem, acontece que, dia desses, vindo da faculdade, recebi um chamado de emergência familiar. Não interessa entrar em detalhes. Interessa que tive de ir a um hospital. Classe média, arrumadinho. Até o cheiro característico era bem disfarçado. Enfim, resolvi aproveitar a situação inevitavelmente desagradável e fazer algo de útil. Comecei a observar pessoas que, notadamente, eram frequentadoras assíduas daquele ambiente. Foi ficando engraçado... São pessoas obviamente debilitadas, algumas com a morte a bater na porta. Contudo, o que menos se vê é tristeza, ao menos tristeza exposta. Para além das conjecturas possíveis, achei relevante a familiaridade que aquelas pessoas têm com um ambiente que a mim me parecia tão assustador. Elas passeiam pelos corredores, brincam com os funcionários, comemoram os gols da Copa do Mundo em frente à tv. E aos poucos meu horror foi se transformando em curiosidade, e depois, em conformismo. Pensei cá com os meus botões, " o próximo passo é tranformar esse conformismo em felicidade!". Quis correr. Meu tão peculiar ódio por hospitais estaria indo embora. Depois, passado o susto, ri sozinho lembrando de umas aulas de antropologia. Bastaram algumas horas pra que eu tranformasse aquele ambiente confuso em um conjunto ordenado de idéias e conceitos e, ao perceber que quase ninguém "sofria" ali, o horror que parecia ter raizes naturais - ou apenas individuais -, sumiu. A interação social o fez desaparecer. Quando dei por mim, já estava quase gostando do lugar, das companhias... A conclusão óbvia é que aquele horror outrora citado como só meu, ou apenas um vestígio de instinto de sobrevivência, não poderia desaparecer assim, sendo um ou outro. O horror era cultural, e pautado num preconceito. Portanto, nunca fora só meu!&lt;br /&gt;O ser humano é absurdamente anti-natural. Como pode, algum ser vivo, se divertir num hospital? E, afinal, como pode um terror, o mais evidentemente natural, ser desmascarado, simples assim, como um preconceito socialmente forjado? O temor que quis que fosse exclusivamente meu, é social e culturalmente construído? Definitivamente, antropologia não combina com os tempos de "Malhação", MTV e RBD. Eu quero ser exclusivo. Eu quero ser eu mesmo! Eu quero ser só naturalmente humano! Mas a antropologia não deixa. Ah, que saco! Vou dormir, pra esquecer...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/29965161-115077095470076095?l=oquenaointeressa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oquenaointeressa.blogspot.com/feeds/115077095470076095/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=29965161&amp;postID=115077095470076095&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29965161/posts/default/115077095470076095'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/29965161/posts/default/115077095470076095'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oquenaointeressa.blogspot.com/2006/06/quando-nem-o-meu-horror-meu-s.html' title='Quando nem o meu Horror é meu só...'/><author><name>Antonio Rimaci</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00779165038438976605</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry></feed>
